Primeiro papa jesuíta e latino-americano também é o primeiro a adotar nome de Francisco, santo italiano que teria sido chamado por Deus para reparar Igreja em ruínas

Usando uma vestimenta sem adornos, o primeiro papa das Américas denotou simplicidade e humildade pastoral em uma Igreja Católica desesperada para superar uma era marcada por escândalos sexuais e problemas internos do Vaticano.

Francisco , o nome adotado pelo novo papa, refere-se a um adorado santo italiano identificado com a paz, a pobreza e um estilo de vida simples. O cardeal Jorge Bergoglio se tornou o primeiro pontífice da América Latina e o primeiro a adotar o nome de Francisco, o jovem rico de Assis que renunciou à sua vida de luxo e fundou a Ordem Franciscana dos Frades em 1290.

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Cardeal argentino Jorge Bergoglio celebra missa em honra ao papa João Paulo 2º na Catedral de Buenos Aires, em 4 de abril de 2005
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Cardeal argentino Jorge Bergoglio celebra missa em honra ao papa João Paulo 2º na Catedral de Buenos Aires, em 4 de abril de 2005

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A escolha do nome pode sinalizar algumas das prioridades do papa, como a tentativa de trazer serenidade nessa fase tão tumultuada da Igreja. São Francisco teria sido chamado por Deus para reparar uma Igreja em ruínas. A escolha por Francisco, um dos patronos dos santos italianos, também reforça os laços do atual papa com a Itália, casa de todos os pontífices dos últimos séculos até 1978.

A eleição do cardeal argentino refletiu uma série de decisões históricas feitas pelos outros 114 cardeais, que deram sinais de estarem determinados a oferecer aos fiéis uma mensagem de renovação da Igreja, que enfrenta pressões de diferentes frentes.

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O arcebispo de Buenos Aires, 76 anos, o primeiro pontífice jesuíta, abençoou à multidão presente na Praça de São Pedro e pediu a eles que o abençoassem, uma prova do estilo austero que ele cultivou durante a modernização que promoveu na Igreja Católica conservadora da Argentina. Há informações de que no último conclave, em 2005, ele ficou em segundo lugar em várias rodadas de votação antes de desistir de concorrer na disputa que elegeu Bento 16 .

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Grupos de argentinos agitavam bandeiras do país na Praça de São Pedro enquanto Francisco, usando somente as vestes brancas, fez sua primeira aparição pública como papa. "Senhoras e senhores, boa noite", disse, antes de fazer uma referência às suas raízes na América Latina, que abriga 40% dos católicos do mundo.

Bergoglio geralmente utiliza o ônibus para trabalhar, cozinha suas próprias refeições e visita com frequência as favelas que circundam a capital argentina. Ele considera que o alcance social, em vez de batalhas doutrinárias, são essenciais no trabalho da Igreja.

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Ele acusou líderes da Igreja de hipocrisia e por se esquecerem que Jesus Cristo banhava leprosos e alimentava-se juntamente com prostitutas. "Jesus nos ensinou de outra forma: Saia. Saia e compartilhe seu testemunho. Vá ás ruas e interaja com seus irmãos. Vá às ruas e compartilhe. E pergunte. Torne-se a Palavra em corpo e também em espírito", disse Bergoglio a padres argentinos no ano passado.

Esse tipo de trabalho pastoral, que tem como objetivo captar mais fiéis para aumentar o rebanho, é uma habilidade essencial para qualquer líder religioso na era moderna, disse o biógrafo autorizado de Bergoglio, Sérgio Rubin.

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Sua Igreja, entretanto, disse "não" quando a Suprema Corte da Argentina espandiu o acesso ao aborto ilegal em casos de estupro, e quando Bergoglio afirmou que adoções por casais gays discriminam as crianças, a presidente Cristina Kirchner comparou seu tom ao dos "tempos medievais e da Inquisição".

"Bergoglio é um progressista, um teólogo da libertação? Não. Ele não é um padre do terceiro mundo. Ele critica o FMI e o neoliberalismo? Sim. Ele passa boa parte de seu tempo nas favelas? Sim", disse Rubin.

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Inicialmente concentrado nos estudos de química, Bergoglio ensinou Literatura, Psicologia, Filosofia e Teologia antes de se tornar arcebispo de Buenos Aires em 1998. Ele foi nomeado cardeal em 2001, quando a economia estava em colapso, e conquistou respeito por culpar o capitalismo desenfreado pela pobreza de milhões de argentinos.

Depois, houve um momento crítico nas relações entre Bergoglio e Cristina Kirchner. O relacionamento se tornou tão apático que a presidente parou de participar do anual discurso "Te Deum", quando os líderes da Igreja tradicionalmente falam aos líderes políticos sobre o que está errado com a sociedade.

Com AP

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