Em entrevista angustiada, Anzor Tsarnaev alega que filhos foram injustamente responsabilizados por ataque, descrevendo caçula foragido como 'verdadeiro anjo'

O pai dos suspeitos do ataque em Boston, Anzor Tsaraev, fala à mídia em sua casa na cidade russa de Makhachkala
AP
O pai dos suspeitos do ataque em Boston, Anzor Tsaraev, fala à mídia em sua casa na cidade russa de Makhachkala

O pai dos suspeitos pela ataque à Maratona de Boston , que deixou ao três mortos e quase 180 feridos na segunda-feira, descreveu seu filho foragido como um "anjo" inteligente e talentoso em uma entrevista angustiada em que alegou que os dois são inocentes.

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Anzor Tsarnaev concedeu uma entrevista por telefone à Associated Press desde a república do Daguestão, localizada no sul da Rússia, depois de a polícia anunciar a morte de seu filho Tamerlan, de 26 anos, em uma troca de tiros e declarar que Dzhokhar era intensamente procurado . Da região do Cáucaso russo , os dois estariam nos EUA ao menos há dez anos.

"Meu filho é um verdadeiro anjo", disse Tsarnaev. Ele disse que seu filho era "um menino inteligente" que estudava medicina. "Esperávamos que ele passasse as férias aqui", disse. "Armaram para eles, armaram para eles", disse, ao alegar a inocência dos filhos. "Vi na televisão. Eles mataram meu filho mais velho Tamerlan."

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Agitado, Tsarnaev deu poucas outras informações e terminou a ligação com raiva, dizendo: "Deixe-me em paz, meu filho foi morto."

A família Tsarnaev tem origem na Chechênia, a república russa mais muçulmana onde rebeldes separatistas travaram duas guerras em larga escala com as forças russas desde 1994. Um porta-voz do líder checheno disse que a família deixou a região há muito tempo em direção à Ásia Central, então se mudou para o Daguestão, uma república muçulmana vizinha à Chechênia que tem sido palco de uma insurgência esporádica por mais de uma década.

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Dzhokhar Tsarnaev posa para foto após sua formatura na Cambridge Rindge, Latin High School, em Cambridge
AP
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Dzhokhar aparece em vídeo divulgado pelo FBI na quinta usando um boné branco, momentos antes da explosão dos artefatos na competição de atletismo. O suspeito que morreu no hospital pelo ferimento dos tiros aparece nas imagens usando um boné escuro.

Autoridades do governo informaram que Tamerlan, o irnão mais velho, viajou para a Rússia no ano passado e só retornou aos EUA seis meses depois. "Não tenho nenhum amigo americano. Não os entendo", teria dito a uma revista estudantil da Universidade de Boston publicada em 2010. Ele identifica a si mesmo como um muçulmano e afirma que não bebe e não fuma: "Deus diz não ao álcool."

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Praticante de artes marciais e boxe, ele esperava lutar pela equipe olímpica dos EUA e se naturalizou americano. Tamerlan disse que estudava Engenharia na Faculdade da Comunidade de Bunker Hill.

Dzhokhar estudou na prestigiada Cambridhe Rindge & Latin School, onde fazia parte da equipe de luta greco-romana. Em maio de 2011, seu último ano no ensino médio, ganhou uma bolsa de estudos no valor de US$ 2,5 mil da cidade para pagar sua faculdade. A bolsa de estudos foi celebrada com uma recepção na prefeitura.

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Tamerlan Tsarnaev sorri após ganhar um troféu por vencer competição de boxe em Lowell, Massachusetts
AP
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“Ele estudou no Cambridge Rindge & Latin School, a única escola de ensino médio pública de Cambridge e o mesmo colégio que a minha filha estuda”, disse ao iG o brasileiro Yuri Ramos. “A minha filha não o conhece, mas amigos que estudaram com o rapaz estão abismados com as notícias, pois afirmam que ele era muito inteligente e amigável."

Dhzokhar estudava na Universidade de Massachusetts em Dartmouth, segundo informaram autoridades da instituição nesta sexta enquanto o campus era esvaziado em meio à sua busca. A universidade não disse qual curso ele fazia.

Questionado sobre o que poderia ter feito com que seus sobrinhos lançassem o ataque, o tio Ruslan Tsarni afirmou: "Sendo perdedores, tendo ódio daqueles capazes de se resolverem. Essas são as únicas razões que eu posso imaginar. Qualquer outra coisa, qualquer outra coisa a ver com religião, com o Islã, é uma fraude. É falso."

*Com AP

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