Rússia e China se reúnem para fortalecer parceria de contrapeso aos EUA

Líder russo faz 1ª visita a Pequim desde posse do 3º mandato e defende ordem internacional equilibrada; posição comum dos dois países sobre Síria é desafio a Ocidente

iG São Paulo | - Atualizada às

Os líderes da Rússia e da China se reuniram nesta terça-feira em Pequim para fortalecer uma parceria em construção que tem servido de contrapeso para a influência dos EUA e protegido a Síria de iniciativas internacionais para coibir sua repressão a um levante popular de 15 meses.

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AP
Presidentes russo, Vladimir Putin, e chinês, Hu Jintao, conversam durante encontro em Pequim, China

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O presidente russo, Vladimir Putin, fez sua primeira visita a Pequim desde que assumiu seu terceiro mandato na Rússia, no mês passado. Ele conversou com o presidente chinês, Hu Jintao, sobre a crise na Síria, Irã, comércio bilateral e cooperação energética, e participará de um encontro regional no fim desta semana.

"A Rússia e a China defendem uma ordem internacional equibilibrada, em que todas nas nações trabalhem para lidar com os perigos perante nós", disse Putin depois do diálogo bilateral e da assinatura de vários acordos políticos e comerciais.

Espera-se que os líderes avancem em seu diálogo sobre o futuro do Afeganistão depois que as forças dos EUA deixarem o país no fim de 2014 . Ambos se opõem à presença de longo prazo de soldados amerricanos na Ásia Central, mas também temem uma maior instabilidade, incluindo tráfico de drogas e ameaças terroristas regionais, depois da retirada.

A Rússia e a China reiteradamente desafiaram pedidos da comunidade internacional para que confrontem o regime sírio por causa da escalada da violência. Moscou é um aliado de longa data do regime de Bashar al-Assad, enquanto Pequim se opõe a estabelecer precendentes que potencialmente poderiam ser aplicados em sua problemáticas regiões ocidentais do Tibete e Xinjiang.

A China e a Rússia vetaram duas resoluções do Conselho de Segurança da ONU que levantavam a ameaça de possíveis sanções contra a Síria e rejeitaram qualquer ação militar similar à lançada na Líbia no ano passado para proteger os civis sírios.

Os dois também votaram contra uma resolução aprovada na sexta-feira pelo Conselho de Direitos Humanos da ONU condenando o massacre de 108 civis , incluindo 49 crianças e 34 mulheres , na região de Houla em 25 de maio. A resolução também pediu uma investigação independente sobre os assassinatos .

Os EUA têm pressionado a Rússia para se juntar a esforços internacionais para uma transição política na Síria que veria Assad afastado do poder. Enquanto isso, Putin buscou usar os laços em ascensão com Pequim como um contrapeso à predominância global americana, e os dois países encontraram as mesmas justificativas para rejeitar os pedidos ocidentais para uma abertura política e para mais respeito às liberdades civis.

Além da posição comum sobre a Síria, os dois países também se opõem a sanções adicionais contra o Irã pela suspeita de que o país tenta desenvolver armas nucleares .

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, disse que Putin escolheu a China como um dos primeiros países a visitar durante seu mandato como demonstração de que as relações entre as duas nações alcançaram "níveis sem precedentes".

Na quarta e quinta-feiras, Putin e Hu estarão entre líderes que participarão do encontro anual dos seis membros da Organização de Cooperação de Xangai (SCO, na sigla em inglês), que reúne Rússia, China e outros quatro Estados da Ásia Central (Casaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Usbequistão) para estimular a integração regional e coibir a influência Ocidental.

A cúpula da SCO, fundada em 2001, pode ser concluída com o acordo do primeiro plano estratégico para impulsionar a cooperação econômica, aceitando o Afeganistão como "observador" e a Turquia como "parceira para o diálogo".

*Com AP e AFP

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