Carla Camurati: 'Quero distância de obras inacabadas'

A cineasta, que preside a Fundação Teatro Municipal do Rio de Janeiro, falou ao iG sobre o desafio da restauração do patrimônio carioca e dos novos desafios na carreira

Valmir Moratelli, iG Rio de Janeiro | 28/05/2010 01:03

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Responsável pelo filme que marcou a retomada do cinema nacional, “Carlota Joaquina”, de 1995, nos últimos anos a cineasta Carla Camurati esteve à frente do que considera seu maior trabalho. Desde 2007 como presidente da Fundação Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Carla comandou uma obra de R$ 75 milhões, para restauração completa de todo o edifício, que completou 100 anos em 2009.

Após alguns adiamentos, na noite de quinta-feira (27), o Theatro foi finalmente reaberto aos convidados em noite de gala, no centro da cidade. Visivelmente emocionada, logo após a cerimônia de reinauguração, a cineasta conversou com a reportagem do iG. Entre os próximos projetos, ela adianta, está a realização de um documentário sobre os 850 dias de obras do monumento.

Perguntada se comandaria mais uma vez uma restauração de grande porte de algum prédio carioca, Carla não foge. “Claro, nunca pensei nisso. Mas por que não? Quando aceitei este desafio, eu vim para ser feliz”, disse ela. Já sobre a possibilidade de, quem sabe, comandar a conclusão das obras da Cidade da Música, na Barra da Tijuca, ela rejeita sem titubear. “Deus me livre, de jeito nenhum. Isso não! Há uma grande diferença entre a reforma do Municipal e aquele prédio lá da Barra. Quero distância de obras inacabadas ”, afirmou, categórica.

Foto: AgNews

Carla Camurati chega ao Theatro Municipal ao lado do presidente Lula

iG: Teve algum momento que você ficou com medo de não dar conta de estar à frente de um projeto tão grandioso?

Carla: Claro, tive muito medo. Mas a primeira coisa que falei, assim que entrei no Municipal, já como presidente, foi ‘vim para ser feliz’. E percebi que tinha muita gente querendo vir ser feliz comigo. É nisso que sempre acreditei.

iG: Muitos criticaram o fato de você vir do cinema. De que forma lidou com críticas?

Carla: Eu dirigi várias óperas aqui mesmo no Municipal. Lidar com figurinos, com carpetes, tapeçaria, material humano... tudo isso eu já tinha feito com meus filmes. Vim preparada para as dificuldades, enfrentei todas elas de frente.

iG: Também foi inaugurado, há alguns dias, em Buenos Aires, o teatro Colón. Dá para rivalizar com o do Rio?

Carla: Aquele lá demorou três vezes mais para ficar pronto. E não tem comparação. O do Rio dá de dez a zero, faça-me o favor (risos).

iG: A sensação de reinaugurar o Theatro é semelhante a uma estréia no cinema?

Carla: É diferente a beça. Cacá Diegues me falou uma coisa muito interessante. Ele disse que uma obra dessa é como fazer um filme, porque se trabalha muito e se precisa de muito dinheiro. Mas a diferença é que o Theatro nunca sai de cartaz, o filme sim.

iG: Comandaria outra restauração de prédio histórico, como esse?

Carla: Olha, não recuso desafios. Então, claro, nunca pensei nisso. Mas por que não? Quando aceitei este desafio, eu vim para ser feliz, como te disse. E fui e estou sendo muito feliz com esta entrega à cidade. Por favor, cita na matéria, que tive apoio do governo e de empresas sérias. Porque a imprensa nunca cita isso, mas é muito importante. Só assim tive como levar a obra até o fim.

iG: Foi difícil pedir dinheiro a empresas privadas?

Carla: Eu levei fotos da realidade do Municipal para os dirigentes verem. Chegava em suas salas quase que aos prantos, falando: “vejam com seus próprios olhos a situação em que se encontra o Theatro”. E eles: “Calma, Carla. Vamos te ajudar”. Foi assim, na base da emoção.

iG: Já tem gente comentando que só você para finalizar as obras da Cidade da Música.

Carla: Deus me livre, de jeito nenhum. Isso não! Há uma grande diferença entre a reforma do Municipal e aquele prédio lá da Barra. Quero distância de obras inacabadas.

iG: Seu mandato termina junto com o do governador Sergio Cabral, em dezembro. Vai sentir saudade do Municipal? Ou ciúme da próxima gestão?

Carla: É engraçado quando meus amigos me perguntam isso. Aqui não é a minha casa, não é uma relação sentimental, é um dever. Não tenho apego ao cargo de presidente da fundação. O Theatro é de todos. Brinco dizendo que não arrumei um trabalho, mas um amante, um amante dodói, que precisava da minha atenção integral, para ser cuidado e ficar bom de novo.
 

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