Fidel Castro diz que acha 'graça' de especulações sobre sua morte

O ex-presidente cubano ironizou os rumores de que teria sofrido um derrame cerebral durante entrevista

iG São Paulo |

O ex-presidente cubano Fidel Castro disse que acha "graça" das pessoas que especulam sobre sua morte e ironizou a "importância" que o mundo lhe dá, segundo uma gravação de voz transmitida nesta sexta-feira pelo programa La Hojilla do canal de televisão estatal venezuelana (VTV).

"Acho graça desses que se prestam a fazer augúrios, como se para mim fosse uma má notícia morrer", comentou Fidel.

Reuters
O ex-presidente cubano Fidel Castro dá entrevista ao jornalista Mario Silva (E), da Venezuela, em Havana. Imagem é reprodução de vídeo feita por site em 4/9/2011

Ele também respondeu com uma piada ao comentário de Silva sobre os rumores de que teria sofrido um derrame cerebral. "Não me diga... A mim não disseram nada", ironizou.

"Já prepararam também a minha morte", mas os planos todos "fracassaram", apesar de "não ter nada mais fácil do que me liquidar", acrescentou.

Fidel explicou que nos últimos dois meses deixou de escrever suas frequentes "Reflexões", porque "não gosta de perder tempo" e está trabalhando em coisas mais "importantes" e "úteis".

O ex-presidente conversou sobre esses e outros temas com o jornalista venezuelano Mario Silva, em um encontro que, segundo o comunicador, aconteceu no último dia 6, em Havana. Além do áudio, foram divulgadas fotografias nas quais o ex-líder cubano é visto sentado, comendo e falando com Silva. Eles também trataram de assuntos como o problema do narcotráfico no México, a crise econômica na Europa e a revolução cubana.

"Não houve derrame nem nada, é um homem lúcido", comentou Mario Silva em seu programa.

As declarações servem para desmentir os rumores que proliferaram na semana passada sobre o estado de saúde de Fidel , alimentados pelo fato de o ex-líder não ter escrito artigos de suas chamadas "Reflexões" desde 3 de julho, algumas imagens divulgadas 20 dias depois. Pelo público, ele não é visto desde abril.

"Escrevi bastante e penso em voltar a escrever, mas agora estou trabalhando em coisas que me parecem muito importantes, em coisas de interesse para as pessoas, coisas que sejam úteis", indicou.

A última aparição pública de Fidel, 85 anos, foi na reunião do governante Partido Comunista Cubano.

Depois de 48 anos no poder, Fidel, acometido de doença grave, passou o comando ao irmão Raúl, em 31 de julho de 2006, marcando o fim de uma era na história da ilha, de 11 milhões de habitantes.

Raúl impulsiona 300 medidas avalizadas em abril pelo VI Congresso do Partido Comunista (PCC), que incluem a abertura ao setor privado e ao capital externo, além dos cortes de um milhão de empregos e dos subsídios concedidos, desmontando o Estado paternalista de seu irmão.

Consagrando as reformas, Fidel causou impacto há um ano com a frase "o modelo cubano já não funciona nem sequer para nós mesmos".

* Com AFP e EFE

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