'DOI-Codi e embaixada são tão distantes quanto céu e inferno', diz Dilma

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Declaração de presidente é resposta a diplomata que comparou representação brasileira a órgão da ditadura

Demonstrando irritação com o episódio da entrada do senador boliviano Roger Pinto Molina no Brasil, a presidente Dilma Rousseff fez questão de dar uma declaração à imprensa para destacar a sua preocupação com a segurança do senador. Dilma também aproveitou a conversa com jornalistas para distinguir a situação de confinamento do senador na Embaixada do Brasil em La Paz da realidade de presos políticos no Brasil durante a ditadura militar.

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Alan Sampaio / iG Brasília
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"Não há nenhuma similaridade. E eu estive no DOI-Codi. Eu sei o que é o DOI-Codi. E asseguro a vocês: é tão distante o DOI-Codi da embaixada brasileira lá em La Paz, como é distante o céu do inferno. Literalmente, isso", disse Dilma, irritada, questionando um dos principais argumentos usados pelo encarregado de negócios do Brasil em La Paz, Eduardo Saboia, que assumiu a responsabilidade pela operação que trouxe Pinto Molina ao Brasil no sábado.

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A presidente afirmou que o Brasil "jamais" poderia aceitar em momento algum sem salvo-conduto do governo da Bolívia trazer Molina para o Brasil. "Não poderia colocar em risco a vida de uma pessoa que estava sob sua guarda", disse.

Dilma reagiu também dizendo que a embaixada brasileira é "extremamente confortável" e ressaltou que o governo brasileiro tentou negociar em "vários momentos" o salvo-conduto de Molina. "E não conseguimos", observou.

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"Lamento profundamente que um asilado brasileiro tenha sido submetido à insegurança que este foi. Porque um Estado democrático e civilizado, a primeira coisa que faz, é proteger a vida, sem qualquer outra consideração. Protegemos a vida, a segurança e garantimos o conforto ao asilado", ponderou a presidente.

"Se nada aconteceu (com o senador na fuga) não é a questão, poderia ter acontecido", declarou a presidente, acrescentando: "Um governo não negocia vidas, um governo age para proteger a vida. Não estamos em situação de exceção."

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O mal-estar diplomático desencadeado pela fuga do senador ao Brasil, supostamente sem conhecimento do Ministério de Relações Exteriores (Itamaraty), causou a saída do chanceler Antonio Patriota do governo na segunda.

Esclarecimentos de Amorim

Dilma também disse nesta terça que o ministro da Defesa, Celso Amorim, prestaria esclarecimentos sobre a fuga do senador. Dois fuzileiros navais fizeram a escolta dos carros oficiais da embaixada usados no deslocamento do senador boliviano até a fronteira com o Brasil.

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Dilma evitou responder se Amorim seria responsabilizado da mesma forma que Patriota. "O ministro Celso Amorim vai esclarecer hoje, ao longo do dia, devidamente, a questão que envolveu os dois fuzileiros navais", afirmou.

Em nota divulgada posteriormente às declarações de Dilma, o Ministério da Defesa disse em nota que nenhuma de suas autoridades foi consultada ou tomou conhecimento da presença do senador boliviano no grupo que viajou ao Brasil. Segundo o órgão, os dois fuzileiros navais acompanharam a jornada para proteger exclusivamente Saboia.

A queda de Patriota tornou-se inevitável após a irritação no Palácio do Planalto com a fuga do opositor de Evo Morales. Diante do que qualificou de "gravíssimo episódio", Dilma decidiu imediatamente afastar o chanceler, tentando demonstrar ao próprio Evo sua indignação com o caso.

Sindicância

A Corregedoria do Itamaraty instituiu nesta terça-feira, 27, comissão de sindicância para apurar os fatos relacionados à saída da Embaixada do Brasil em La Paz e sua entrada em território brasileiro.

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A comissão será presidida pelo assessor especial do ministro da Controladoria-Geral da União, o auditor fiscal da Receita Federal Dionísio Carvalhedo Barbosa, e será integrada ainda pelos embaixadores Clemente de Lima Baena Soares e Glivânia Maria de Oliveira.

*Com informações da Agência Estado

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