Aumenta número de mortos por ofensiva militar contra militantes na Argélia

Por iG São Paulo | - Atualizada às

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De acordo com premiê, 37 dos mortos são estrangeiros; 25 corpos encontrados no domingo elevam para 81 total de vítimas fatais

AP
Refém filipino Joseph Balmaceda foi ferido, mas sobreviveu a ataques terroristas em campo de gás da Argélia

O número de mortos pela ofensiva contra terroristas em um campo de gás no Saara da Argélia passou de 80 depois que forças argelinas encontraram vários corpos quando procuravam explosivos no local.

De acordo com o primeiro-ministro da Argélia, Abdelmalek Sellal, ao menos 37 das vítimas são reféns estrangeiros que morreram durante os quatro dias de crise. Inicialmente, o governo apontava o número de reféns mortos em 23. Ele afirmou também que, entre os sequestradores das centenas de reféns, havia ao menos um canadense, com os demais vindos do Egito, Mali, Níger, Mauritânia e Tunísia.

Também segundo o premiê, a ofensiva das forças do governo deixou ao menos 29 radicais mortos, enquanto três sequestradores foram capturados. Previamente, a informação era de que todos os 32 militantes haviam sido mortos.

No domingo, esquadrões antibomba enviados para explodir ou desmontar artefatos encontraram mais 25 corpos. De acordo com uma fonte de segurança, os corpos estão tão desfigurados que é difícil saber se são de reféns ou de militantes. Ainda não está claro se os 25 corpos já foram identificados, o que poderia justificar o aumento do número de reféns mortos. 

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"É difícil identificar esses corpos. Poderiam ser de reféns estrangeiros ou argelinos ou de terroristas", disse uma autoridade de segurança sob condição de anonimato no domingo. Além dos corpos achados, um romeno que havia sido retirado ferido do local morreu, levando o número total de mortos para pelo menos 81.

As forças argelinas invadiram no sábado o campo de Ain Amenas, na desértica região sul da Argélia, para pôr fim ao impasse de quatro dias, agindo para impedir o que autoridades do governo descreveram como uma conspiração de extremistas islâmicos de explodir o complexo e matar todos os reféns com minas espalhadas pelo campo operado pela estatal de petróleo da Argélia, Sonatrach, juntamente com a petrolífera britânica BP e a norueguesa Statoil.

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Em uma declaração, o Katibat Moulathamine ("Brigada Mascarada"), grupo fundado por um importante membro da Al-Qaeda no Norte da África que reivindicou o ataque lançado na quarta, alertou para mais ataques desse tipo contra qualquer país que apoie a intervenção militar da França no vizinho Mali, onde tropas francesas tentam impedir o avanço de radicais islâmicos.

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As autoridades disseram que a ação sangrenta foi lançada na quarta por 32 homens de seis países sob o comando de Moktar Belmoktar, fundador da Brigada Mascarada, com base no Mali. "Nós, da Al Qaeda, anunciamos essa abençoada operação", disse o terrorista em um vídeo, segundo o site regional Sahara Media.

Graduado comandante da Al-Qaeda no Magreb Islâmico desde o fim do ano passado, Belmoktar é cego de um olho montou seu próprio grupo armado depois de aparentemente ter se indisposto com outros líderes.

Reuters
Imagem de uma TV argelina mostra supostos reféns sendo rendidos por combatentes islâmicos.na quarta-feira

Terrorismo: Al-Qaeda esculpe em cavernas e no subterrâneo seu próprio país no Mali

Os sequestradores, que iniciaram a operação na madrugada da quarta, exigiam o fim da intervenção militar francesa no vizinho Mali, que havia começado cinco dias antes. Fontes oficiais dos EUA e Europa, no entanto, acreditam que a operação havia sido planejada com bem mais antecedência.

A situação se tornou sangrenta no dia seguinte, quando o Exército argelino abriu fogo contra sequestradores que tentavam fugir com reféns.

Quase 700 trabalhadores argelinos e mais de cem estrangeiros fugiram, principalmente na quinta, quando os combatentes foram expulsos da ala residencial do campo de gás. Alguns militantes continuaram entrincheirados até sábado dentro do complexo industrial, quando foram finalmente dominados.

A ação abalou as relações da Argélia com seus aliados ocidentais, incluindo alguns se queixam de não foram informados com antecedência da decisão de invadir a usina. França e Reino Unido, no entanto, defenderam a operação militar argelina.

*Com AP e Reuters

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