Em "Valente", Pixar sucumbe ao estilo Disney

Estúdio de "Wall-E" e "Up - Altas Aventuras" flerta com os contos de fadas em animação pouco inspirada

Guss de Lucca - iG São Paulo | - Atualizada às

É louvável que após 17 anos em atividade a Pixar coloque à frente de sua nova animação, "Valente", um personagem feminino como protagonista. Até então, as produções do estúdio foram estreladas por heróis masculinos – o cowboy Woody ("Toy Story"), o monstro Sullivan ("Monstros SA") e o carro Relâmpago McQueen ("Carros") são alguns exemplos.

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O problema é que a aventura da princesa Merida não está à altura do "estilo Pixar" de fazer cinema: aquele que busca por inovações tecnológicas e luta para contar uma história tocante e original.

Na verdade, "Valente" remete aos clássicos da Disney, companhia que adquiriu a Pixar em 2006 e cooptou seu principal criador, John Lasseter, transformando-o no grande diretor de criação da empresa.

Foi sob a tutela de Lasseter que a Disney recuperou o prestígio. Em 2009, o estúdio lançou "A Princesa e o Sapo" , longa que reativou seu departamento de animação tradicional, que havia sido fechado desde o fracasso de "Nem que a Vaca Tussa" (2004). Depois, em 2010, estreou "Enrolados" , versão atualizada do clássico Rapunzel.

Divulgação
Merida em cena de "Valente"

Enquanto a Disney tirou o melhor da Pixar, a Pixar acabou caindo nos estereótipos de contos de fada da Disney, com direito a princesa, bruxa e até ao bichinho falante. A troca é injusta.

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"Valente" conta a história da princesa Merida, cuja mão foi oferecida pelos pais aos herdeiros dos demais clãs escoceses à sua revelia. Angustiada, ela tenta a qualquer custo lutar por sua liberdade – nem que isso prejudique aqueles que ela mais ama.

O caminho para o lançamento do filme foi tortuoso. Além de ter demorado muito tempo para o padrão da Pixar, sua equipe enfrentou uma troca de comando no meio do projeto. De acordo com Lasseter, nas mãos de Brenda Chapman, a diretora original, a história estava muito focada na relação da princesa e sua mãe – o que deixaria o público masculino desinteressado.

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Em outubro de 2010, dois anos após o início do projeto, Chapman foi substituída por Mark Andrews, supervisor de "Os Incríveis" (2004) e "Ratatouille" (2007). Mesmo assim, a fábula da princesa Merida parece não decolar.

O visual do longa é deslumbrante – o expectador se sente dentro da Escócia. Mas sua heroína, apesar do ímpeto aventureiro, não foge do conflito comum à adolescente que se sente suprimida pelas expectativas da mãe.

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Apesar do tom dramático e de canções típicas dos contos da Disney, a trama possui alguns bons momentos, como quando os pretendentes da princesa são apresentados ou quando seus irmãos inventam uma maneira de ludibriar o pai e seus convidados com um falso urso.

"Valente" seria um filme ousado se levasse apenas a marca Disney. Dentro da Pixar, eclipsada pela qualidade de produções anteriores, não passa de uma história comum.

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