Conselho ancião ordena estupro coletivo de indiana por paixão proibida

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Apaixonada por homem de outra religião, jovem foi punida por não pagar multa de US$ 400; 13 homens foram presos

AP
Homem caminha em frente de cartaz de revista que se refere a estupro coletivo que aconteceu em Nova Délhi há um ano: 'Mulheres ainda não estão seguras', diz capa (22/1)

Uma indiana de 20 anos sofreu um estupro coletivo sob as ordens de anciãos do conselho de uma vila porque ela se apaixonou um homem de outra religião, disse a política nesta quinta-feira.

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Na noite de segunda-feira, a polícia prendeu 13 homens. A mulher, que foi hospitalizada nesta quinta-feira em estado grave, relatou que perdeu a conta de quantos homens a estupraram. Imagens de TV mostraram a mulher, o rosto coberto por cicatrizes, sendo levada para um hospital com um tubo de soro no braço.

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De acordo com a polícia, o conselho da vila de Subalpur ordenou que a mulher pagasse uma multa de US$ 400 quando seu relacionamento com o homem foi descoberto. Mas, quando sua família disse que era muito pobre para pagar, o conselho ordenou o estupro coletivo. A polícia não revelou as religiões do casal.

Uma série de estupros de forte repercussão na Índia durante o ano passado desatou um ultraje em relação à crônica violência sexual e ao fracasso do governo em proteger as mulheres.

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O caso de Bengala Ocidental é particularmente perturbador porque supostamente foi ordenado por um conselho composto por anciãos de uma vila. Tais conselhos não têm suas decisões como legalmente obrigatórias na Índia, mas são vistos como a vontade das comunidades locais. Os conselhos tomam decisões relativas às normas sociais na vila e, em alguns casos, ditam a forma como as mulheres se vestem ou com quem se casam. Aqueles que desrespeitam os conselhos arriscar ser marginalizados.

Subalpur fica a cerca de 180 km a norte de Kolkata, a capital de Bengala Ocidental.

Há quatro anos, um conselho de uma vila no distrito de Birbhum ordenou que uma jovem desfilasse nua após ter sido acusada de se apaixonar por um homem de uma outra casta.

Em outubro, uma adolescente sofreu um estupro coletivo por dois dias consecutivos no subúrbio de Kolkata. Mais tarde ela foi queimada por ter se recusado a retirar uma queixa policial contra os homens que a estupraram. Sua morte em um hospital no mês passado levou a vários protestos na cidade.

No início deste mês, uma turista dinamarquesa sofreu um estupro coletivo em Nova Délhi depois que parou para pedir instruções a um grupo de homens sobre como voltar a seu hotel.

A Suprema Corte da Índia emitiu no passado opiniões condenando os conselhos como órgãos ilegais. Várias organizações legais agora pressionam o Parlamento a aprovar uma lei abrangente que tornaria os decretos de conselhos locais ilegais.

*Com AP

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