Morte de Mário Lago completa 10 anos

Compositor, poeta e ator esteve em alguns dos mais importantes filmes e novelas do país; veja imagens de sua trajetória

iG São Paulo |

Mário Lago (1911-2002) não era um artista qualquer. Para onde quer que atirasse, o carioca acertava o alvo. Se formou em direito, mas teve sucesso mesmo como compositor, poeta, dramaturgo, escritor (teve 12 livros publicados), ativista e ator em todas as mídias – rádio, televisão, cinema e até fotonovela. A morte do artista completa 10 anos nesta quarta-feira (30) sem dar sinais de que seu legado irá arrefecer.

Galã do teatro de comédia na década de 1940, Lago já conhecia a fama havia algum tempo. Aos 15 anos publicou seu primeiro poema e, logo depois, começou a escrever suas primeiras músicas. A marchinha de carnaval "Aurora" não demorou para cair na boca do povo e "Ai, que saudades da Amélia" fez de sua heroína sinônimo de mulher dedicada ao lar – inserir um verbete no dicionário não é para qualquer um.

Siga o iG Cultura no Twitter

"Nada Além" e "Atire a Primeira Pedra" são outras composições que contribuíram para o cancioneiro de Lago se tornar obrigatório em qualquer antologia da música brasileira, na voz de estrelas como Ataulfo Alves, Orlando Silva e Carmen Miranda. Durante sua vida, eventualmente fazia shows em que cantava suas músicas e contava causos da boemia e da militância política.

Lago foi próximo do Partido Comunista, visitou a União Soviética nos anos 1950 e, como consequência, teve os direitos políticos cassados na ditadura militar. Com a anistia, ficou à frente da campanha Diretas Já e, membro do PT, apresentou os programas da primeira candidatura de Lula à presidência, em 1989.

Das rodinhas de samba, Lago pulou para a Rádio Nacional, onde escreveu e atuou em dezenas de programas. No cinema, integrou o elenco de "Assalto ao Trem Pagador" (62), "Terra em Transe" (67), "São Bernardo" (71) e muitos outros filmes.

Na TV, então, o currículo é vasto, com intensidade maior entre as décadas de 1960 e 1990. Estão lá novelas sagradas da teledramarturgia nacional, da primeira versão de "Selva de Pedra", passando por "Dancin' Days", "Guerra dos Sexos", "Cambalacho" e "O Clone", sua despedida da televisão.

Em 2011, comemorou-se o centenário de nascimento de Mário Lago. O projeto , encabeçado por Mario Lago Filho, rendeu a exposição "Eu, Lago sou - Mário Lago, um homem do Século 20", encerrada na semana passada no Arquivo Nacional do Rio de Janeiro, e prevê o lançamento de um documentário com direção de Marco Abujamra ("Macalé, um morcego na porta principal"). Também está sendo preparado o disco "Canções Inéditas e Poemas Musicados", com a participação de convidados como Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Frejat e Lenine.

    Leia tudo sobre: mário lago

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG