Parlamento reduz poderes de presidente, vota para libertar sua rival e aprova anistia, mas alguns ainda exigem renúncia de líder

Em um dia de mudanças rápidas com o objetivo de remodelar o destino político da Ucrânia, líderes dos protestos e um presidente contestado concordaram nesta sexta-feira em formar um novo governo e em realizar eleições antecipadas . O Parlamento reduziu os poderes do presidente Viktor Yanukovych e votou para libertar sua rival, a ex-premiê Yulia Tymoshenko , da prisão.

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Legisladores ucranianos celebram depois de aprovar novas leis no Parlamento em Kiev (21/2)
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Legisladores ucranianos celebram depois de aprovar novas leis no Parlamento em Kiev (21/2)

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Foi uma mudança crucial em um impasse de meses na Ucrânia entre Yanukovych e manifestantes irritados com o fato de que ele abandonou vínculos mais próximos com a Europa em favor de um acordo de resgate com a Rússia .

Se der certo, o ambicioso acordo mediado pela Europa poderia ser um grande avanço na crise sobre a identidade da Ucrânia. O impasse piorou drasticamente neste semana, deixando dezenas de mortos e centenas de feridos na pior violência a atingir o país desde sua independência da União Soviética, em 1991.

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Mas nem todos os lados aceitaram o acordo. Um mediador russo se recusou a assiná-lo, e um graduado legislador russo o criticou como tendo sido elaborado pelo Ocidente. E, no amplo acampamento de protesto no centro de Kiev, a raiva reverberou entre os milhares reunidos na noite desta sexta. Manifestantes endurecidos pela violência policial disseram estar determinados a manter suas posições até que Yanukovych renuncie.

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Os manifestantes vaiaram as figuras da oposição que subiram em um palco na noite desta sexta para apresentar o acordo. Um orador radical ameaçou lançar uma ofensiva armada se a oposição não reivindicar a renúncia do presidente até a manhã de sábado. Outros começaram a gritar "Morte ao criminoso", referindo-se a Yanukovych.

O acordo assinado nesta sexta pede que eleições presidenciais previstas para março de 2015 sejam realizadas até dezembro. Muitos manifestantes dizem que dezembro é muito tarde; eles querem Yanukovych fora imediatamente.

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Os EUA, a Rússia e os 28 países da União Europeia (UE) estão profundamente preocupados com o futuro da Ucrânia, uma nação dividida de 46 milhões de habitantes. As regiões ocidentais do país querem mais proximidade com a UE e rejeitam a autoridade de Yanukovych em muitas cidades, enquanto a Ucrânia do leste favorece laços mais próximo com a Rússia.

Horas depois de o acordo ser assinado, o Parlamento ucraniano votou para restaurar a Constituição de 2004, que limita a autoridade presidencial, revogando alguns dos poderes que Yanukovych se outorgou depois de ser eleito, em 2010.

O Parlamento então votou para destituir o ministro do Interior Vitali Zakharchenko, que é amplamente desprezado e responsabilizado por ordenar a violência policial, incluindo os franco-atiradores que mataram vários manifestantes na quinta em Kiev, a capital que ficou quase paralisada pelas manifestações.

Homem carrega foto de manifestante morto em confrontos com a polícia durante processão funerária em Kiev, Ucrânia (21/2)
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Homem carrega foto de manifestante morto em confrontos com a polícia durante processão funerária em Kiev, Ucrânia (21/2)

O próximo passou foi Tymoshenko. Os legisladores votaram para descriminalizar a acusação sob a qual ela foi aprisionada, significando que ela não é mais culpada de uma ofensa penal. Entretanto, Yanukovych ainda tem de sancionar essa medida em lei, e então os advogados da ex-premiê terão de pedir à corte para libertá-la da prisão na cidade oriental de Kharkiv.

A carismática heroína de cabelos loiros da Revolução Laranja de 2004 — que também tirou Yanukovych da presidência —, Tymoshenko serviu como premiê e perdeu por pouco a eleição presidencial de 2010 para Yanukovych. No ano seguinte, ela foi presa e sentenciada a sete anos por abuso de poder, algo que o Ocidente denunciou como vingança política.

Com os partidários de Yanukovych deixando seu partido um depois do outro durante esta sexta, os legisladores também aprovaram uma anistia para os manifestantes envolvidos na violência. As autoridades ucranianas agora nomearão um novo governo de unidade que inclui importantes figuras da oposição dentro de dez dias.

O acordo é resultado de dois dias inteiros de diplomacia da Alemanha, França e Polônia, que conversaram com o presidente e a oposição. Mas nenhum dos lados conquistou todos os pontos que buscava, e algumas condições vagas poderiam desatar fortes disputas pelo caminho de sua implementação.

Manifestantes antigoverno gritam 'Glória à Ucrânia' enquanto constroem barricada na Praça da Independência em Kiev (21/2)
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Manifestantes antigoverno gritam 'Glória à Ucrânia' enquanto constroem barricada na Praça da Independência em Kiev (21/2)

O acordo pede que os manifestantes entreguem todas as suas armas, retirem-se dos prédios que ocuparam e desmontem os acampamentos que ergueram em todo o país. Mas não está claro se os milhares de manifestantes acampados na Praça da Independência (Maidan), em Kiev, farão as malas e voltarão para suas casas. "Renuncie! Renuncie! Renuncie!", gritaram.

O pacto não estabelece um prazo para que eles deixem o acampamento, e muitos manifestantes provavelmente sairão do local lentamente pela desconfiança de que o acordo seja realmente implementado.

*Com AP

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