Ex-ministro da Educação é detido após criticar golpe de Estado na Tailândia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Chaturon Chaisang desafiou a repressão e criticou o Exército publicamente; para ele, conflitos devem piorar com a censura

Tropas armadas prenderam o ex-ministro da Educação da Tailândia Chaturon Chaisang nesta terça-feira (27) após ele desafiar a repressão e condenar, publicamente, o golpe militar.

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AP
O ex-ministro da Educação tailandês Chaturon Chaisang é levado por soldados após coletiva em Bangcoc, Tailândia


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Após pronunciamento surpresa do ministro em uma coletiva realizada no Clube dos Correspondentes Estrangeiros da Tailândia, cerca de meia dúzia de soldados o levaram sob custódia em uma cena caótica. Durante seu discurso, Chaisang convocou eleições gerais e advertiu que a resistência à derrubada do exército poderia crescer, o que levaria a "um desastre para o país."

"O golpe de Estado não é uma solução para os problemas ou conflitos na sociedade tailandesa, mas fará com que os conflitos piorem ainda mais", disse Chaisang no meio de seu discurso.

Quando a entrevista coletiva foi concluída e Chaturon estava sendo entrevistado por um grupo de jornalistas tailandeses quando os soldados entraram na sala, o cercaram e levaram-no em meio a uma multidão de repórteres. O ex-ministro estava calmo e sorridente quando foi retirado da sala.

Antes de ser empurrado para dentro de um elevador, ele disse "Eu não tenho medo. Se eu estivesse com medo não estaria aqui."

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O golpe militar, o segundo em oito anos, depôs um governo eleito que havia resistido meses sob a frágil democracia tailandesa sob ataque de manifestantes, dos tribunais e, finalmente, do exército. Os militares que tomaram o poder detêm boa parte dos políticos eleitos do país do sudeste asiático e ordenou o restante deles a se renderem.

Chefe do Exército, o general Prayuth Chan-ocha, cujo golpe foi endossado pelo rei na segunda (26), advertiu adversários a não criticarem ou protestarem, dizendo que a Tailândia poderia voltar aos "velhos tempos" de tumulto e violência para reprimir as reivindicações populares. Ainda assim, centenas de pessoas se reuniram nesta terça em torno do Monumento da Vitória em Bangcoc para protestar contra o golpe.

Veja fotos dos protestos na Tailândia

Soldado faz ronda em Bangcoc para impedir protestos na Tailândia (20/05). Foto: APSoldados tailandeses são refletidos em um espelho enquanto guardam sede da polícia tailandesa em Bangcoc (20/05). Foto: APTailandesas fazem 'selfie' enquanto soldados do Exército rondam Bangcoc (20/05). Foto: APManifestante ergue bandeira enquanto passa pela polícia de choque da Tailândia em meio a protestos (maio/2014). Foto: APAcampamento de manifestantes é ataco em Bangcoc, Tailândia (maio/2014). Foto: APAtivistas anti-governo esperam até que o líder Suthep Thaugsuban saia do prédio do parlamento para discursar em Bangcoc, Tailândia (9/05). Foto: ReutersPolicial tailandês ferido recebe ajuda de seus companheiros após a explosão de uma bomba durante manifestações anti-governo, em Bangcoc (18/02). Foto: APManifestante antigoverno fica de prontidão durante pronunciamento de líder opositor Suthep Thaugsuban em Bangcoc, Tailândia (21/03). Foto: APPassageiros de ônibus observam figura de tamanho humano que imita policial na intersecção do monumento da vitória, onde manifestantes protestaram em Bangcoc, Tailândia. Foto: APHomem é visto com rifle escondido em meio a protesto na capital da Tailândia, marcado por tiros e explosões (1/02). Foto: Nir Elias/ReutersManifestante de oposição pintado nas cores nacionais da Tailândia atira pedras contra a polícia neste domingo (12/2013). Foto: ReutersManifestantes querem derrubar primeira-ministra Yingluck Shinawatra (12/2013). Foto: APPremiê anuncia dissolução do Parlamento e convoca eleições após 15 dias de protestos (12/2013). Foto: ReutersManifestante antigoverno (C) é detido por tropa de choque durante confrontos em estádio em Bangcoc, Tailândia (12/2013). Foto: APDurante apitaço, manifestantes ofereceram rosas aos policiais em Bangcoc (12/2013). Foto: APTailandeses bloqueiam entrado do Ministério das Finanças, em Bangcoc (12/2013). Foto: AP

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Apesar da turbulência política que deixou o governo eleito em frangalhos, a vida continua normal em grande parte do país. Os turistas ainda relaxam em resorts de praia exóticos e passeiam por templos budistas deslumbrantes. Em outras regiões, porém, reservas de hotel estão sendo canceladas e a cantora e compositora americana Taylor Swift cancelou um show com ingressos esgotados que tinha sido programado para o dia 9 de junho.

"Mando todo o meu amor aos fãs da Tailândia", Taylor twittou. "Estou muito triste com o cancelamento do show."

Até agora, 258 pessoas foram denunciadas às autoridades. Entre eles estão os estudiosos, jornalistas e ativistas políticos vistos como críticos ao regime. Prayuth disse que eles precisam de um tempo "para se acalmarem". Mas ainda não está claro quantas estão sob custódia dos militares. Alguns, porém, foram soltos, incluindo a primeira-ministra deposta Yingluck Shinawatra.

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Outros estão sendo detidos diariamente. Grupos de direitos humanos descreveram uma atmosfera arrepiante no país, com pessoas em esconderijos, outras fugindo e soldados 'visitando' as casas dos críticos e tirando-os de lá durante a noite.

Os repórteres dos jornais Thairath e Bangkok Post haviam consultado o líder da junta sobre quando e se ele iria nomear um primeiro-ministro e organizar eleições nacionais. Prayuth não deu respostas definitivas e se afastou de repente. Na ocasião, esses repórteres não foram detidos.

“Quero dizer que agora, ele [Prayuth] não é mais apenas o chefe do Exército, mas o líder que governa o país", disse o major-general Ponlapat Wannapak, secretário do Exército Real Tailandês. "Não é apropriado se referir a ele de maneira tão agressiva."

Sobre as prisões, o ex-ministro da Educação as chamou de "absurdas" e disse que "eles estão levando as pessoas que não fizeram nada de errado, apenas resistiram ao golpe."

"O problema é que não sabemos por quanto tempo eles vão ficar presos", disse ele. "Nós não sabemos o que aconteceu com eles. Nós realmente não sabemos."

Chaisang descartou a especulação de que os membros do governo deposto e seus aliados poderiam formar um governo no exílio. Mas ele alertou que "a partir de agora, haverá mais e mais resistência. Vai ser um desastre para o país". Ele não deu mais detalhes sobre essa declaração.

*Com AP

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