A maldição da família Kennedy

Por Luciana Alvarez - especial para o iG |

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Rico e influente, o clã mais popular dos EUA tem trajetória marcada por tragédias, doenças e acusações criminais; veja detalhes em árvore genealógica dos 'amaldiçoados'

Uma família rica, influente, mas amaldiçoada. É assim que muitos americanos veem o clã dos Kennedy, marcado por uma série de tragédias e mortes precoces desde os anos 1940.

Além de Jonh F. Kennedy, assassinado aos 46 anos durante um desfile em carro aberto em Dallas há 50 anos, quando era presidente dos EUA, outros sete membros da família tiveram mortes prematuras e trágicas, além de seis casos de acidentes, doenças e envolvimento com drogas.

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Dos quatro filhos homens do casal Joseph Patrick e Rose Fitzgerald Kennedy, os pais de JFK, apenas um chegou à velhice e teve uma morte natural: Edward Kennedy, que faleceu de câncer em 2009, aos 77 anos. Ainda assim, escapou por pouco da “maldição”. Em 1969, Ted, como era conhecido, sobreviveu a um grave acidente quando o carro que ele dirigia na volta de uma festa em Massachusetts caiu de uma ponte. Uma de suas funcionárias, que viajava com ele, acabou morrendo.

Mas não há dúvidas de que Ted, eleito por sete vezes senador dos EUA, pode ser considerado o mais sortudo dos irmãos. O mais velho deles, Joseph P. Kennedy Junior, morreu em um acidente aéreo em 1944, aos 29 anos, quando era piloto durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Em 1968, Robert F. Kennedy foi o terceiro irmão a morrer tragicamente. Então com 42 anos, ele foi assassinado em Los Angeles depois de vencer a primária presidencial do Partido Democrata na Califórnia. Foi o fim do sonho do patriarca Joseph de ver mais uma vez um Kennedy na presidência americana.

Duas das cinco filhas do casal Joseph e Rose também teriam sido vítimas da dita maldição. Kathleen Kennedy morreu em 1948, aos 28 anos, em um acidente de avião. Rosemary viveu mais, mas tampouco teve boa fortuna: tendo nascido com algum tipo de problema mental – até hoje há muita controvérsia sobre qual era sua real condição – ela foi submetida a uma lobotomia mal sucedida em 1941 e passou o restante da vida internada em uma instituição, até morrer em 2005, aos 87 anos.

Segunda geração

A suposta maldição também chegou à geração seguinte, dos netos de Joseph e Rose, a começar pelos próprios filhos de JKF. Patrick Bouvier Kennedy, que seria o segundo herdeiro homem de JFK, nasceu prematuro e logo morreu, três meses antes de seu pai ser assassinado. O primogênito, JFK Junior, morreu em 1999 junto com a esposa, em um acidente com o monomotor que ele pilotava. Ne época tinha 39 anos.

A morte prematura veio ainda para dois dos 11 filhos de Robert F. Kennedy. Em 1984, David Kennedy, o quarto mais velho dos irmãos, morreu aos 28 anos de overdose, na semana da Páscoa, em um quarto de hotel. Em 1997, Michael Kennedy, o sexto filho de Robert, morreu aos 39 anos após um acidente enquanto esquiava em Aspen, Colorado.

Assim como seu pai Ted, Edward Kennedy Junior parece ter recebido uma fração mais leve da “maldição”. Em 1973, teve a perna amputada por causa de um câncer no osso, mas sobreviveu.

Para outros membros do clã Kennedy, a suposta maldição nem deixou danos físicos, mas apenas arranhões em suas reputações. Em 1973, Joseph Kennedy, o primogênito de Robert F. Kennedy, se envolveu em um acidente de carro que deixou sua acompanhante paralisada; ele foi condenado por direção imprudente. Em 1986, Patrick Kennedy, filho adolescente de Ted Kennedy, foi internado em uma clínica de recuperação para viciados em drogas por causa do uso de cocaína. Em 1991, William Kennedy Smith, filho de Jean Kennedy, a irmã mais nova de JFK, foi acusado de estupro, mas acabou absolvido.

Por incluir grande número de acidentes em situações perigosas, muitos críticos alegam que não há nada de maldição sobre a família, mas sim uma grande dose de arrogância e gosto pelo perigo, sobretudo entre os homens de sobrenome Kennedy. Autor do livro "Kennedy’s Curse" (Maldição dos Kennedy, em tradução livre), Edward Klein, concorda com essa visão. “A maldição dos Kennedy é resultado de uma destrutiva colisão entre a fantasia de onipotência e a dura realidade da vida”, disse ele em sua obra.

O iG apresenta essa semana um especial com repórtagens e infográficos sobre os 50 anos do assassinato de John F. Kennedy. Na quinta-feira (21), saiba como a morte do presidente modificou o esquema de segurança dos líderes dos EUA

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