Comédia "Intocáveis" diverte no limite do politicamente incorreto

Sucesso de bilheteria na França, filme mostra a relação entre milionário tetraplégico e seu cuidador ex-presidiário

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Comédia que bateu recorde de bilheteria na França em 2011, com cerca de 30 milhões de espectadores, "Intocáveis", da dupla de diretores e roteiristas Olivier Nakache e Eric Toledano, extrai sua graça dos contrastes, muitas vezes politicamente incorretos, entre um milionário branco e tetraplégico (François Cluzet) e um cuidador negro, pobre e ex-presidiário (Omar Sy).

Nenhuma comédia que se preze faz rir muito sem alguma provocação aos limites estabelecidos. E a boa notícia é que "Intocáveis" consegue andar na linha fina das próprias fronteiras com mínima possibilidade de ofender a sensibilidade de alguém.

Não foi à toa que Omar Sy conseguiu derrotar o franco favorito, Jean Dujardin, que ganhou até o Oscar de melhor ator por sua performance em "O Artista" , roubando dele o César 2011 de interpretação masculina em sua própria pátria.

O jovem ator de origem senegalesa, de 34 anos, é magnético e está completamente à vontade no papel de um provocador de mudanças, conseguindo uma ótima química com o premiado veterano François Cluzet, visto recentemente no drama "Até a Eternidade" .

A primeira sequência entrega o ritmo da história, mostrando Driss (Sy) dirigindo em alta velocidade pelas ruas de Paris o carro em que leva o patrão, Philippe (Cluzet). Perseguidos por policiais, que não deixam de manifestar uma velada reação racista ao motorista, os dois desmontam sua pressão quando Philippe simula à perfeição um ataque epiléptico.

Divulgação
O ator de origem senegalesa Omar Sy

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Depois se descobre que não é a primeira vez que os dois malandros aplicam o golpe, que invariavelmente termina com uma escolta da dupla até o hospital mais próximo, de onde saem pouco depois, às gargalhadas.

Esse tipo de aventura malcomportada entrou na vida de Philippe após o milionário romper as próprias regras na hora de contratar um novo cuidador - profissional do qual ele, que ficou tetraplégico depois de um acidente, depende totalmente para as mínimas funções do cotidiano, inclusive sua higiene íntima.

Cansado de empregados bonzinhos e que juram adorar cuidar de deficientes como ele, Philippe contrata Driss, que a bem da verdade nem queria o emprego. É que, como ex-ladrão em condicional, precisa periodicamente procurar trabalho, senão perde o seguro-desemprego. Sem querer, acabou contratado.

A decisão intempestiva põe de cabelo em pé a assistente de Philippe, Yvone (Anne Le Ny) e todos os demais empregados do milionário, que mora num apartamento fabuloso. Todo mundo acha que o patrão enlouqueceu e que sua segurança está em risco.

Daí em diante, o roteiro dará conta da interação crescente entre dois homens que não poderiam ter experiências de vida mais opostas e que, gradativamente, sentem-se à vontade um na companhia do outro, a ponto de experimentarem mutuamente as sugestões de gosto musical ou culinário um do outro - e que são completamente opostas, como se pode imaginar.

Boas surpresas vão surgindo numa história cujo andamento contraria muitos clichês habituais em produções hollywoodianas envolvendo deficientes físicos ou personagens de origem social ou racial diferentes. Não há qualquer situação induzindo à piedade, nem de Philippe, nem de Driss -que tem sua cota de sérios problemas familiares a resolver.

O ponto alto, certamente, está nas atuações e no entrosamento dos protagonistas. Sy e Cluzet parecem ter nascido para desempenhar seus respectivos papeis.


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