Ataques deixaram ao menos 91 vítimas fatais em Aleppo e frustraram as tentativas de um cessar-fogo no país; moradores relatam mortes de crianças

Bombardeios atingiram hospitais e dificultaram ainda mais o trabalho de resgate dos civis atingidos em Aleppo
The Guardian/ Reprodução
Bombardeios atingiram hospitais e dificultaram ainda mais o trabalho de resgate dos civis atingidos em Aleppo

Bombardeios supostamente planejados pelos Estados Unidos e pela Rússia abalaram a região leste de Aleppo, na Síria, nesta sexta-feira (23), deixando ao menos 91 pessoas mortas. As informações são de ativistas e foram divulgadas no periódico britânico "The Guardian".

Os ataques teriam ocorrido depois do anúncio de uma nova ofensiva rebelde e acabou com todas as esperanças de um cessar no país. No início do mês, a oposição da Síria apresentou um plano de paz e de transição de governo excluindo o ditador Bashar al-Assad.

No segundo dia de bombardeio, três centros médicos foram atingidos pelas bombas, destruindo veículos e deixando vítimas presas entre escombros. De acordo com a organização "Capacetes Vermelhos", mais de 40 prédios foram destruídos.  Ativistas compartilharam imagens da destruição. 

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"Esse é o significado de civilização e democracia russa? A morte de crianças, mulheres e idosos?", lamentou um residente da região ao "The Guardian".

Ameaças

O exército sírio anunciou na última quinta-feira (22) uma nova ofensiva contra tropas dos Estados Unidos e da Rússia após o Secretário de Estado dos norte-americano, John Kerry, encontrar-se com o diplomata russo Sergei Lavror e outros ministros em um comício das Nações Unidas em Nova York para discutir a continuação de um novo cessar-fogo que terminou na segunda-feira (19).

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Divisão

Aleppo já foi o principal centro comercial da Síria, mas agora é dividida por uma guerra civil. Enquanto a parte oeste é controlada pelo governo, a leste está na mão de rebeldes.

O vídeo de uma menina de cinco anos sendo recolhida dos escombros de um prédio reforçou a situação dramática em que o país se encontra. Rawan Alowsh chorava enquanto a polícia a salvava.

Médicos voluntários na região afirmaram que a situação é crítica e lamentaram a falta de atenção do mundo para o que está acontecendo no país. "É tão triste. Os massacres não param. Bombas, exaustão, medo e falta de poder. O silêncio do mundo está nos matando", disse uma enfermeira de Aleppo. "Eles estão queimando as crianças e matando pessoas inocentes. Tudo que temos são promessas de que isso vai parar", acrescentou a moradora da Síria.