"Niemeyer fez de tudo, mas não conseguiu fazer um estádio de futebol"

Os ministros Aldo Rebelo e Celso Amorim falam sobre Niemeyer durante o velório no Palácio do Planalto; Dilma Rousseff decreta luto de sete dias

Luciana Lima - iG Brasília | - Atualizada às

Várias autoridades, incluindo a presidenta Dilma Rousseff, acompanham o velório de Oscar Niemeyer no Palácio do Planalto. No trajeto até o local, o cortejo percorreu inúmeros monumentos projetos por Niemeyer, como o Museu da República, a Esplanada dos Ministérios e o Palácio do Itamaraty.

Dilma Rousseff decretará luto de sete dias, a contar a partir desta quinta-feira.

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O ministro do Esporte, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), comentou a atuação política de Oscar Niemeyer. O arquiteto filiou-se em 1945 ao Partido Comunista, o antigo PCB, e fez parte de uma geração que "ajudou o País a se tornar mais inteligente".

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Ele lembrou que nessa época também eram colegas de partido de Niemeyer nomes como Graciliano Ramos, Jorge Amado e Carlos Drummond de Andrade. "Ele deixa para o Brasil uma herança benigna de inteligência e cultura."

O ministro também lembrou que Niemeyer não conseguiu construir no Brasil um estádio de futebol. Ainda jovem ele chegou a fazer um desenho para o estádio do Maracanã, mas o projeto não foi escolhido.

TUDO SOBRE OSCAR NIEMEYER

Reprodução
Projeto do Maracanã de Oscar Niemeyer

"Ele fez de tudo na sua arte: Igrejas, palácios, avenidas e um sambódromo, mas não conseguiu fazer um estádio de futebol. Mais tarde, ele mesmo reconheceu que o projeto escolhido foi o melhor."

O ministro da Defesa, Celso Amorim (PT-RJ), também contou uma história inusitada que demonstra o reconhecimento internacional de Oscar Niemeyer. Em viagem a Argélia, o ministro se surpreendeu ao pegar uma cédula de 200 dinares argelinos ilustrada com o prédio da Universidade de Constantino, obra do arquiteto.

"Era um homem extraordinário. O Brasil tem que ter orgulho de ter tido uma pessoa com tanta criatividade", disse o ministro.

Entre as centenas de coroas de flores enviadas ao Palácio do Planalto nesta tarde, entre elas uma do ex-presidente Lula e outras de diversos governadores, duas chamam a atenção pelo teor histórico: a da Associação de Candangos Pioneiros de Brasília e a da família do urbanista Israel Pinheiro, grande parceiro do Niemeyer na construção da capital federal.

A viúva de Oscar Niemeyer, Vera Lúcia, e os seus cinco netos acompanham o velório no Palácio do Planalto. A única filha do arquiteto, Anna Maria Niemeyer, morreu 82 anos em junho deste ano, vítima de um enfisema pulmonar.

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