Com greve de professores, governo de Minas dará aulas pela TV

Estado vai usar emissora estadual para tentar preparar os alunos para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem)

Denise Motta, iG Minas Gerais | 04/09/2011 07:00

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Milhares de alunos da rede estadual de Minas Gerais que pretendem fazer a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), no próximo mês, estão trocando a sala de aula pela sala de TV.

A greve dos professores do Estado, que completa 91 dias neste domingo, leva os alunos do último ano do ensino médio a ficarem ainda mais ansiosos com as decisões de uma vida: a escolha de uma profissão e a luta para entrar em uma universidade. Na tentativa de reverter a falta de aulas, o governador Antonio Anastasia (PSDB) anunciou que a Rede Minas, emissora de TV estatal, irá veicular questões com chances de serem abordadas no Enem. A medida, apesar de paliativa, é vista com bons olhos.

O estudante Marlon Miranda, 17 anos, que pensa em prestar vestibular para direito, afirma: “Vou assistir aos programas com as questões do Enem, pois acho que vai ajudar quem quer aprender, com certeza. Estamos muito prejudicados. Com certeza, três meses é muito tempo, muita matéria perdida”, comentou sobre a paralização parcial em sua escola, a Desembargador Rodrigues Campos, em Belo Horizonte.

Teremos pílulas durante a semana e, no sábado, um programa com duração maior. No sábado, os estudantes vão participar ao vivo, tirando dúvidas pelo telefone ou pela internet. Vamos focar nas áreas de mais difícil compreensão, selecionamos assuntos mais complicados e questões que normalmente geram mais dúvidas”

A subsecretária de Desenvolvimento de Educação Básica de Minas Gerais, professora Raquel Elizabete de Souza Santos, explica ser intenção do governo dar reforço no conteúdo escolar pela TV para todos os níveis do ensino, mas que "por estarmos perto da realização do Enem, o ensino médio teve prioridade na veiculação do conteúdo pela TV"

“Teremos pílulas durante a semana e, no sábado, um programa com duração maior. No sábado, os estudantes vão participar ao vivo, tirando dúvidas pelo telefone ou pela internet. Vamos focar nas áreas de mais difícil compreensão, selecionamos assuntos mais complicados e questões que normalmente geram mais dúvidas”, contou. Os conteúdos a serem veiculados englobam as áreas de ciências biológicas, química e física, sociologia e filosofia, geografia, história e matemática, além de espanhol, inglês, português e redação.

O chamado “Plantão Enem” começa a ser exibido no próximo dia 17. Com dois minutos de duração, eles serão exibidos de segunda a sexta. “É uma iniciativa inédita”, afirma a subsecretária. Haverá também o “Plantão Enem ao Vivo”, aos sábados e com uma hora de duração. A Rede Minas tem capacidade para atingir cerca de 700 das 853 cidades mineiras.

A greve

O governo informa que a greve atinge de forma integral 3% das escolas e de forma parcial 16%, mas o sindicato dos professores diz que a adesão à paralisação é maior, atingindo 50% de toda rede estadual, composta por mais de 4 mil escolas e 2,4 milhões de alunos.

Bárbara Virgínia, de 17 anos, aluna da rede estadual, optou fazer um cursinho particular para se preparar para o Enem. Por causa disso, ela, que sonha cursar medicina veterinária, se sente preparada, mas ressalta que seus pais têm um custo adicional por isto. “Minhas aulas voltaram há duas semanas, com professores substitutos e tem funcionado”, diz, também a favor do reforço pela TV.

A greve dos professores da rede estadual em Minas teve início em junho. Os professores e servidores da Educação buscam melhorias salariais e reivindicam o pagamento do piso nacional, de R$ 1.187,97 para 40 horas por semana.O Estado diz que paga mais do que isso, mas coloca na conta vantagens adquiridas, como gratificações por tempo de serviço, valores não considerados para férias e 13º salário.

Justiça

A Federação das Associações de Pais e Alunos de Escolas Públicas de Minas Gerais (Fapaemg) promete ir à Justiça Federal para tentar cancelar a prova do Enem no Estado. O presidente da Fapaemg, Mário de Assis, alega que os estudantes mineiros não estão em condição de igualdade para fazer a prova.

“Não vou me acovardar. Recorri a várias instâncias e agora vou acionar a Justiça”, diz Assis. O advogado da Fapaemg, Maurílio de Assis, afirmou ao iG que nos próximos dias entrará com um pedido de liminar para suspender o Enem. Ele explicou que utilizará como argumento manifestação do Ministério Público Estadual de que a perda de conteúdo neste ano letivo já é irreparável.

Nesta semana, o governador Antonio Anastasia reuniu-se em Brasília com o ministro da Edicação, Fernando Haddad, para discutir a situação delicada do Estado. O governador informou sobre a contratação provisória de 3 mil professores. Ao ser questionado por jornalistas sobre a possibilidade de adiamento do exame, o ministro disse que o “Enem é um exame nacional, e não estadual”.

Enquanto os professores pressionam pelo pagamento do piso nacional, o governo mineiro alega limites impostos pela lei de responsabilidade fiscal. Anastasia também cita como entrave cautela diante da crise econômica mundial. Na próxima semana, governo e professores voltam a tentar um acordo para acabar com a greve, a mais longa desde a década de 1990.

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57 Comentários |

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  • Milla | 17/09/2011 10:28

    Minas deve ser um país e ninguém sabe. Afinal, um estado que se acha acima das leis federais. Valha-me, Deus!

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    Teca | 20/09/2011 16:49

    Minas tornou-se um Estado absolutista, onde seu governante faz e desfaz a seu bel prazer...desfaz o plano de carreira dos educadores que lutaram uma vida toda para ter um ....agora vem com a história de subsídio, se é tão bom ele que coloque para os deputados e para ele e seu séquito.

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  • rejane rocha | 16/09/2011 21:42

    que goveno é esse que deixa os nossos fihos sem escolas ja tem 3meses eu mae estou triste pois o nosso estado nao tem educaçao para os nossos fihos ate´quando vai dura essa greve espero que o ministro da educaçao resolva isso ja que o governador de minas nao tem capacidade para resolver.

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  • Felipe | 15/09/2011 20:08

    Que sociedade estamos vivendo? Um povo que fecha seus olhos para tal situação, um governo que manipula a mídia mineira e nacional com propagandas enganosas falando sobre suas grandes obras em Minas. O que temos visto é a saúde da população cada vez pior a nível de atendimento, uma educação onde muitas escolas não têm infraestrutura adequada para uma tão aprendizagem de qualidade como disse a secretária de educação do estado. Infelizmente o governo precisa mascarar a real situação e alegar que paga o piso nacional. Em contra partida, vemos uma parcela da população caindo no " conto do vigário", mas está tudo bem, muitos se contentam em continuar vivendo em condições não tão boas.

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  • alanna kerlen | 15/09/2011 19:22

    acho que esta greve esta sendo muito ruim ois os alunos perdem matéria e como euficam prejudicados nas notas!!!!! AULA SIM GREVE NÃO

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    Ricardo Abreu | 19/09/2011 01:01

    Bom, quanto a isto pode ficar tranquila, pois as aulas serão repostas, agora cabe aos alunos mostrar que realmente precisam delas frequentando as reposições, não adianta falarem dos prejuízos causados, uma vez que vc como aluna sabe muito bem quantos alunos vão efetivamente às reposições, e quantos realmente levam a sério os estudos. A greve só não tráz prejuízos para o Governo, na verdade trás lucro, pois ele não está precisando pagar os professores e finge uma contratação que até o momento não preencheu todas as vagas, e as vagas que estão sendo preenchidas são por professores sem formação específica. E agora tem vindo com a história de contratar mais 12000 professores, como assim? Se ainda não conseguiu os 3500 que seriam para dar aulas para os alunos do 3o ano. Bom, cai na conversa do governo quem quiser, só posso achar lamentável. Trabalho com 8a ano, 1o, 2o e 3o anos... tenho 40 aulas e até hoje nenhum de meus alunos viram a cara de um substituto. Mas a sociedade prefere acreditar na mídia comprada pelo governo... Quando os políticos jogam pimenta nos olhos da gente é que os criticamos, não é mesmo?

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  • viviane | 15/09/2011 15:11

    eu sou mãe de aluno que os professores estão de greve ,estou indignada com esta demora para retornarem as aulas.Afinal quem esta falando a verdade? os professores ou Anastasia?

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    Ricardo Abreu | 19/09/2011 00:53

    Bom, Sra Viviane, aconselho a senhora participar de uma assembléia dos professores, ou pedir para ver o contracheque de alguns, estou certo que a esta altura do campeonato nenhum mais tem vergonha de mostrá-lo a senhora. Pesquise na internet do ponto de vista de quem está lá lutando, assim a senhora terá uma dimensão maior da coisa. Eu poderia tentar explicar para a senhora, mas como a dúvida é sobre a honestidade de um político (Sr. Anastasia" e dos professores "aqueles aos quais a Sr. confia a educação de seus filhos", então fica complicado eu querer esclarecer algo sabendo que estou do lado dos professores. Espero que a Sr. tenha o dicernimento para analisar bem a real situação. \n E aproveitando o espaço para comentar a visão do Sr José Carlos, creio que o Sr. não tem a menor idéia do que o governador de Minas quer fazer com a carreira do professor (quer simplesmente aniquilar) Tente seguir a orientação dada a Sr. Viviane. Depois diga se é um movimento realmente partidário como o sr insinua ser. O professor tb tem perdido muito com esta greve, e se estamos de pé´sem receber salários e sabendo que nosso sábado e férias tb estão comprometidos como os dos alunos, é porque temos total consciência de que nossa luta é por direitos reais e constitucionais.

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    Milla | 17/09/2011 10:25

    Sra Viviane e Sr. José: Sou mãe de aluno e também professora. Estou indignada também. Como professora ganho piso salarial de 550,00, com vantagens vou para 950,00 líquidos (tenho 10 anos de estado). Isso para uma carga horária de trabalho pesada, com inúmeras atividades. Tudo o que eu quero é que o governo me dê o que é MEU de direito. Para isso precisamos brigar. Aconselho o mesmo aos senhores: Vá para a justiça, exija que o governo dê educação de qualidade aos seus filhos. Eles merecem. Exija professores bem preparados e felizes, exija matérias adequadas ao contexto atual, exija condições dignas de estudo,exija PROFESSORES FORMADOS para substituir os grevistas. O governo abriu vagas para qualquer um pegar. NÃO PRECISA SER FORMADO. Quanto a fazer política, todos fazemos política, afinal vivemos em sociedade. Fazemos política quando reclamamos dos impostos, dos preços altos, do bolsa família. Aliás, vocês estão também fazendo política agora. Estão QUESTIONANDO e isso é muito bom. Votar, já sabemos. Precisamos agora questionar e exigir de forma politicamente correta. Em tempo: Um filósofo já disse: O HOMEM É UM ANIMAL POLÍTICO. Abraços. Milla

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    José Carlos | 15/09/2011 22:33

    Dona Viviane também sou pai de aluno e como a Sa. estou indignado, pois quem está perdendo são apenas os alunos, o governo não cede ou cede menos que os professores desejam, os professores estão radicalizando por politica, politicagem pura. Mas e os alunos, que vai repor as perdas, serão repostas a jato e o conteudo, escola publica já não está lá grande coisa depois disto! e nossos filhos e filhas, que será da formação intelectual e cultural destas crianças e adolecentes?

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