Instituição de ensino, que lança no Rio exposição e projetos de arquitetura para favelas, tem 21 vencedores de Prêmio Nobel. Brasil nunca teve nenhum laureado. Comente

Presidente da ETH, Ralph Eichler dirige instituição com 22 vencedores do Nobel
Berg Silva/Divulgação
Presidente da ETH, Ralph Eichler dirige instituição com 22 vencedores do Nobel

Em plena greve de 51 universidades públicas federais do Brasil, desde 17 de maio, o físico Ralph Eichler, presidente da ETH Zurich, prestigiosa instituição de ensino suíça, espantou-se ao ser perguntado se esse tipo de paralisação também acontece por lá.

“Greves na universidade? Não, nunca!”, disse ao iG , surpreso.

Leia também: Famosa, Cidade de Deus ganha projeto sustentável de universidade suíça

No Rio para o lançamento de uma exposição e de projetos de arquitetura da universidade ETH Zurich, o físico inaugurou nesta terça-feira a exposição Intercâmbio Favela-Cidade, em cartaz até 8 de julho , com imagens interativas e ideias de desenvolvimento sustentável para favelas do Rio, no Studio X.

O Studio X, na Praça Tiradentes (centro do Rio), é uma iniciativa mundial da Universidade Columbia, de Nova York – presente também em NY, Mumbai, Beijing (China) e Aman (Jordânia) – com o objetivo de “pensar as cidades de uma maneira aberta e sustentável”, explicou o diretor do escritório do Rio, o arquiteto carioca Pedro Rivera.

Albert Einstein foi um dos 21 professores da ETH a ganhar Nobel

Ralph Eichler e arquitetos da ETH passeiam no Complexo do Alemão
Berg Silva/Divulgação
Ralph Eichler e arquitetos da ETH passeiam no Complexo do Alemão

Com mais de 17 mil alunos, 428 professores em tempo integral e 10 mil funcionários, a ETH, Politécnica de Zurique, tem em sua história 21 vencedores de prêmios Nobel – sendo oito em Física, dez em Química. O mais célebre deles foi ninguém menos que o físico Albert Einstein, em 1921.

O segredo do sucesso e de tantos prêmios Nobel – o último foi em 2002 –, segundo Eichler, é “ter capacidade de decisão autônoma, contratar bons professores e ter bons alunos”. O presidente reconhece também que tudo fica mais fácil quando se tem dinheiro. “É uma universidade rica.”

Outro trunfo da ETH é a presença em grande escala de alunos internacionais, que representam 65% dos cursos de mestrado e doutorado, em inglês.

Como presidente da ETH, Eichler é o responsável maior por cuidar das finanças, da estratégia da universidade, por contratar professores e negociar com eles, obter financiamento e doações. Ele é a um só tempo, responsável pela parte acadêmica e administrativa da universidade.

Eichler contou que ficou “positivamente surpreso” ao caminhar pelo Complexo do Alemão e andar no teleférico. “A ideia que se tem de favelas é preconceituosa. É bem diferente das favelas indianas, por exemplo, muito mais estruturada.”

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.