Segundo imprensa local, Robert Mugabe se recusa a deixar o poder, no qual se mantém desde 1980; revolta se iniciou após queda de vice-presidente

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe , deverá se reunir com os chefes do Exército neste domingo (19) para uma segunda rodada de negociações diretas entre o chefe de Estado e os militares. Mugabe está retido pelas autoridades do país desde a última terça-feira (14), quando quando tanques do exército tomaram as ruas para afastar Mugabe da presidência após 37 anos no poder.

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Segundo informações da emissora pública local ZBC e da agência de notícias EFE, o sacerdote Fidelis Mukonori, amigo de Mugabe, preside a mesa de negociação em que os militares pretendem fazer o veterano presidente, de 93 anos, renunciar voluntariamente de seu cargo para evitar uma intervenção internacional contra um eventual golpe de Estado no Zimbábue .

Exército tomou as ruas na terça-feira para afastar Robert Mugabe da presidência do Zimbábue
Reprodução/Twitter
Exército tomou as ruas na terça-feira para afastar Robert Mugabe da presidência do Zimbábue

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Além de Mukonori, também atuarão como mediadores das negociações entre Mugabe e os militares o diretor interino dos serviços de inteligência do país, Aaron Nhepera, – o anterior foi detido e, embora tenha sido liberado em seguida, já não exerce suas funções –, e o secretário permanente do Ministério de Informação, Imprensa e Serviços de Comunicação, George Charamba.

Ainda que os militares tenham afirmado que a primeira rodada de negociações, a imprensa local afirma que com o líder do regime ditatorial zimbabueano se recusa a deixa o poder, no qual se mantém desde 1980. Mesmo sem um acordo pela renúncia, Mugabe poderá ter seu último dia no cargo, já que seu partido, a União Nacional Africana do Zimbábue-Frente Patriótica (ZANU-PF), se reunirá para decidir se o destitui, após as seções provinciais retirarem seu apoio.

A revolta militar se iniciou dias após Mugabe destituir o vice-presidente Emmerson Mnangagwa. A decisão foi considerada uma manobra da primeira-dama, Grace Mugabe, para se desfazer de seu principal rival na corrida pela sucessão do marido no poder.

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Segundo analistas, Mnangagwa, veterano de guerra com fortes vínculos com o Exército, seria o líder do movimento por um futuro governo transitório de concentração formado. O objetivo seria reconduzir o Zimbábue, afetado desde 2008 por uma grave crise econômica, assim que Mugabe tenha saído do poder.

* Com informações da Agência Brasil.

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