Mudança significa que processo de escolha de sucessor de Bento 16 pode começar antes dos 15 dias usuais de transição entre os pontificados, em 15 de março

O papa Bento 16 mudou a lei da Igreja Católica que regula o conclave que elegerá seu sucessor, permitindo aos cardeais antecipar a data se todos eles tiverem chegado a Roma antes dos 15 dias usuais de transição entre os pontificados, anunciou o Vaticano nesta segunda-feira.

Domingo: Papa, em seu último Ângelus, diz que segue vontade de Deus

Foto divulgada pelo L'Osservatore Romano mostra papa Bento 16 durante prece de Ângelus na Praça de São Pedro (24/02)
AP
Foto divulgada pelo L'Osservatore Romano mostra papa Bento 16 durante prece de Ângelus na Praça de São Pedro (24/02)

Reação: Vaticano critica 'fofocas' e 'calúnias' sobre renúncia do papa

Em um de seus últimos atos antes de renunciar oficialmente na quinta-feira, o pontífice assinou um documento legal com algumas mudanças à lei do Vaticano de 1996 que regula a eleição de um novo papa. A modificação significa que os cardeais não precisam mais esperar 15 dias para iniciar o conclave depois de o papado ficar vago, em 28 de fevereiro.

Descanso: Papa Bento 16 indica que ficará 'escondido do mundo' após renúncia

A data do início do conclave é importante porque a Semana Santa começa em 24 de março, com o domingo de Páscoa em 31 de março. Com o objetivo de ter um novo papa para o período litúrgico mais solene da igreja, ele teria de ser nomeado até o domingo do dia 17 - um calendário apertado se o conclave fosse começar, como inicialmente previsto, no dia 15.

Arcebispo de Edinburgo:  Principal cardeal britânico renuncia em meio a alegações de abusos

A renúncia de Bento 16, a primeira de um papa em quase 600 anos , surpreendeu muitos na Igreja Católica. Autoridades do Vaticano explicaram que a modificação devia-se em parte ao fato de que a Constituição da igreja foi escrita para um conclave realizado após a morte de um papa, e não sua renúncia.

A decisão sobre a data do início do conclave será tomada pelos cardeais, mas poderia não ser antes de 1º de março.

VatiLeaks

Também nesta segunda, o Vaticano disse que o relatório sobre os documentos papais que foram vazados no ano passado pelo então mordomo do papa Bento 16, no chamado " escândalo VatiLeaks ", continuará confidencial e será mostrado apenas para o próximo pontífice.

"O santo padre decidiu que os fatos dessa investigação, conteúdo que é conhecido apenas por ele, estarão disponíveis exclusivamente para o novo pontífice", informou o Vaticano em um comunicado. Alguns veículos da mídia italiana pediram que o relatório fosse publicado antes do conclave.

*Com AP, BBC e Reuters

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.