Vazamento na Bacia de Campos pode ser 10 vezes pior que o divulgado

ONG especializada em interpretação de imagens de satélite estima que derramamento seja de 594 mil litros por dia

iG São Paulo |

Reprodução
Imagem tirada em 14 de novembro pelo satélite MODIS/Aqua mostra a mancha de óleo na Bacia de Campos
De acordo com a ONG SkyTruth, especializada em interpretação de fotos de satélites com fins ambientais, o problema no campo Frade, na bacia de Campos, pode ser dez vezes pior do que o divulgado pela Chevron. A análise das imagens do satélite Modis/Aqua, da Nasa, tiradas no dia 12 de novembro, mostram que a mancha de óleo aparentemente vinda do poço Frade se estende por 2.379 quilômetros quadrados. A Chevron anunciou na terça-feira (15) que tomou a precaução de fechar o poço na superfície, como medida de segurança, e atualmente está no processo de vedar e abandonar o poço.

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“Assumindo que o vazamento começou no dia 8 de novembro, nós estimamos que a taxa de vazamento seja de 3.738 barris por dia (594.294 litros). O que é dez vezes mais que o estimado pela Chevron (330 barris por dia, ou 52.465 litros)”, informou a ONG em seu blog. A SkyTruth foi um dos primeiros a anunciar a dimensão do vazamento do Golfo do México em 2010.

A partir de imagens de satélite, que mostravam a área da mancha de óleo na Bacia de Campos - 2.379 quilômetros quadrados - foi possível estimar o volume de óleo. O estudo usou a menor espessura possível de óleo, um mícron. A partir deste cálculo, a SkyTruth concluir que o poço no Campo Frade já derramou cerca de 15 mil barris de óleo (2.384.809 litros) no mar.

Dispersão do óleo gera aumenta área da mancha
A assessoria de imprensa da Chevron afirmou ao iG que estimativa para o volume total do vazamento é de 400 a 650 barris. A Chevron Brasil anunciou nesta terça-feira (15) a redução do vazamento de óleo no Campo Frade garantiu que o poço de petróleo danificado será selado e abandonado com a aprovação da Agência Nacional de Petróleo (ANP). A empresa ressaltou, em nota, que 17 navios participam da contenção e recolhimento do petróleo derramado.

Divulgação
Navios de apoio usando barreiras para recolhimento do óleo na Bacia de Campos
Em comunicado, a ANP informou que a cimentação teve início nesta quarta-feira (16) às 12h30. Foi colocado um tampão de cimento cujo tempo de secagem é estimado em 20 horas. De acordo com a ANP, as imagens do ROV (veículo de operação remota), cedidas pela Chevron, indicam redução do vazamento em relação à sexta-feira (11), quando era estimado pela concessionária em 220 a 330 barris por dia.

Em nota, a ANP afirmou que a mancha de óleo está se dispersando e se afastando do litoral brasileiro. "Essa dispersão gera um aumento da superfície de mancha, com menor densidade de óleo. Essa diluição é resultado do trabalho de dispersão mecânica realizada por navios que se encontram no local e por condições climáticas".

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“Precisamos de imagens de satélites mais atuais, pois as dos últimos dias estavam cobertas por nuvens”, disse ao iG o geógrafo John Amos, diretor do site SkyTruth. Amos afirma que como seu cálculo usou a menor espessura possível, o vazamento na Bacia de Campos pode ser ainda maior.

John Amos lembra que de a guarda costeira americana considera qualquer vazamento maior que cem mil galões entra para a categoria máxima de vazamento. Na bacia de Campos de acordo com os cálculos da SkyTruth, foram ou 628.000 galões derramados.

“Embora não seja uma quebra de recorde no que diz respeito a desastres ambientais, o vazamento na Bacia de Campos é muito sério. Em comparação com o do golfo do México ele é não é muito menor, mas não dá para chamá-lo de insignificante”.

“Estou muito esperançoso, pois parece que o duto não foi avariado pelo o que mostram as imagens”, disse.

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Contatada pelo iG , a ANP ainda não divulgou uma nota oficial sobre as informações divulgadas pela SkyTruth. Em comunicado, a ANP afirma que causa do vazamento ainda é desconhecida. A principal hipótese, levantada pela concessionária, é de que uma fratura provocada por procedimento estabilização do poço tenha liberado fluido que vazou por uma falha geológica, formando a mancha identificada no dia 8.

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"O que foi detectado é que com a perfuração houve aumento de pressão em algum ponto e houve essa fissura na rocha que fez com que o óleo vazasse", disse à Reuters o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Florival Carvalho.

De acordo com a ANP, o abandono do poço prevê, em primeiro lugar, o emprego de lama pesada para "matar" o poço e testar a eficácia dessa medida para estancar o vazamento. Em seguida, será usado cimento para vedar o poço de forma definitiva. Segundo o cronograma previsto, o vazamento do poço deverá estar controlado nos próximos dias.

(Com informações da Reuters e EFE)

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