Sob pressão de campanha militar da França, grupo rebelde do Mali racha

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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Líder de facção deixa Ansar Dine para criar nova organização e afirma que quer negociar com o governo um fim para a crise no país

O movimento rebelde do Mali mostrou sinais de discordância nesta quinta-feira após ataques aéreos da França, com uma fação do grupo Ansar Dine agora prometendo negociar com o governo um fim para a crise do país e possivelmente até lutar contra seus ex-companheiros de armas.

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Alghabass Ag Intallah, membro graduado do grupo tuaregue Ansar Dine, disse que criou uma nova organização, o Movimento Islâmico de Azawad (MIA), e está preparado para tentar uma solução negociada para o conflito malinês.

Uma operação militar comandada pela França tenta atualmente combater os combatentes islâmicos que há duas semanas iniciaram uma ofensiva-surpresa rumo à capital, Bamako, depois de dominarem desde o ano passado o desértico norte do país. Uma força terrestre de outros países africanos está sendo mobilizada para apoiar as tropas da França e do Mali.

Três grupos extremistas vinculados à Al-Qaeda controlam há meses o vasto nordeste, capitalizando sobre o caos que se seguiu a um golpe de Estado na capital do país, Bamacko, em março.

"Queremos travar nossa guerra, e não a da AQMI ou do Mujao", disse Ag Intallah por telefone, referindo-se à Al-Qaeda do Magreb Islâmico e ao Movimento pela Unidade e Guerra Santa na África Ocidental. "Somos um grupo de pessoas do norte do Mali que tem várias discordâncias que datam de pelo menos 50 anos", afirmou. "É preciso haver um cessar-fogo para que haja diálogo", afirmou a partir da localidade de Kidal, reduto tuaregue no nordeste do Mali.

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Ele disse que o novo grupo, com sede em Kidal, está em contato com mediadores em Burkina Faso e com autoridades argelinas. Ele disse que os rebeldes reivindicam mais autonomia para o norte, mas não a independência.

O Ansar Dine havia estabelecido uma aliança informal com a AQMI e com o Mujao para impor a "sharia" (lei islâmica) numa área desértica e montanhosa do tamanho do Texas. Não foi imediatamente possível confirmar quantos combatentes deixariam as fileiras do Ansar Dine para aderir ao novo grupo.

Negociadores internacionais tentam desafazer a aliança islâmica, oferecendo negociações com o Ansar Dine e com separatistas tuaregues, com a condição de que eles se desvinculem da AQMI. Ag Intallah foi um negociador importante do Ansar Dine em negociações no ano passado.

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Mas o diálogo preliminar foi abandonado no mês passado depois que o Ansar Dine cancelou um cessar-fogo em meio a relatos sobre divisões entre moderados que buscam uma solução política e radicais com profundas ligações com a Al-Qaeda.

As estimativas para o número total de combatentes islâmicos no Mali variam, mas não superam os cerca de 3 mil.

*Com Reuters e AP

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