Artista de Nova York costura tudo o que veste há mais de 3 anos

Desde 2008, quando largou seu emprego, professora de arte se livrou das lojas ao encarregar-se de seus cintos a suas roupas íntimas

Carolina Cimenti, de Nova York |

Carolina Cimenti
Sarah Kate Beaumont experimenta seu mais recente projeto: um tailler com saia longa e blazer em algodão azul (o chapéu também foi feito por ela)
Ela trabalhava como professora de arte em diversas escolas públicas e privadas de Nova York. No verão de 2008, no auge da crise financeira e quando milhares de nova-iorquinos ficaram desempregados, Sarah Kate Beaumont deixou seu emprego de oito anos e resolveu colocar em prática seu sonho de ensinar crianças e adultos a costurar. Instantaneamente nasceu o projeto mais complexo e mais longo da sua vida: costurar todas as peças de roupa que usa.

Há três anos, tudo o que veste, incluindo cintos, calcinhas, sutiãs e chapéus, é ela mesma quem faz. Está tudo documentado no seu blog Very Sweet Life (ou Vida Muito Doce). A única peça que sobrou do guarda-roupa antigo é a velha calça jeans, e as únicas que ainda se permite comprar são sapatos e meias.

“Pensei assim: se sou capaz de fazer uma coisa com as minhas próprias mãos, por que comprá-la? É como o movimento slow-food, que vai contra o fast-food. Por que usar uma blusinha que foi feita aos milhares, sem o menor cuidado e com um tecido sintético, se posso escolher um tecido de fibras naturais, e produzi-la com toda a atenção e cuidado?”, questiona Sarah.

Quando começou o projeto, Sarah nunca imaginou que ele duraria tanto tempo. O que a impulsionou a querer costurar as próprias roupas foi a frustração, pois não conseguia encontrar nas lojas peças que fossem exatamente como as que queria. “Na minha imaginação, sabia exatamente como eram, mas nas lojas nunca achava nada. Então decidi fazer. Mas a ideia era produzir alguns modelos e pronto.”

Acontece que a cada novo projeto e a cada nova peça de roupa, a artista descobria mais satisfação. Agora, com o armário cheio, cortinas, toalhas e almofadas novas, e centenas de alunos todos os anos, o que era um projeto artístico virou um estilo de vida.

Há pouco mais de um ano, Sarah começou a usar uma etiqueta nas suas próprias roupas, com a marca Very Sweet Life. O segundo passo será comercializar algumas peças, mas como dar um preço se cada uma delas é feita pelas próprias mãos de Sarah? Por enquanto, a artista tem aceitado somente encomendas de amigos e conhecidos.

“Aprender a costurar torna o mundo ao nosso redor muito diferente. Estamos constantemente envolvidos em costuras. Nas roupas, nas cortinas, nos lençóis. E, quando você aprende a fazer cada uma dessas coisas, seu olhar sobre elas muda”, diz Sarah, que praticamente não entra em uma loja há três anos. “Hoje, quando vejo uma peça de roupa, consigo perceber imediatamente pelo tipo de costura, acabamento e tecido, se foi feita nos Estados Unidos ou fora, se foi produzida com tempo ou com pressa. Você acaba ficando mais informada, mais preparada para escolher”, afirma.

Além de não entrar em lojas, Sarah também não lê revistas de moda. Sua inspiração vem de livros de história. Este ano, a artista pretende costurar para si mesma uma pequena coleção de biquínis baseada nas peças dos anos 1920. “O prazer de vestir uma roupa que você mesmo fez, escolheu o tecido, desenhou, imaginou, cortou e costurou, faz você se sentir incrível. É por isso que homens gostam de lavar, polir e arrumar carros, por exemplo. Porque dirigir uma coisa que eles mesmos fizeram os faz sentir bem. Esse é o segredo: leva mais tempo para ser feito, mas se torna muito mais especial”, explica a artista.

Com base em sua própria experiência, Sarah pensa em criar um workshop para ajudar as pessoas a descobrir seus próprios estilos pessoais. Cada peça de roupa que faz pode levar de três horas a quatro ou cinco dias de trabalho. Mas o resultado final é uma roupa feita sob medida e com um acabamento especial. “Você pode jogar fora uma camiseta que comprou por US$ 10, mas uma roupa que você fez do início ao fim vai ficar no seu armário por muitos anos”, completa Sarah.

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