Catorze anos após o fim da banda, Legião Urbana vende 20 mil cópias por mês

Diretor da gravadora diz que fenômeno semelhante no mercado brasileiro só é visto com os Beatles. Estão previstos relançamento da obra e dois filmes

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro |

Divulgação
Dado Villa-Lobos, Renato Russo e Marcelo Bonfá
Contrariando a máxima de que até Coca-Cola precisa de comercial para continuar vendendo, Legião Urbana aposta seu marketing na força de canções que continuam a conquistar os jovens, identificados com os versos de autoria de Renato Russo.

Uma pesquisa recentemente divulgada pela Ovi by Nokia, marca de serviços para internet, aponta que o grupo nacional campeão de downloads no País é ele, o Legião Urbana. O grupo, também integrado por Dado Villa-Lobos e Marcelo Bonfá, se desfez em 1996, com a morte do vocalista e seu principal compositor, Renato Russo, vitimado pela Aids. Ou seja, o Legião não chegou a pegar a fase da popularização da internet enquanto esteve no auge do sucesso. Mas se perpetuou com a geração seguinte.

Catorze anos após a morte do poeta e mentor do Legião, as canções permanecem embalando a juventude, como hinos de protesto ou de romances. Os discos do grupo, que fez seu primeiro show em 1982, ainda estão entre os mais vendidos em sua gravadora, a Emi Music, e suas músicas continuam configurando em listas das mais executadas nas rádios brasileiras.

De acordo com dados fornecidos pelo Escritório Central de Arrecadação e Distribuição (Ecad), durante o ano de 2009, entre os autores que mais arrecadaram com execução pública de suas obras, Renato Russo ocupa a 43ª. posição, à frente de nomes como Seu Jorge e o também já falecido Dorival Caymmi.

Segundo Luiz Garcia, gerente de marketing da gravadora responsável pela comercialização do grupo, o Legião vende cerca de 20 mil cópias por mês, entre todos os produtos do catálogo da marca. O que é um feito e tanto, em um mercado fonográfico cada vez mais diminuto devido à pirataria e ao comércio de músicas online. Para tanto, nem é preciso uma ação de marketing forte. “É mais fácil vender o Legião do que qualquer outro. De vez em quando fazemos campanha de preço, dispondo de três CD’s a preço de dois. Mas nem precisa tanto. Entre artistas que já não produzem inéditas, só os comparo aos Beatles, que também vendem sem precisar de esforço”, afirma.

Patrick Gosner / Divulgação
Legião Urbana ainda hoje atrai o interesse de milhões de brasileiros, catorze anos após o fim da banda

Relançamentos e novidades

De carona neste interesse permanente do público, incluindo aí os jovens - que não chegaram a conhecer Renato em vida -, a gravadora pretende lançar na segunda quinzena de outubro dois grandes projetos. O primeiro deles é o relançamento dos oito discos de estúdio da banda, que também serão comercializados em uma caixa branca, em formato de luxo – como foi feito com a discografia dos Beatles.

O segundo “presente” que os fãs do Legião aguardam para o mesmo mês é a chegada ao mercado dos vinis. “Os dois últimos trabalhos deles já haviam sido lançados apenas em formato compact disk. Vamos relançar tudo em LP, que é um produto muito bonito. Tem gente que nem tem toca-discos em casa, mas compra LP pelo valor simbólico, como decoração mesmo”, diz o gerente de marketing da gravadora. Estão de fora do projeto as coletâneas, discos ao vivo e o mais vendido até hoje, o Acústico MTV (com 1,5 milhão de cópias), de 1999.

Os vinis ainda não têm preço estimado, mas devem custar bem mais do que R$ 50, pelo alto custo de produzi-los atualmente. Manterão a foto original da capa, mas vão trazer textos inéditos, fotos e uma gramatura de 180 graus, bem maior do que os modelos antigos, o que imprimirá maior qualidade sonora.

"Faroeste Caboclo"

Felipe Bryan Sampaio
Giuliano, único filho do Renato Russo
Dois filmes estão sendo produzidos. Um deles, “Somos tão jovens”, contará a formação da banda, no começo dos anos oitenta, em Brasília, até o primeiro show já como o Legião Urbana. Sob direção de Antonio Carlos Fontoura, o elenco ainda está sendo escolhido. Para o papel de Renato, dois atores foram cogitados: Thiago Mendonça, que fez o sertanejo Luciano em “2 Filhos de Francisco”, e Caio Blat.

O outro longa é do brasiliense René Sampaio, e pretende narrar as aventuras de João de Santo Cristo, segundo a letra “Faroeste Caboclo”, uma das mais marcantes do rock nacional, com quase dez minutos de duração e nenhum verso repetido. Esta produção já se arrasta há quase cinco anos, devido a dificuldades de acordos entre o filho de Renato Russo, Giuliano Manfredini, com os integrantes da banda. Ambos os filmes ainda não têm data prevista para estreia.

Quem está cuidando da produção da trilha sonora é Giuliano. Agora que completou 21 anos, ele tomou à frente dos negócios envolvendo o nome de seu pai. “Temos que tomar mais cuidado com a parte ideológica do Legião, pensar em fazer coisas legais para os fãs. Renato já falava que os fãs é que são o verdadeiro Legião Urbana. Qualquer lançamento neste sentido não deve ser pensado primeiramente no lucro”, afirma.

Uma “legião” de meio milhão

E a banda também chegou à era digital. O site oficial, mantido pela gravadora, possibilita que todas as músicas sejam ouvidas através de "streamings". O internauta tem à disposição histórias, clipes e fotos. No site de relacionamentos Orkut, a comunidade “Legião Urbana” tem quase 540 mil seguidores, além de diversas outras sempre com mais de 20 mil integrantes cada. Se depender do fôlego que a banda mantém, a “geração Coca-Cola” ainda tem muito a dizer.

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG