Manchas de óleo e objetos são vistos durante buscas pelo avião da AirAsia

Por AP | - Atualizada às

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Autoridades responsáveis pelo resgate dizem que é cedo para dizer que as manchas e os objetos observados são de fato evidências do incidente com o voo 8501

AP

Um helicóptero da Indonésia encontrou duas manchas oleosas na área de busca do avião da AirAsia nesta segunda-feira (29), após serem retomadas as buscas. Em centenas de quilômetros de distância do local, um avião de pesquisa australiano avistou objetos boiando no mar, mas é muito cedo para saber se estão conectados com o desparecimento das 162 pessoas que estavam a bordo.

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De qualquer forma, as autoridades veem pouca razão para acreditar que o voo 8501 conheceu algo além de um destino sombrio depois que desapareceu do radar no domingo de manhã (noite de sábado no Brasil) sobre o mar de Java.

"Com base nas coordenadas que temos, a avaliação é que qualquer posição estimada do acidente está no mar, e a hipótese é que o avião está no fundo do mar," disse o chefe de resgate da Indonésia Henry Bambang Soelistyo.

Técnico inspeciona avião da AirAsia antes de decolagem no Aeroporto Internacional Soekarno Hatta, em Jacarta, na Indonésia. Foto: Getty Images/Oscar SiagianTony Fernandes, CEO da AirAsia, durante coletiva de imprensa em Surabaya, na Indonésia. Foto: Getty Images/Oscar SiagianA AirAsia criou um centro de crise no aeroporto de Surabaya, de onde saiu o avião do voo 8501. Foto: APA AirAsia criou um centro de crise no aeroporto de Surabaya, de onde saiu o avião do voo 8501, para atender os parentes dos passageiros. Foto: AP Photo/TrisnadiFamiliares dos passageiros do AirAsia QZ8501 clamam por notícia durante uma reunião com funcionários do centro de crise no aeroporto internacional Djuanda. Foto: Oscar Siagian/Getty ImagesAutoridades responsáveis pelas buscas da aeronave do voo 8501 da AirAsia suspenderam as atividades em razão do mau tempo e do começo da noite na Indonésia. Foto: Oscar Siagian/Getty ImagesSunu Widyatmoko, CEO da AirAsia, fala a imprensa no aeroporto Djuanda Internacional, em Surabaya, na Indonésia. Foto: Oscar Siagian/Getty ImagesParente dos passageiros do voo AirAsia QZ8501 chora enquanto espera notícias do avião desaparecido no aeroporto de Surabaya. Foto: AP Photo/TrisnadiJornalistas tentam entrevistar familiares dos passageiros do voo 8501 da AirAsia no aeroporto de Cingapura. Foto: AP Photo/Xinhua, Then Chih WeyFamiliares aguardam notícias sobre destino do voo da AirAsia, que desapareceu neste sábado (27). Foto: AP Photo/TrisnadiFamiliares conferem lista com nomes dos tripulantes e passageiros do voo da AirAsia desaparecido. Foto: AP Photo/TrisnadiPassageiros e tripulação somam 162 pessoas no voo da AirAsia. Foto: AP Photo/Wong Maye-EFamiliar observa toten da AirAsia que informa sobre voo desaparecido. Foto: AP Photo/Wong Maye-EFamiliares e amigos de passageiros e tripulantes aguardam informações no Aeroporto de Cingapura. Foto: AP Photo/Wong Maye-EAirAsia nunca havia perdido aeronaves, mas região foi cenário de desastre aéreo em março. Foto: Reuters/BBCPiloto da Air Asia pediu para usar rota pouco usual logo antes de perder contato. Foto: Reuters/BBCDois aviões fazem buscas aos Airbus 320 da AirAsia. Foto: Divulgação

O Airbus A320-200 desapareceu na manhã de domingo (28) do espaço aéreo após encontrar nuvens de tempestade ao sair de Surabaya, na Indonésia, para Cingapura, seu destino final.

Após a retomada e a expansão das buscas nesta segunda-feira (29), o comandante da Força Aérea com base em Jacarta Rear Marshal Dwi Putranto disse que uma aeronave Orion de origem australiana tinha detectado objetos "suspeitos" perto de ilha Nangka, cerca de 160 km a sudoeste de Pangkalan Bun, perto do centro de Kalimantan, ou 1.120 km do local onde o avião perdeu o contato.

"No entanto, não podemos ter certeza se esses objetos são do AirAsia desaparecido", disse Putranto. "Estamos agora avançando nessa direção, que está em condições de nebulosidade."

O porta-voz da Força Aérea Rear Marshal Hadi Tjahnanto disse a MetroTV que um helicóptero da Indonésia viu duas manchas oleosas no leste da ilha Belitung, no Mar de Java. E, ao contrário da descoberta da Austrália, as manchas oleosas estavam dentro da área de busca pela aeronave, que se estende 60 quilômetros ao redor do ponto onde os controladores de tráfego aéreo perderam contato com o avião.

A última comunicação da cabine de comando para controle de tráfego aéreo foi um pedido dos pilotos para aumentar a altitude de 32.000 pés (9.754 metros) a 38.000 pés (11.582 metros) por causa do mau tempo. O controle de tráfego aéreo não foi capaz de atender imediatamente o pedido porque outro avião estava em espaço aéreo a 34 mil pés, disse Bambang Tjahjono, diretor da empresa estatal responsável pelo controle de tráfego aéreo.

O bimotor, avião de corredor único, que nunca enviou um sinal de socorro, foi visto pela última vez no radar quatro minutos após a última comunicação da cabine de comando.

O oficial Sigit Setiayana, comandante centro de aviação naval da força aérea de Surabaya, disse que 12 navios da Marinha, cinco aviões, três helicópteros e um sem número de navios de guerra estão trabalhando nas buscas, junto de navios e aviões da Cingapura e da Malásia. A Força Aérea da Austrália também enviou um avião de buscas.

Os funcionários encarregados da tarefa tiveram que lidar com uma chuva pesada no domingo (28), mas Setiayana disse nesta segunda-feira (29) que a visibilidade era boa. "Se Deus quiser, vamos encontrá-lo em breve", afirmou.

Terceiro acidente na Malásia em um ano

O desaparecimento do avião e suspeita de acidente reforçam um ano incrivelmente trágico para o transporte aéreo no Sudeste da Ásia, e da Malásia, em particular. A perda da AirAsia, empresa baseada na Malásia, ocorre meses após o desaparecimento ainda inexplicável do voo 370 da Malaysia Airlines, sumido em março, com 239 pessoas a bordo, e também após a derrubada do voo 17 do Malaysia Airlines, em julho, sobre a Ucrânia, matando todos os 298 passageiros e tripulantes.

"Até hoje, nunca perdemos uma vida", disse o CEO do grupo AirAsia Tony Fernandes, que fundou a companhia de baixo custo, em 2001. "Mas eu acho que qualquer CEO de companhia aérea que diga que pode garantir que sua companhia aérea é 100% segura não está sendo preciso."

A aeronave desaparecida foi entregue a AirAsia em outubro de 2008, e já tinha acumulado cerca de 23 mil horas de voo durante mais de 13 mil voos segundo comunicado da Airbus. O avião havia passado por manutenção em 16 de novembro de acordo com a AirAsia.

A companhia aérea tem dominado as viagens de baixo orçamento no sudeste da Ásia há anos com o slogan: "Agora todo mundo pode voar." A companhia voa rotas curtas de apenas algumas horas, conectando grandes cidades da região. Recentemente, a empresa começou a expandir em longa distância voando através companhia aérea AirAsia X, sua coirmã.

A família de jatos A320, que inclui o A319 e A321, tem um bom histórico de segurança, com apenas 0,14 acidentes mortais por milhão de decolagens segundo estudo publicado pela Boeing em agosto.

“Papai, volte para a casa”

Quase todos os passageiros e tripulantes são indonésios e visitantes frequentes de Cingapura, especialmente em feriados.

O avião tinha um capitão indonésio, Iryanto, que usa um nome, e um copiloto francês, cinco tripulantes e 155 passageiros, incluindo 16 crianças e um bebê, disse a companhia aérea em comunicado. Entre os passageiros estavam três sul-coreanos, um malaio, um cidadão britânico e sua filha de dois anos de idade, natural de Cingapura. O resto era indonésio.

O voo 8501 decolou no domingo de manhã a partir de Surabaya, a segunda maior cidade da Indonésia, e percorreu cerca de meio caminho para Cingapura quando desapareceu do radar. A aeronovae estava no ar por cerca de 40 minutos.

A AirAsia disse ainda que o capitão tinha mais de 20 mil horas de voo, das quais 6.100 foram completadas na AirAsia com Airbus 320. O copiloto tinha 2.275 horas de voo.

"Papai, venha para casa, eu ainda preciso de você", escreveu Angela anggi Ranastianis, de 22 anos, filha do capitão em uma rede social. A declaração foi amplamente citada pelos meios de comunicação indonésios. "Tragam de volta o meu pai. Papai, por favor, volte para casa."

Na casa de Iryanto, na cidade de Sidoarjo, vizinhos, parentes e amigos se reuniram nesta segunda-feira (29) para rezar e recitar o Alcorão. Seus gritos desesperados eram tão altos que às vezes podiam ser ouvidos do lado de fora, onde três TVs foram colocadas para que as pessoas pudessem acompanhar a evolução das buscas.

"Ele é um homem bom. É por isso que as pessoas aqui o nomearam como chefe do bairro nos últimos dois anos", disse Bagianto Djoyonegoro, um amigo e vizinho. Muitos se lembram dele como um piloto experiente da Força Aérea que voou jatos de combate F-16 antes de se tornar um piloto de linha aérea comercial.

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