Disfarçados de soldados, insurgentes usaram homens-bomba para tentar libertar militantes que eram julgados, desatando confronto que deixou 53 mortos e 90 feridos

Militantes disfarçados de soldados atacaram com homens-bomba e a tiros um tribunal na Província de Farah, Afeganistão, onde membros da milícia islâmica do Taleban eram julgados nesta quarta-feira, dando início a um tiroteio que acabou com ao menos 53 mortos, incluindo nove insurgentes, e 90 feridos.

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Reprodução de vídeo mostra médicos atendendo ferido em hospital em Farah, oeste do Afeganistão
AP
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De acordo com autoridades, os confrontos começaram quando os militantes invadiram a corte em uma tentativa frustrada de libertar mais de dez taleban. Depois do início dos enfrentamentos, o tiroteio continuou enquanto os militantes se abrigaram em prédios vizinhos.

Segundo o governador provincial Akram Akhpewak, entre os mortos estão 34 civis, dez forças de segurança e nove militantes. De acordo com a rede BBC, o ataque foi o mais mortífero no Afeganistão desde dezembro de 2011.

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"Eles invadiram o tribunal durante um julgamento para condenar 15 combatentes do Taleban", disse o vice-governador provincial Mohammad Younis Rasouli à Reuters. Em uma mensagem de texto enviada à mídia, o Taleban reivindicou a responsabilidade pelo ataque em Farah, que faz fronteira com o Irã, disse o porta-voz Qari Yousuf Ahmadi.

O ataque começou aproximadamente às 9 horas locais (1h30 em Brasília) na cidade de Farah. Os militantes detonaram um grande veículo militar cheio de explosivos, danificando prédios vizinhos, incluindo a sede do governador local, e dois bancos cheios de civis.

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Então o tiroteio começou com forças de segurança afegãs, e os militantes assumiram posições em vários prédios. Relatos iniciais sugeriram que o ataque tinha como alvo o complexo do governador antes de autoridades, e um porta-voz do Taleban, confirmam que o ataque se centrava na corte judicial.

À Associated Press, o chefe de polícia provincial Noor Kemtoz, que afirmou que a ação chegou ao fim, disse que seis militantes vestiam coletes com explosivos.

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O ataque aucmenta as preocupações sobre como as forças de segurança afegãs, com 350 mil integrantes, vão lidar com a violência quando as tropas lideradas pela Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) se retirem até o final do próximo ano.

*Com Reuters, AP e BBC

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