Guia para a redação no Enem

Por Mateus Prado - especial para o iG |

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Entenda o que o exame quer com o texto, como ele será corrigido e estudo com as propostas de redação

A prova de Redação representa pouco mais de um quinto da nota total do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), mas como cada Universidade define o peso de cada parte da prova em sua seleção, a redação pode valer ainda mais, dependendo do objetivo de cada aluno. Por isso, é importante investir uma boa parcela do seu tempo na preparação para a redação, já que ela pode lhe conferir uma boa vantagem na pontuação final.

Antes de começar, é preciso ter clareza de que há critérios específicos que serão analisados e que podem ser diferentes daqueles dos vestibulares tradicionais. Depois que você souber disso, é importante elaborar várias redações, conforme esse padrão, para ter mais facilidade de escrever a redação no dia da prova oficial. Por isso, na sequência dessa apresentação você encontra 8 propostas de redação que já caíram no Exame (seja nas versões de primeira ou de segunda aplicação).

Mas, antes de se dedicar a elas, entenda melhor o que é avaliado e como é feita a correção. 

O que será avaliado na sua redação?

O Enem espera do aluno uma redação bastante diferente. Num vestibular tradicional, as principais avaliações são relacionadas à elaboração do texto, domínio do português formal e capacidade argumentativa do aluno. Isso não se repete no Enem. É mais importante o entendimento do aluno sobre o tema, a capacidade de compreender diferentes pontos de vista e a forma com que ele se posiciona. É valorizada, aqui, uma postura ética do aluno com relação ao tema apresentado.

Saiba mais sobre as competências exigidas pelo Enem

Em geral, os temas que aparecem nas propostas de redação do Enem estão ligados às competências exigidas pela matriz desse Exame. Vamos destacar algumas delas: em humanas, a competência 1 (cultura e identidade), a competência 2 (geopolítica) e a 5 (cidadania e democracia) costumam aparecer. Para a área de linguagens, os temas relacionados às competências 1 (comunicação), 8 (diversidade linguística) e 9 (tecnologias da informação como a internet e etc.) têm maiores chances de serem cobrados.

Destacamos também duas competências da área de ciências da Natureza, a de número 3 (que trata sobre a relação do homem com o ambiente, degradação e conservação ambiental) e a 8 (sobre saúde pública). Por trabalharem temas relacionados ao nosso cotidiano, e por conseguirem avaliar determinado posicionamento do aluno, essas competências têm sido bastante cobradas na redação do Enem.

Para esses temas, ou mesmo para outros que porventura possam aparecer, é importante que o aluno desenvolva uma redação que, ao final, apresente uma proposta de intervenção na realidade, que tem que ser alinhada à uma postura ética, de defesa de direitos humanos. Apresentar uma proposta de intervenção, que seja ética, é um dos critérios para não zerar a redação. Mas há ainda um critério que tem de ser observado: o aluno precisa escrever ao menos oito linhas (das 30 que ele tem como máximo). Portanto, fique atento. Se você não conseguir fazer todas as questões (as 90 do segundo dia) mais a redação, vale a pena deixar algumas questões de lado para fazer a redação, pois uma redação pela metade pode fazê-lo zerar ou ao menos prejudicar muito a sua nota nessa parte.

Um modelo para sua redação

Existem várias formas de fazer uma dissertação com sucesso, mas há uma que não falha: cinco parágrafos, com cerca de cinco ou sete linhas em cada um deles é a fórmula perfeita. Três argumentos para chegar à sua conclusão é o razoável, e uma dica importante é escolhê-los e decidir como desenvolvê-los antes de começar a escrever.

A partir desses argumentos que você elencou, elabore uma introdução em que dirá a sua opinião sobre o tema e quais argumentos irá utilizar durante o texto. Em cada um dos próximos três parágrafos, desenvolva um dos argumentos, de forma clara, utilizando informações do texto ou aquelas de sua bagagem cultural. No quinto e último parágrafo, é hora de fechar a redação, recuperando os três argumentos e chegando à conclusão que planejou. Lembre-se que essa conclusão tem que trazer uma proposta ética de intervenção no problema apresentado.

O 2° dia de prova: uma maratona

É muito difícil resolver todas as questões de Linguagens e Matemática e ainda fazer a Redação, além de passar tudo para o gabarito, em 5 horas e meia de prova.

Um aluno, mesmo que muito bem preparado, em geral não consegue fazer com que sobre uma hora de prova para a elaboração da redação. Normalmente esses alunos mais bem preparados conseguem resolver mais questões, ou quase todas, mas para isso necessitam de mais tempo. Ou seja, os alunos que têm potencial para ter notas altas na prova são os mais prejudicados pela falta de tempo, pois resolvem muito bem todas as questões e, se deixam a redação para o final, pode faltar tempo para ela.

Enquanto o MEC e o Inep não resolvem esse problema, aumentando o tempo de prova, você terá que se preparar para encarar essa maratona da melhor forma possível. Temos duas dicas para você, veja só:

1 - Prepare-se fisicamente

Estudos mostram que um aluno que pratica alguma atividade física regularmente tem mais resistência para resolver uma prova longa como o Enem.

Se colocarmos dois alunos com exatamente o mesmo desenvolvimento de competências e habilidades, além de mesmo acúmulo de conteúdos, para fazer a mesma prova - enquanto um pratica atividades físicas e o outro não - poderemos verificar que o primeiro, aquele que pratica exercícios, terá uma nota maior. Isso ocorre por que uma prova longa é também uma prova de resistência. Ou seja, como o Enem apresenta 90 questões por dia (e questões com textos longos, que exigem bastante concentração), a maioria dos alunos já chega cansada lá pela questão de número 60. No caso dos alunos que praticam atividades físicas, e por isso possuem maior resistência, esse cansaço deve chegar mais tarde. Eles deverão chegar à questão 90 menos cansados e mais atentos que os demais, tendo possibilidades maiores de acertar essas últimas questões e de fazer uma boa redação no segundo dia.

2 - Deixe as questões que você não sabe para o final.

Como é difícil resolver todas as questões e ainda fazer uma boa redação (que demanda tempo), é melhor usar o tempo para aquilo que poderá agregar mais pontos à sua nota. Em geral, a redação consegue conferir mais pontos ao aluno do que aquelas questões difíceis, que ele fica quebrando a cabeça sem conseguir resolver.

Por isso, sugerimos que você resolva as questões que tiver maior facilidade e deixe aquelas que você não sabe resolver, ou aquelas em que você gastará muito tempo resolvendo, para o final. Dessa forma, você conseguirá reservar ao menos 1 hora para a elaboração da redação e conseguirá fazer um bom texto. No tempo que sobrar, você tenta resolver as questões que você deixou de lado.

Há quem prefira fazer a redação antes das questões. Pode ser uma boa opção para quem perde a concentração muito rápido ou para quem prefere escrever "com a cabeça mais fresca". Mas há duas coisas negativas: a primeira é que as questões podem trazer alguma informação ou texto que pode ser útil na reflexão sobre o tema da redação e, se fizer a redação primeiro, você perde essa chance. A segunda é que, ao fazer a redação no início, você pode se perder com relação ao tempo e ficar mais de 1h ou 1h30 nela, prejudicando a resolução das questões depois. Ou seja, pode acontecer de você deixar questões (mesmo as fáceis) para o final e não conseguir resolvê-las. Sugerimos que você faça a resolução das provas anteriores do ENEM, inclusive da redação, com tempo marcado (como se fosse um simulado), e teste essas opções de "ordem de resolução", para ver com qual delas você tem melhor desempenho e se sente mais à vontade.

Como é feita a correção da redação?

O Enem é uma prova nacional e gigante. São milhões de redações que, ao contrário das questões (que são corrigidas por um equipamento automático), têm de ser avaliadas por professores, uma a uma. Então, você pode imaginar a dimensão que a correção de todos esses textos alcança e também a necessidade de mecanismos que inibam injustiças.

Funciona assim: são milhares de professores selecionados e orientados anteriormente pelo Inep acerca dos critérios de correção, que corrigem as redações do Enem através de um sistema on-line. O professor não sabe quem é o aluno que escreveu o texto, e o aluno também nunca saberá quem foram os corretores.

Mas "corretores", no plural? Sim, no plural, pois são inicialmente dois em cada texto. Eles não se conhecem e não sabem a nota que o outro deu. Ambos realizam a correção através do sistema e, se não houver uma diferença maior de 100 pontos entre as notas dos corretores, o próprio sistema faz a média aritmética (soma da nota dos 2 corretores dividida por 2), que será a nota final do aluno.

Se a diferença entre as notas for maior que 100 pontos (do total de 1000), a redação será enviada para um terceiro corretor, que não saberá qual foi a nota dada pelos 2 outros. Se a nota dada por esse terceiro corretor for próxima (até 100 pontos de diferença) da nota dada por algum dos 2 corretores anteriores, a nota final do aluno será a média entre a nota desse terceiro corretor e a nota do corretor anterior da qual a nota do terceiro corretor se aproxima.

Mas e se a nota do terceiro corretor também for distante (mais de 100 pontos) das duas notas anteriores? Nesse caso a redação irá para uma banca composta por educadores mais experientes e especialistas. Essa banca irá definir a nota final da redação.

Temos ainda um caso especial: o das notas 1000. Essa é a nota máxima que você pode ter na redação. Se os 2 primeiros corretores derem nota 1000 ao aluno, então a média dele será 1000. Nesses casos, essa redação será enviada à banca (a mesma banca que analisa as redações com divergências de nota). Esse grupo especial de professores irá avaliar se correção dessa redação foi realmente justa e confirmar, ou não, a nota 1000.

É ainda importante citar os casos de desclassificação. Isso acontece quando o aluno não escreve ao menos 8 linhas, foge do tema, não elabora uma proposta ética de intervenção no problema ou faz algum deboche ao Exame (como inserir um hino de time, a letra de uma música ou uma receita de bolo).

A matriz de referência:

A Matriz de referência para redação dá importância, por exemplo, para a elaboração de uma proposta de intervenção. O impacto de erros gramaticais não é tão grande no conjunto da nota.

Entre as avaliações que o Enem se propõe a fazer, está a análise de se o aluno compreendeu o tema da proposta de redação, se ele consegue construir, de forma evolutiva, argumentos para sua tese, se ele consegue caracterizar autoria para seu texto e se ele consegue concluir o texto com uma proposta ética e inovadora de intervenção na situação problema apresentada.

Os professores selecionados para realizar a correção das redações do Enem têm de avaliar cada redação nas 5 competências descritas na matriz, conforme os níveis de pontuação que você pôde verificar.rem alcançados.

Mãos à obra

Agora que você já sabe o que é esperado da sua redação e sabe como será feita a correção, é importante que você dedique um pouco de seu tempo na elaboração de redações para as propostas que já foram cobradas pelo ENEM após a implantação desse modelo (dessa matriz para a redação). A seguir, você encontra 8 dessas propostas. Portanto, mãos à obra!

- Proposta de redação do Enem 2009

- Proposta de redação do Enem que vazou e não foi aplicado em 2009

- Proposta de redação do Enem 2010

- Proposta de redação do Enem 2010 nos presídios

- Proposta de redação do Enem 2011

- Proposta de redação do Enem 2011 nos presídios

- Proposta de redação do Enem 2012

- Proposta de redação do Enem 2012 nos presídios

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