Disciplina sobre 'golpe de 2016' entra nos planos de 13 universidades públicas

Após um professor da UnB propor a criação da matéria, outras universidades como USP, Unicamp, UFBA e UFRGS se mobilizaram nessa mesma direção
Foto: Marcelo Camargo/ABr
Pelo menos 13 universidades públicas terão aulas destinadas exclusivamente ao estudo do chamado 'golpe de 2016'

Chega a ser irônico. Afinal, além de ser a sigla do Partido dos Trabalhadores (PT), o número 13 representa também o tanto de universidades públicas brasileiras que já manifestaram interesse e se mobilizaram a fim de dar aulas destinadas exclusivamente ao estudo do chamado 'golpe de 2016' neste ano letivo.

A ideia partiu inicialmente do professor Luís Felipe Miguel, do curso de Ciências Políticas  da Universidade de Brasília (UnB) . O objetivo da disciplina “O golpe de 2016 e o futuro da democracia no Brasil”, proposta por ele, é de estudar os "elementos de fragilidade do sistema político brasileiro que permitiram a ruptura democrática de 2016, com a deposição da presidente Dilma Rousseff”, conforme informa o programa do curso.

A disciplina virou notícia na semana passada, quando o ministro da Educação, Mendonça Filho, reagiu às notícias sobre a disciplina na UnB e anunciou que acionará o Ministério Público Federal para apurar suposto “ato de improbidade” por parte do docente.

Ele afirmou que a universidade “não pode ensinar qualquer coisa”. Para Mendonça Filho, “se cada um construir uma tese e criar disciplina, as universidades vão virar uma bagunça geral”. O ministro também disse que o Brasil é um país democrático e que o impeachment seguiu os ritos legais, de forma que a disciplina nada mais faria que “reverberar a tese petista”.

Solidariedade

Apesar da briga comprada com o MEC, a matéria proposta por Luís Felipe Miguel está com a sala lotada e tem fila de espera. Além disso, depois da repercussão do curso da UnB, outras 12 universidades se mobilizaram, criando cursos e projetos de extensão sobre o período, as fases e as consequências do impeachment de Dilma Rousseff. 

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A Universidade Federal da Bahia (UFBA) definiu que 22 professores vão ministrar uma disciplina homônima. Os docentes envolvidos atuam em diversas áreas, como Sociologia, Economia e Química.

Além dela, a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) também dará um curso de extensão sobre o mesmo tema. Na Universidade de São Paulo (USP), um curso semelhante também será criado.

Na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), um grupo de professores do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH) prepara um curso livre sobre o tema. Nessa faculdades, até quem não é aluno da instituição poderá se matricular e acompanhar as aulas. 

"Repudiamos as declarações e ameaças do ministro da Educação do governo golpista contra nosso colega da UnB", disse a Unicamp, em nota. "Elas são a demonstração cabal de que vivemos em um contexto político autoritário, no qual a máxima autoridade federal no campo educacional infringe a liberdade de cátedra e a autonomia universitária contra um docente e cientista político que apenas cumpre seu dever de ofício: pesquisar, elaborar cursos sobre a realidade e ensinar".

Veja todas as universidades que pretendem abordar o tema em disciplinas específicas sobre o chamado 'golpe de 2016':

Universidade de Brasília (UnB);
Universidade de São Paulo (USP);
Universidade Estadual de Campinas (Unicamp);
Universidade Estadual da Paraíba (UEPB);
Universidade Federal da Bahia (UFBA);
Universidade Federal do Amazonas (Ufam);
Universidade Federal do Ceará (UFC);
Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF);
Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS);
Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN);
Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS);
Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC);
Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ).

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