Alckmin diz que recusa a docentes obesas não é "questão de aparência"

Governador comentou caso de cinco aprovadas em concurso que teriam sido barradas no exame médico por conta do peso

Cinthia Rodrigues, iG São Paulo | 02/02/2011 15:54

Compartilhar:

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, admitiu nesta manhã que obesidade pode ser motivo para barrar a contratação de professores. Questionado sobre cinco profissionais que denunciaram ao jornal Folha de S.Paulo não terem sido aprovadas no exame médico por conta do peso, ele afirmou nesta manhã que “não é uma questão de aparência, mas legal”.

Foto: AE Ampliar

Governador fez entrega simbólica de kits escolares que serão distribuídos na volta às aulas

Segundo ele, os critérios técnicos são estabelecidos pelo estatuto do funcionário público, que exige "aptidão física". O governador, no entanto, disse que cabe recurso. “Caso o resultado do exame de saúde tenha sido considerado injusto, as pessoas podem recorrer. Se houver algum erro será imediatamente corrigido.”

De acordo com a reportagem, cinco mulheres com peso entre 90kg e 114kg, que haviam passado por concurso para efetivação na rede foram reprovadas no exame médico. Duas delas teriam ouvido dos médicos que a obesidade as reprovaria.

Ao todo, o Estado aprovou 9.304 novos professores aprovados em concurso no ano passado.

O sindicato dos professores (Apeoesp) divulgou nota de indignação com a decisão de impedir a contratação de obesas. "Nós temos reivindicado que o governo de São Paulo convoque todos os 56 mil aprovados no recente concurso e que realize mais concursos públicos para docentes na rede estadual, tendo em vista que faltam professores de diversas disciplinas e que não é mais possível manter um contingente tão elevado de professores não efetivos na maior rede de ensino do país. Entretanto, além de não atender nossa reivindicação, o governo estadual ainda utiliza justificativas inaceitáveis para impedir que candidatos aprovados tomem posse.", afirma a nota.

O secretário de Educação, Herman Voorwald, não quis falar sobre a questão da obesidade e disse que esta é uma questão da Secretaria de Gestão, responsável pelas contratações. Ele e Alckmin foram à escola estadual Roldão Lopes de Barros, no bairro do Ipiranga, em São Paulo, para anunciar a entrega de 4,5 milhões de kits escolares na volta às aulas na próxima semana.

Maratona para discutir mudança de ciclo

O secretário disse também que na segunda-feira enviará a todas as 5.217 escolas estaduais o esboço do projeto que altera os ciclos do ensino fundamental. A proposta é que em vez de um ciclo de cinco anos e outro de quatro, passe a haver três ciclos de três anos e a reprovação possa acontecer ao final de cada um deles. “Depois de enviado, vou fazer uma série de viagens e me reunir com diretores e supervisores para ouvir sugestões e discutir, quero que a rede participe disso”, disse Voorwald.

Segundo ele, a contratação de novos professores também é prioridade de sua pasta. "Por mim o professor seria contratado para ficar em uma escola só e criar vínculo com ela, permanecendo 30, 40 anos no mesmo local, mas ainda estamos analisando um projeto que avance nesta direção e garanta mais contratações", afirmou.

Inscrições abertas para Escola da Família

O governador Geraldo Alckmin aproveitou o evento para divulgar também as vagas abertas no programa Escola da Família. O governo paga a faculdade particular de universitários em troca da dedicação deles em atividades lúdicas realizadas dentro das escolas nos fins de semana. O programa havia sido criado pelo próprio governador em sua gestão anterior, foi reduzido pelo sucessor José Serra e agora é retomado. As inscrições podem ser feitas pelo site da FDE até o dia 11.
 

    Notícias Relacionadas


    59 Comentários |

    Comente
    • marli | 24/02/2011 21:03

      Ele é simplismente um patetico

      Responder comentário | Denunciar comentário
    • Ronaldo | 10/02/2011 16:07

      Um verdadeiro absurdo o que fizeram com estas pessoas. Concordo com uma das opiniões manifestada aqui, que diz que este tipo de posicionamento remete mesmo ao nazismo.
      Este ato de discriminação explícito deve ser motivo de repúdio veemente de toda a sociedade, sob pena de em um futuro próximo acontecerem coisas muito piores.

      Responder comentário | Denunciar comentário
    • Fábio | 06/02/2011 20:56

      Aos professores da rede estadual cabe trabalhar com a inclusão, nas suas diversas formas, em sala de aula. Trabalhar bullying, que existe e vem aumentando.

      E a inclusão destes "obesos" como fica? Ser gordo não significa ser limitado.

      Esta atitute é rótulo, há profissionais e "profissionais".
      Conheço professores obesos, com imc maior que 30, que são excelentes em sala de aula.
      Também há aqueles que só enrolam, magros, gordos, altos, baixos e outros, como em qualquer outra profissão.

      Acrescento que se fosse apresentado um estudo estatístico demonstrando que as licenças médicas são na sua maioria solicitadas por obesos, poderia até parar para refletir...


      Responder comentário | Denunciar comentário
      MARCOS SOBRAL | 08/02/2011 12:45

      Concordo. E tem mais: se obesidade é doença então todo o servidor que está na ativa e que seja obeso deve ser afastado para o Auxílio Doença. Ou seja, se obesidade não é incapacitante para quem está na ativa porque seria para quem está entrando?

      Denunciar comentário
    • Zen | 03/02/2011 02:30

      Pessoal, não complique. Obesidade é uma doença e deve ser tratada. Pessoas doentes não podem entrar no serviço público. É diferente de um portador de deficiência física, pois este não é considerado doente. É simples assim.

      Responder comentário | Denunciar comentário
      Meire | 07/02/2011 16:29

      Caro Zen
      Obsesidade é doença e não se discuti.Se a professora não pode ser contrata por estar obesa e doente, isso significa que quem esta contratado´e é obeso tem que ser afastado ou aposentado.
      No Brasil são 11% de obeso na idade adulta . Quanta gente para aposentar não? Desse jeito os magros vão trabalhar para sustentar os gordos.E vão trabalhar muitoooo.
      Absurdo. Quero minha aposentadoria já.

      Denunciar comentário
      Tiago | 05/02/2011 15:00

      Aos desmemorados de plantão fica o aviso: a eugenia já foi política pública na Europa nazi-fascista. Não podemos acusar as pessoas por atos que não vieram a termo. O princípio da dúvida é a garantia da isonomia. Ninguém pode ser acusado por algo que virá a acontecer. Essa semana chegaram os kits genéticos que apontam a possibilidade de desenvolvimento de mais de uma dezena de doenças congênitas, como problemas cardíacos, diabetes, alzheimer etc... Logo mais eles serão introduzidos nos concursos públicos como critério de eliminação também? Assim poderemos determinar quais serão os futuros funcionários públicos que demonstram geneticamente um melhor custo-benefício para a sociedade. É nesse mundo que vocês querem viver? Um mundo que julga melhor atirar primeiro e perguntar depois? Qual é a relação direta entre obesidade e aptidão como professor? Doença mesmo é a direitinha empatotada que não consegue ver a decadência do Estado de São Paulo frente às políticas públicas da última década. RUMO AO FUNDO DO POÇO SEM ESCALAS! O único problema é que eu não quero ser carregado junto! Como vamos resolver isso?

      Denunciar comentário
      tania | 03/02/2011 20:01

      Conheço uma colega e fez redução de estomago há 5 anos hoje ela tem 83 kilos , o laudo dela deu como inapta ok.
      Para ser professora OFA durante 17 ano com grande copetencia ela não era obesa? Então que ela se aposente ou receba um auxilio doença. Cada caso é um caso, que o governo de melhore os recursos saúde para que nós população e que professores tenhamos uma assistencia de qualidade no Iamsp. Com certeza esta minha colega não é simplesmente assim, agora sem seu emprego com certeza ira ficar pior.

      Denunciar comentário
      Eliada Caipira | 03/02/2011 14:51

      Alguem ja leu o Estatuto do Funcionario Público? pode ser um meio concreto para defender cada opinião. . . Será que o governo não poderia divulgar em qual artigo do estatuto tais professores foram enquadrados ?
      Bem , se a "situação" não gosta de "gordos' , façam como a 'oposição' : "Relaxe e goze".
      Nosso país parece um circo. faz tempo. Tiririca não poderia estar em melhor lugar.
      Aos professores que sofrem todo tipo de injustiça de nosso Estado, peço : Continuem lutando, precisamos de vocês...

      Denunciar comentário
      Rita | 03/02/2011 11:11

      Concordo com você Zen, em partes. Um (a) professor (a) obesa começa a lecionar e depois fica encostada por não aguentar dar aulas. Daí, a turma fica sem a matéria e, aquele (a) professor (a) fica encostada recebendo seu salário todo mês uma vez que, não pode ser demitida por motivo de doença.

      Denunciar comentário
    1. Anterior
    2. 1
    3. 2
    4. 3
    5. 4
    6. Próxima

    Antes de escrever seu comentário, lembre-se: o iG não publica comentários ofensivos, obscenos, que vão contra a lei, que não tenham o remetente identificado ou que não tenham relação com o conteúdo comentado. Dê sua opinião com responsabilidade!




    *Campos obrigatórios

    "Seu comentário passará por moderação antes de ser publicado"


    Ver de novo