Partido teve neste ano 46% menos candidatos a prefeito que na eleição passada ; já o número de candidatos a vereador foi 47% menor que em 2010

O ex-presidente Lula e Fernando Haddad, cada qual a seu modo, estão sofrendo com a queda de popularidade do PT
Ricardo Stuckert - 15.09.2016
O ex-presidente Lula e Fernando Haddad, cada qual a seu modo, estão sofrendo com a queda de popularidade do PT


Somente nos últimos 10 dias, o PT sofreu mais uma série de golpes em sua imagem que colaboraram para minar ainda mais o que resta de sua inserção junto ao eleitorado brasileiro. Nesse intervalo, o ex-presidente Lula e a senadora Gleise Hoffman viraram réus na Operação Lava Jato, enquanto os ex-ministros Guido Mantega e Antonio Palocci foram presos por suspeita de envolvimento no esquema de corrupção da Petrobrás. Isso sem mencionar o recente impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

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Somem-se a isso os problemas na condução da política econômica, que culminou com uma forte recessão e taxa de desemprego de 11,8% no País, o que dá um total de 12 milhões de pessoas sem ocupação formal e é possível entender o enfraquecimento do partido nas eleições de 2016.

Levantamento feito pela Direção Nacional do PT mostra que a legenda terá, com praticamente o mesmo número de filiados, 46% menos candidatos a prefeito (1.829) e 47% menos candidatos a vereador (992) do que teve em 2012. 

Os petistas apontam três motivos para essa diminuição: o sentimento antipetista amplificado pelas revelações da Operação Lava Jato, a proibição das doações empresariais e o processo de impeachment de Dilma, que distanciou o PT de aliados tradicionais e restringiu sua política de alianças. Segundo o Datafolha, o PT registra hoje somente 9% de preferência partidária na capital Paulista, muito abaixo para padrões antigos da legenda.

Haddad

Os efeitos dessa crise petista se refletem no desempenho de seus candidatos. O mais afetado é Fernando Haddad, prefeito de São Paulo, que pode ser o primeiro candidato a reeleição que não alcança o segundo turno de uma disputa.

Ciente dos problemas que o partido enfrenta, Haddad passou boa parte da campanha tentando descolar sua imagem da legenda. Nem mesmo o ex-presidente Lula, que no passado foi o maior cabo eleitoral do partido, apareceu nos materiais de campanha de Haddad.

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Curiosamente, muito da rejeição a Haddad vem dos extremos da cidade, redutos originalmente alinhados com o programa petista. Aliados apontam ausência de uma marca forte da gestão nas áreas pobres, além da crise econômica que minou os repasses de verba federal à Prefeitura e o crescente sentimento de rejeição partidária a políticos e partidos que despertou nas manifestações de junho de 2013.

Além disso, ele teve que disputar o que resta do eleitorado tradicional do PT com duas rivais que foram prefeitas de São Paulo pelo partido, Marta Suplicy (PMDB) e Luiza Erundina (PSOL), ambas posicionadas entre os cinco melhores colocados na disputa.

Com tudo isso, Haddad aparece até então com remotas chances de alcançar o segundo turno da siputa.

Desempenho nas urnas

Para piorar a situação do PT, apenas dois candidatos do partido na frente das pesquisas eleitorais nas capitais. Após eleger 17 prefeitos em 2012, o Partido dos Trabalhadores já perdeu quatro deles ao longo do mandato e esse número deve baixar ainda mais.

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Se há quatro anos o PT chegou ao segundo turno em sete capitais e ganhou seis – incluindo a mais rica e populosa delas, São Paulo, em 2016 há somente um petista liderando a disputa em sua cidade, Marcus Alexandre, candidato à reeleição em Rio Branco (AC). O outro mais bem colocado é Roberto Sobrinho, que está empatado tecnicamente com outros 3 candidatos, em Porto Velho (RR).

Restam ainda dois petistas em segundo lugar: nas disputas no Recife e em Porto Alegre. Pouco, para o partido que passou os últimos 13 anos no poder.

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