Bispos da França e Inglaterra saem em defesa de papa no escândalo de pedofilia

Em carta dirigida ao papa Bento XVI, os bispos da França expressaram nesta sexta-feira vergonha e pesar perante os atos de pedofilia cometidos dentro da Igreja Católica.

AFP |

"Todos sentimos vergonha e pesar perante os atos abomináveis cometidos por alguns padres e religiosos", afirmam os bispos, que, na mesma carta, defenderam o papa contra os ataques que sofreu em relação ao escândalo.

Reuters
Vítima de abuso segura cartaz com foto do papa durante protesto no Vaticano

Vítima segura foto do papa em protesto na 5ª feira no Vaticano

"Constatamos também que esses fatos inadmissíveis são utilizados em uma campanha para atacar o senhor e sua missão à serviço da Igreja", afirmam os prelados. Eles também enviaram "uma cordial mensagem de apoio no difícil período que atravessa nossa igreja".

A carta foi divulgada um dia depois de o jornal americano New York Times ter indicado que o papa, quando era o cardeal Joseph Ratzinger, ignorou denúncias de pedofilia feitas em relação a um padre americano nos anos 90.

Os bispos consideraram que as pessoas que cometem esses atos "desfiguram nossa Igreja". "Mesmo que esses atos sejam resultado de um grupo muito pequeno de sacerdotes - o que já é demais - os que vivem com alegria e fidelidade seu compromisso a serviço da Igreja também são afetados", também afirma a mensagem.

Em um artigo publicado no jornal britânico The Times, o chefe máximo dos católicos da Inglaterra e de Gales também negou que a Igreja tenha acobertado os abusos sexuais. O arcebispo de Westminster, Vincent Nichols, considerou inadmissível a atitude das pessoas que abusaram sexualmente de menores.

"O abuso de crianças dentro da Igreja católica romana e seu acobertamento são profundamente chocantes e totalmente inadmissíveis", afirma o prelado. "Envergonho-me pelo ocorrido e compreendo a ira e horror que esses casos produziram", enfatiza.

Denúncia do NYT

Bento XVI se encontra no centro do escândalo depois que o New York Times divulgou na quinta-feira informações de que ele, enquanto era o cardeal Joseph Ratzinger, encobriu nos anos 90 um padre americano suspeito de ter abusado de 200 crianças com deficiência auditiva .

O Vaticano saiu em defesa do papa afirmando que ele só teve conhecimento dos fatos quando o sacerdote estava idoso e muito doente .

Segundo o NYT, Joseph Ratzinger, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé nos anos 1990, ignorou denúncias de que o padre Lawrence C. Murphy teria abusado de quase 200 crianças surdas em uma escola do Wisconsin (norte dos Estados Unidos) entre 1950 e 1972. Murphy trabalhou no local entre 1950 e 1974.

Ratzinger também teria sido alertado sobre as acusações contra o padre Murphy pelo arcebispo de Wisconsin, que teria escrito duas cartas sobre a questão.

Um julgamento a portas fechadas perante um tribunal eclesiástico contra o padre Murphy foi arquivado depois de uma carta redigida em 1996 por ele a Ratzinger pedindo que impedisse o processo, acrescenta o jornal.

"Simplesmente quero viver o tempo que me resta na dignidade de meu sacerdócio", escreveu Murphy ao então cardeal Ratzinger. "Peço sua ajuda nesse caso", prossegue o religioso americano.

Nenhuma resposta de Ratzinger figura entre os documentos entregues ao jornal e Murphy faleceu dois anos mais tarde, em 1998, quando ainda era padre.

Na resposta à denúncia do jornal, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, ressalta que se recorreu à Congregação pela primeira vez no fim dos anos 90, "quando já haviam transcorrido mais de duas décadas desde que os abusos foram denunciados aos dirigentes da diocese e da polícia".

Lombardi recordou que as autoridades civis americanas investigaram o padre Lawrence Murphy nos anos 70, após as acusações das vítimas, mas acabaram abandonando o processo.

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