Estado Islâmico tem perdido espaço com ofensiva dos EUA, dizem especialistas

Por BBC Brasil | - Atualizada às

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Apesar do choque causado pelos vídeos jihadistas, grupo tem sido derrotado em regiões entre a Síria e o Iraque, onde atua

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O vídeo do autodenominado "Estado Islâmico" que supostamente mostra um militar jordaniano sendo queimado vivo reabriu o debate sobre os avanços e limites da guerra que levou a formação de uma coalizão internacional contra o grupo.

Terça: Estado Islâmico queima piloto jordaniano vivo e divulga imagens na internet

Rebelde se mostra chocado com a destruição causada por ataques:
Reprodução
Rebelde se mostra chocado com a destruição causada por ataques: "perdemos muitos irmãos" (31/01)

Galeria de fotos: Execução de reféns pelo Estado Islâmico choca o mundo

Na guerra nos campos militares e da informação, o vídeo pode ser entendido como uma batalha entre tantas outras.

As imagens, cuja autenticidade não pode ser confirmada, seriam de Moaz al-Kasasbeh, o piloto capturado pelo grupo quando seu avião caiu na Síria durante uma missão de apoio à coalizão.

Dias antes, o "Estado Islâmico" veiculou a notícia da decaptação do refém japonês Kenji Goto, levando Tóquio a anunciar maior apoio aos países que combatem o grupo, principalmente no Iraque e na Síria.

Nesse contexto, um grande ataque na capital líbia, Tripoli, realizado por militantes leais ao Estado Islâmico, levou analistas a alertar para o alcance do grupo no norte da África.

Mas, ao mesmo tempo, o Estado Islâmico perdeu uma importante batalha na cidade síria de Kobane, retomada por forças curdas na semana passada com ajuda dos Estados Unidos.

Durante vários meses, Kobane havia se tornado um ponto-chave na batalha: a região foi alvo de grande parte dos ataques aéreos americanos contra o EI.

Recrutamento

A violência, as decapitações e as ameaças do "Estado Islâmico" têm o claro objetivo de chocar a opinião pública global e enviar uma forte mensagem política a Washington. No caso de Kasasbeh, a mensagem também teve natureza militar pois, diferentemente da maioria dos reféns decapitados - em sua maioria civis -, o piloto participou de operações da coalizão.

O Estado Islâmico também tem uma força considerável nos países onde atua. Algumas estimativas sugerem que controla um terço do Iraque e da Síria, além de ter grupos fiéis em países como a Líbia.

"Não conseguimos expulsá-los de partes significativas de território", disse à BBC Thomas Sanderson, co-diretor do projeto de ameaças transnacionais do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS, na sigla em Inglês), em Washington.

Sanderson diz que houve um aumento no número de combatentes estrangeiros ligados ao grupo: de 15 mil há alguns meses para 19 mil.

Kayla Mueller, refém norte-americana do Estado Islâmico, morreu na terça-feira (10 de fevereiro); segundo o grupo terrorista ela teria sido vítima de um bombardeio da Jordânia na Síria . Foto: APEstado Islâmico divulga vídeo onde suposto piloto jordaniano é queimado vivo em gaiola, no dia 3 de fevereiro. Foto: Reprodução/TwitterO jornalista japonês Kenji Goto foi morto pelos extremistas do Estado Islâmico no dia 30 de janeiro. Ele havia viajado para a Síria visando libertar o refém Yukawa. Foto: APImagem obtida por meio de vídeo do Estado Islâmico mostra o japonês Haruna Yukawa (à dir.), que foi decapitado em 24 de janeiro. Ele foi à Síria por ser fascinado por guerras. Foto: APO americano Peter Kassig foi identificado como o homem decapitado pelo Estado Islâmico em 16 de novembro de 2014. Ele era voluntário na Síria. Foto: ReutersNo dia 3 e outubro de 2014, o voluntário inglês Alan Henning foi decapitado pelos terroristas do Estado Islâmico. Foto: Reprodução/YoutubeVídeo mostra decapitação do refém britânico David Haines, que era voluntário na Síria e foi morto em 13 de setembro de 2014. Foto: ReutersImagem feita a partir de vídeo postado na internet pelo Estado Islâmico mostra jornalista americano Steven J. Sotloff antes de ser decapitado, no dia 2 de setembro de 2014. Foto: APInsurgentes do grupo jihadista Estado Islâmico divulgaram a decapitação do jornalista americano James Foley em 19 de agosto de 2014. Foto: Reprodução/Youtube

"O fluxo de combatentes estrangeiros provenientes do mundo árabe e de outras áreas é uma prova da força da contranarrativa do 'Estado Islâmico' e sua capacidade de converter soldados em máquinas de morte leais, prontos para dar a vida pelo grupo", disse à BBC Fawaz Gerges, professor da London School of Economics and Policial Science (LSE) de Londres.

Guerra de longo prazo

O governo americano reconheceu na terça-feira que o "Estado Islâmico" tem grande "habilidade" para recrutar e admitiu que este será um problema de longo prazo para a guerra.

"Nós sabemos que eles são capazes de convocar mais pessoas para lutar", disse o secretário de imprensa do Pentágono, almirante John Kirby.

Mas isso não significa, necessariamente, que o grupo jihadista esteja vencendo a guerra. Na verdade, os EUA acreditam terem avançado consideravelmente desde o início das operações no ano passado.

Em seu recente discurso sobre o Estado da União, no Congresso, o presidente Barack Obama disse que seu país está impedindo o avanço da milícia através da coalizão aérea militar e do apoio à oposição moderada na Síria.

Autoridades americanas também ficaram satisfeitos com a retomada do controle de 90% do Kobani.

O Comando Central do Exército, que lidera as operações no Iraque e na Síria, disse que, embora a guerra esteja longe de terminar, a derrota do "Estado Islâmico" em Kobani mostra que o grupo abriu mão de um de seus objetivos estratégicos, e teve sua capacidade deles afetada.

"A tenacidade das forças contra o 'Estado Islâmico', bem como os ataques aéreos da coalizão, têm degradado a capacidade do grupo para comandar e controlar forças; recrutar, treinar e reter combatentes; obter receitas provenientes da venda de petróleo; e manter sua moral", disse o comunicado.

Mas eles também acreditam que, sete meses depois do início da ofensiva, ainda falta muito para vencer o grupo. Kirby disse na semana passada que a guerra pode durar entre três e cinco anos.

"No campo de batalha não há claramente nenhum vencedor nem ganhador", avalia Jonah Blank, analista da Rand Corporation, um centro de estudos com sede na Califórnia.

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