Rede profissional precisa de 600 novas unidades em dez anos

Para dar conta de atender à demanda de mão-de-obra técnica qualificada hoje no país a rede pública de ensino profissional precisaria mais do que dobrar. Até o fim do ano, a rede federal terá 400 escolas. Governo federal e Estados teriam de, juntos, criar 600 novas unidades de educação profissional e tecnológica nos próximos dez anos.

Carolina Rocha e Priscilla Borges |

Essa é a proposta que o próprio Ministério da Educação (MEC) apresentará durante a Conferência Nacional de Educação (Conae), que acontecerá entre os dias 28 de março e 1º de abril. No encontro, representantes da sociedade civil, gestores e especialistas definirão prioridades para o próximo Plano Nacional de Educação.

O secretário de Educação Profissional e Tecnológica do MEC, Eliezer Pacheco, afirma que a rede de educação profissional foi, por muitos anos, abandonada. Nenhuma escola foi construída ou ampliada no governo anterior. Agora, ele defende um plano de Estado, que transcenda governos, para olhar para o ensino técnico.

Queremos incluir no PNE um plano de expansão muito ambicioso, que já foi aprovado nas conferências regionais, diz. A proposta é construir 60 escolas de formação técnica e superior em tecnologia por ano, nos próximos dez anos. Ao final, a rede atenderia a 1.250.000 matrículas. Eliezer acredita que o plano é factível, se houver recursos disponíveis e prioridade política para isso.

Falta de mão-de-obra

A preocupação de gestores, empregadores e especialistas com o futuro da educação profissional não é à toa. Um estudo lançado no início de março pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta que faltam técnicos qualificados para atender à demanda do mercado de trabalho.

O relatório Emprego e oferta qualificada de  mão de obra no Brasil: impactos do crescimento econômico pós-crise afirma que setores econômicos como comércio e reparação, saúde, educação e serviços sociais, alojamento e alimentação e, especialmente, a construção civil sofrem com a escassez de profissionais aptos.

O pior é que o País tem cerca de 24,8 milhões de pessoas sem emprego. Porém, 22,2% desses trabalhadores não possuem qualificação necessária para as demandas existentes. Nos últimos anos, o número de estudantes no sistema de ensino técnico cresceu, mas ainda é insuficiente.

Formação de qualidade

Dados do Censo Escolar mostram que, em 2003, havia 589.383 alunos matriculados em escolas técnicas e, em 2009, o número saltou para 861.111. De acordo com a Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica, os investimentos nas escolas federais são de R$ 1,2 bilhão e, nas estaduais, de R$ 1,1 bilhão. Mas os resultados de investimento em educação não são imediatos. Só sentiremos os reflexos em dez anos, comenta Eliezer.

A qualidade dos profissionais formados é outro ponto que reforça a proposta de ampliar a oferta do ensino profissionalizante na rede pública. Pesquisa feita pelo MEC mostra que, do total de alunos que se formaram em escolas técnicas federais entre 2003 e 2007, 72% estão empregados, sendo que 65% deste grupo trabalham em sua área de formação.

Por isso, o secretário espera que a conferência também sirva para discutir planos emergenciais para o setor profissional. Ele defende a criação de parcerias entre as redes estadual e federal, e o Sistema S para dar conta de suprir a carência do mercado. Outra meta é certificar e capacitar pessoas que já atuam no mercado.

As redes federais possuem agora centros de referência em que trabalhadores que já atuam no mercado podem ser avaliados e, se comprovado o conhecimento não-formal, receberão certificados de formação técnica. Caso haja falha na formação, a instituição deve suprir essa carência e emitir o certificado depois do aprendizado.

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