Papa transfere monsenhor após vazamento de dossiê sobre VatiLeaks

Por iG São Paulo |

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Ettore Balestrero foi nomeado embaixador para a Colômbia; jornais afirmam que relatório confidencial revelou investigação de sistema de corrupção, sexo e tráfico de influência

O papa Bento 16 transferiu um oficial de alto escalão da Secretaria de Estado do Vaticano para a Colômbia em meio a uma avalanche de especulações na mídia italiana sobre o conteúdo de um relatório confidencial.

O monsenhor Ettore Balestrero foi nomeado subsecretário do Ministério das Relações Exteriores do Vaticano, em 2009. O papa Bento 16 o indicou nesta sexta-feira (22) como embaixador para a Colômbia. O arcebismo Antonio Camilleri substituirá Balestrero no cargo.

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AP
Monsenhor Ettore Balestrero participa de coletiva no Vaticano (foto de arquivo)


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Jornais italianos há dias têm trazido reportagens sobre o suposto conteúdo de um dossiê, que teria sido apresentado pro Bento 16 em dezembro. O relatório, produzido por três cardeais, traz a investigação sobre a origem do escândalo dos vazamentos, os VatiLeaks.

O escândalo surgiu no ano passado depois que documentos que estavam na mesa do papa foram publicados. O mordomo do papa foi condenado em outubro, mas, em dezembro, teve o perdão do pontífice.

O Vaticano se recusou a comentar as reportagens sobre o suposto dossiê que teria levado Bento 16 a renunciar. O próprio papa justificou sua saída do cargo por não ter mais vigor físico e mental.

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Federico Lombardi, porta-voz da Santa Sé, indicou que Bento 16 se encontraria com três cardeais antes do dia da renúncia em 28 de fevereiro.

Balestrero era chefe da delegação da Santa Sé para o conselho europeu contra lavagem de dinheiro e financiamento de atos terroristas (Moneyval). O Vaticano se submeteu a uma avaliação do Moneyval no intuito de melhorar sua reputação no mundo financeiro.

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O Vaticano passou no teste na primeira tentativa em agosto e o Moneyval disse que a Santa Sé fez um grande progresso em um curto espaço de tempo. Mas a Santa Sé recebeu notas ruins por suas agências de vigilância e seu banco, fonte da maior parte dos escândalos envolvendo o Vaticano.

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Alguns documentos que vazaram em meio ao escândalo do Vatileaks trouxeram a discussão do nível de transparência financeira da Santa Sé. O Vaticano agora trabalha para cumprir as recomendações da Moneyval antes da próxima rodada de avaliação. Lombardi disse que o processo da Moneyval simplesmente seria tocado por outra pessoa com a partida de Balestrero.

De acordo com o La Repubblica, a decisão do papa em deixar o cargo se deu após o recebimento de uma investigação realizada por três cardeais - o espanhol Julián Herranz, o eslovaco Jozef Tomko e o italiano Salvatore de Giorgi - em que é revelada uma suposta trama envolvendo corrupção, tráfico de influências e sexo na Santa Sé.

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Com 300 páginas, o texto, entregue a Bento 16 em dezembro, se refere a uma espécie de troca de favores homossexuais dentro do Vaticano. "Pela primeira vez, a palavra homossexualidade foi lida em voz alta no gabinete de Ratzinger", diz a jornalista Concita de Gregorio, que assina o texto, sem revelar de que forma teve acesso ao documento.

"Tem sido dito que erra era uma hipótese por trás da renúncia do papa, mas acho que precisamos respeitar a consciência (de Bento 16)", disse Herranz a Radio24 na semana passada. "Certamente, há divisões e sempre houveram, assim como violentas contraposições sobre linhas ideológicas. Isso não é novidade, mas sim, têm peso."

Com AP

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