Paquistanesa baleada pelo Taleban comemora 16 anos com discurso na ONU

Por iG São Paulo |

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Para uma plateia de mil jovens, Malala Yousafzai defende direito à educação: 'Livros são nossas melhores armas'

Malala Yousafzai, a adolescente paquistanesa que foi baleada pelo Taleban por promover educação para meninas, celebrou seu aniversário de 16 anos nesta sexta-feira (12) reivindicando, durante seu primeiro discurso público desde o ataque, que as potências mundiais forneçam educação compulsória para todas as crianças.

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AP
Secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e outras autoridades cantam 'Parabéns a Você' para Malala Yousafzai na sede das Nações Unidas

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Em um discurso apaixonado proferido do palanque na ONU para mais de mil jovens líderes de 100 países diferentes, Malala convocou uma "luta global contra o analfabetismo, a pobreza e o terrorismo". "Vamos pegar nossos livros e canetas. Eles são nossas armas mais poderosas", disse. "Uma criança, um professor, um livro e uma caneta podem mudar o mundo. Educação é a única solução. Educação em primeiro lugar."

Malala, que usava uma tradicional vestimenta paquistanesa e um xale que, segundo ela, pertencia à primeira-ministra assassinada do país Benazir Bhutto, começou seu discurso com uma oração muçulmana.

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Ela caracterizou a si mesma apenas como uma das centenas de vítimas do Taleban e disse que a bala que entrou pelo lado esquerdo de sua testa em outubro do ano passado, que os extremistas pensaram que iria silenciá-la, não diminuiu sua ambição de promover a paz, a educação e a prosperidade.

Malala invocou Mahatma Ghandi e outros defensores da não violência destacando que "eu não estou contra a ninguém, nem estou aqui para falar em termos de vingança pessoal contra o Taleban ou contra quaisquer grupos terroristas".

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"Estou aqui para falar sobre os direitos de educação para todas as crianças", disse. "Eu quero educação para todos os filhos e filhas de todos os militantes do Taleban e terroristas e extremistas. Eu nem mesmo odeio o militante do Taleban que atirou em mim."

O principal ponto de seu discurso foi sobre as 57 milhões de crianças que não estão na escola ao redor do mundo. A ONU adotou o dia 12 de julho como o "Dia de Malala", e houve festa, aplausos, e cantorias de "Parabéns a Você" para ela nesta tarde.

Mas, para a paquistanesa, "o Dia de Malala não é meu dia. Hoje é o dia para cada mulher, cada menino e cada menina que ergueu sua voz pelos seus direitos". A Unesco lançou um relatório especial intitulado: "Crianças que lutam para ir à escola" antes do discurso de Malala.

O relatório afirma que 95% das 28,5 milhões de crianças que não tiveram educação primária vivem em países com renda média baixa - 44% da África Subsaariana, 19% no sul e oeste da Ásia e 14% em Estados árabes.

Com AP

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