Jornalista transmitia boletim de notícias pela manhã dessa terça-feira (14) quando os primeiros tiros foram disparados e o programa foi interrompido

Tiroteio que matou duas pessoas e feriu uma em estação de rádio é crime sem precedentes na República Dominicana
Reprodução/Youtube
Tiroteio que matou duas pessoas e feriu uma em estação de rádio é crime sem precedentes na República Dominicana

Dois jornalistas foram mortos em uma estação de rádio na República Dominicana depois que um atirador abriu fogo durante um boletim de notícias transmitido ao vivo pelo Facebook. Luís Manuel Medina, apresentador do programa “Milenio Caliente”, foi morto enquanto estava no ar na manhã de terça-feira (14). O produtor e diretor Leo Martínez também morreu.

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A Rádio FM 103.5, da cidade de San Pedro de Macorís, no leste da República Dominicana , transmitia ao vivo seu programa matinal. Tudo ocorre bem até o terceiro minuto do vídeo quando, de repente, é possível ouvir dois disparos e uma mulher gritando “Tiros! Tiros! Tiros!” e a transmissão acaba.

Medina foi atingido no local de onde transmitia e Martínez morreu em seu escritório adjacente. Além das duas vítimas fatais, a secretária da estação, Dayaba Garcia, ficou ferida e foi levada ao hospital, onde passou por cirurgia emergencial. Três homens foram presos pelo tiroteio, mas nenhum deles recebeu acusações, já que a polícia ainda não identificou a motivação por trás do crime.

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Localmente, o “Milenio Caliente” é um programa popular, conhecido por suas análises políticas e campanhas sociais. Nas semanas antes de sua morte, Medina criticou repetidamente a poluição em Laguna Mallen, um lago sob proteção, em San Pedro.

Olivo de Leon, jornalista que conhecia as vítimas, afirmou que o ataque é sem precedentes em toda a história do país. “As autoridades precisam investigar para determinar não somente os assassinos, mas também a mente por trás [do crime], para podermos saber por que eles foram assassinados”, disse.

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“Impunidade nesse caso vai gerar terror entre os jornalistas, fazendo com que tenham medo de se pronunciar e fazer seu trabalho. O governo precisa garantir a liberdade de imprensa”, completou de Leon em entrevista ao “The Guardian”.

Por mais que assassinatos sejam raros, é comum que jornalistas denunciando crime organizado e corrupção sejam alvo de assédio e intimidação na República Dominicana. O ultimo jornalista a ser morto no país foi Blas Olivo, em 2015. A polícia afirma que Olivo foi vítima de um assalto, mas nem seu carro, nem seu celular foram levados. O caso continua em aberto.