Robert Bales é acusado de matar 17 civis afegãos em aldeias de Kandahar no ano passado. Acordo com promotoria ainda tem de ser formalmente aceito por juiz do caso

Reuters

Um soldado americano acusado de matar 17 civis afegãos em um massacre no ano passado aceitou um acordo com a promotoria para evitar a pena de morte, disse um dos seus advogados na quarta-feira.

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Robert Bales (à esquerda) em foto tirada em agosto de 2011 durante treinamento em Fort Irwin, na Califórnia
AFP
Robert Bales (à esquerda) em foto tirada em agosto de 2011 durante treinamento em Fort Irwin, na Califórnia

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Robert Bales , militar condecorado após quatro passagens pelo Iraque e o Afeganistão, é acusado de matar moradores de aldeias, principalmente mulheres e crianças, em ataques às suas residências em março de 2012 na Província de Kandahar (sul).

A advogada Emma Scanlan disse por email que ele aceitará as acusações de homicídio premeditado e se submeterá a partir de agosto a um júri militar que determinará se cabe a possibilidade de sursis na sua sentença de prisão perpétua.

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Promotores militares dizem que Bale agiu sozinho e com aterrorizante premeditação quando, armado com uma pistola, um rifle e um lançador de granadas, fez duas saídas noturnas da sua base, voltando no meio do massacre para dizer a um colega: "Acabo de atirar em algumas pessoas."

Esse foi o pior massacre de civis cometido por um soldado insubordinado dos EUA desde a Guerra do Vietnã, incidente que abalou ainda mais as relações entre Washington e Cabul após mais de uma década de conflito no Afeganistão.

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Advogados de Bale vinham alegando que antes mesmo de ser mandado para o Afeganistão ele sofria de transtorno do estresse pós-traumático e de lesão cerebral.

O acordo ainda precisará ser formalmente aceito pelo juiz do caso e pelo general que comanda a base militar de Lewis-McChord, no noroeste dos EUA, onde o processo transcorre.

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