Filho de taxista e dona de casa sem ensino médio completo, estudante conta que pais sempre o estimularam a estudar

Daniel Silva França procura uma república com vagas para homens na cidade de Lorena (a 180 km de São Paulo). Aprovado no curso de engenharia química da USP Lorena, aos 18 anos ele vai deixar a casa dos pais, em São José dos Campos, para seguir o sonho do ensino superior.

Aos 18 anos, Daniel Silva França vai deixar São José dos Campos para estudar na USP Lorena
Acervo pessoal
Aos 18 anos, Daniel Silva França vai deixar São José dos Campos para estudar na USP Lorena

A conquista não é banal. Filho de um taxista que estudou até o quinto ano do ensino fundamental e de uma dona de casa com ensino médio incompleto, ele será o primeiro da família a entrar na faculdade e ainda pode escolher. O estudante foi aprovado na USP, na Unesp e na PUC-Rio com bolsa do programa federal ProUni. 

"Meus pais me estimularam muito a correr atrás dos meus sonhos e utilizar o estudo para isso", diz França, que tenta com seu sucesso incentivar a irmã mais velha, de 22 anos, a entrar na faculdade e dar o exemplo para a mais nova, de 10 anos.

Foco e autonomia nos estudos fazem diferença

A trajetória de Daniel começou ainda na educação fundamental, quando estudava em uma escola municipal de São José dos Campos e foi incentivado a participar da Obmep (Olimpíadas Brasileiras de Matemática das Escolas Públicas). 

"Participei pela primeira vez no sétimo ano, em 2009. Depois em 2010, consegui a medalha de prata e em 2011 tive uma menção honrosa", conta. O impulso foi dado pelos professores da rede municipal que divulgavam a competição nacional de matemática na escola.

"Eu gostava de fazer exercícios, de me desafiar. Quando não sabíamos resolver algum problema da olimpíadas, levava para os professores da escola e eles ajudavam depois da aula." 

"Tive bons professores na escola pública", destaca ele, que diz que sempre teve mais facilidade com matemática e história. 

A partir do oitavo ano, conseguiu vaga em um projeto de reforço escolar, Ismart, e passou a estudar de manhã até o fim da tarde. E foi em período integral que continuou os estudos no ensino médio no Colégio Embraer, destinado a estudantes de escola pública com boas notas. 

No colégio vinculado à Empresa Brasileira de Aeronáutica, percebeu que aeronáutica não era seu maior interesse. "Meu pai queria que eu passasse no ITA. Mas no segundo ano, por influência de um professor de química que mostrava gostar muito da matéria, percebi que não era aquilo."

Para ele, saber em qual curso e em qual instituição queria entrar ajudou na preparação. "Fazia muitos exercícios parecidos com as provas que eu ia fazer e concentrei meus esforços nas matérias que eu era mais fraco."

Aprovado, ele agora só pensa em encontrar uma casa em Lorena. "Morar sozinho vai me ajudar a amadurecer um pouco, a aprender a me virar."

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