Vazamento na Bacia de Campos pode ser 10 vezes pior que o divulgado

ONG especializada em interpretação de imagens de satélite estima que derramamento seja de 594 mil litros por dia

iG São Paulo | 16/11/2011 16:30 - Atualizada às 20:43

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Foto: Reprodução Ampliar

Imagem tirada em 14 de novembro pelo satélite MODIS/Aqua mostra a mancha de óleo na Bacia de Campos

De acordo com a ONG SkyTruth, especializada em interpretação de fotos de satélites com fins ambientais, o problema no campo Frade, na bacia de Campos, pode ser dez vezes pior do que o divulgado pela Chevron. A análise das imagens do satélite Modis/Aqua, da Nasa, tiradas no dia 12 de novembro, mostram que a mancha de óleo aparentemente vinda do poço Frade se estende por 2.379 quilômetros quadrados. A Chevron anunciou na terça-feira (15) que tomou a precaução de fechar o poço na superfície, como medida de segurança, e atualmente está no processo de vedar e abandonar o poço.

Leia mais: Chevron vai fechar e abandonar poço danificado na Bacia de Campos

“Assumindo que o vazamento começou no dia 8 de novembro, nós estimamos que a taxa de vazamento seja de 3.738 barris por dia (594.294 litros). O que é dez vezes mais que o estimado pela Chevron (330 barris por dia, ou 52.465 litros)”, informou a ONG em seu blog. A SkyTruth foi um dos primeiros a anunciar a dimensão do vazamento do Golfo do México em 2010.

A partir de imagens de satélite, que mostravam a área da mancha de óleo na Bacia de Campos - 2.379 quilômetros quadrados - foi possível estimar o volume de óleo. O estudo usou a menor espessura possível de óleo, um mícron. A partir deste cálculo, a SkyTruth concluir que o poço no Campo Frade já derramou cerca de 15 mil barris de óleo (2.384.809 litros) no mar.

Dispersão do óleo gera aumenta área da mancha
A assessoria de imprensa da Chevron afirmou ao iG que estimativa para o volume total do vazamento é de 400 a 650 barris. A Chevron Brasil anunciou nesta terça-feira (15) a redução do vazamento de óleo no Campo Frade garantiu que o poço de petróleo danificado será selado e abandonado com a aprovação da Agência Nacional de Petróleo (ANP). A empresa ressaltou, em nota, que 17 navios participam da contenção e recolhimento do petróleo derramado.

Foto: Divulgação Ampliar

Navios de apoio usando barreiras para recolhimento do óleo na Bacia de Campos

Em comunicado, a ANP informou que a cimentação teve início nesta quarta-feira (16) às 12h30. Foi colocado um tampão de cimento cujo tempo de secagem é estimado em 20 horas. De acordo com a ANP, as imagens do ROV (veículo de operação remota), cedidas pela Chevron, indicam redução do vazamento em relação à sexta-feira (11), quando era estimado pela concessionária em 220 a 330 barris por dia.

Em nota, a ANP afirmou que a mancha de óleo está se dispersando e se afastando do litoral brasileiro. "Essa dispersão gera um aumento da superfície de mancha, com menor densidade de óleo. Essa diluição é resultado do trabalho de dispersão mecânica realizada por navios que se encontram no local e por condições climáticas".

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“Precisamos de imagens de satélites mais atuais, pois as dos últimos dias estavam cobertas por nuvens”, disse ao iG o geógrafo John Amos, diretor do site SkyTruth. Amos afirma que como seu cálculo usou a menor espessura possível, o vazamento na Bacia de Campos pode ser ainda maior.

John Amos lembra que de a guarda costeira americana considera qualquer vazamento maior que cem mil galões entra para a categoria máxima de vazamento. Na bacia de Campos de acordo com os cálculos da SkyTruth, foram ou 628.000 galões derramados.

“Embora não seja uma quebra de recorde no que diz respeito a desastres ambientais, o vazamento na Bacia de Campos é muito sério. Em comparação com o do golfo do México ele é não é muito menor, mas não dá para chamá-lo de insignificante”.

“Estou muito esperançoso, pois parece que o duto não foi avariado pelo o que mostram as imagens”, disse.

Leia mais:Ibama afirma que técnicos cumprem plano da Chevron

Contatada pelo iG, a ANP ainda não divulgou uma nota oficial sobre as informações divulgadas pela SkyTruth. Em comunicado, a ANP afirma que causa do vazamento ainda é desconhecida. A principal hipótese, levantada pela concessionária, é de que uma fratura provocada por procedimento estabilização do poço tenha liberado fluido que vazou por uma falha geológica, formando a mancha identificada no dia 8.

Leia outras notícias sobre vazamentos de petróleo pelo mundo:
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"O que foi detectado é que com a perfuração houve aumento de pressão em algum ponto e houve essa fissura na rocha que fez com que o óleo vazasse", disse à Reuters o diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), Florival Carvalho.

De acordo com a ANP, o abandono do poço prevê, em primeiro lugar, o emprego de lama pesada para "matar" o poço e testar a eficácia dessa medida para estancar o vazamento. Em seguida, será usado cimento para vedar o poço de forma definitiva. Segundo o cronograma previsto, o vazamento do poço deverá estar controlado nos próximos dias.

(Com informações da Reuters e EFE)

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34 Comentários |

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  • Sérgio | 17/11/2011 18:09

    Cadê agora o pessoal de Belo Monte? Cadê a Marina Silva? E o Greenpeace (que por sinal só cumpriu tabela -- no máximo -- no episódio do Golfo do México)?\nE a grande imprensa brasileira? Eu fiquei sabendo desse episódio grotesco apenas por um blog, que repercutiu informações de um site ESTRANGEIRO. E a imprensa, por que esconde isso?\nOs veículos de mídia que silenciam sobre um desastre dessas proporções, na costa BRASILEIRA, são os mesmos que gritam palavras de ordem contra a corrupção! E que depois de conseguir o que queria de cada episódio, não acompanham o desfecho para saber se as denúncias estavam corretas, se verbas públicas foram restituídas ao erário, se responsáveis foram punidos.\nHoje não é mais possível estar bem informado pelos grandes jornais e pela televisão. No máximo, é possível estar bem iludido!

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  • Valente | 17/11/2011 16:08

    Quando era só a Petrobras isso nunca tinha acontecido foi só colocar os megambiciosos americanos na parada que começa a palhaçada, esse povo só pensa em $$$$$, nem as praias deles eles tem responsabilidade quanto mais as nossas.

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  • bruno | 17/11/2011 13:10

    Sim! Mas queremos saber das punições pelas tragédias ambientais por derramamento de óleo provocados pela PETROBRAS e TRANSPETRO. Por falar nisso, as multas contra a PETROBRAS pelas tragédias no periodo de 1980 - 2010, deveriam somar 2,6 trilhões de reais, se compararmos com as multas aplicadas às empresas privadas. Esperamos que a PETROBRAS tenha pago e esse dinheiro esteja no tesouro.

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  • bruno | 17/11/2011 13:07

    |Sim! Mas queremos também que as tragédias ambientais com derramamento de óleo no mar provocados pela PETROBRAS e TRANSPETRO também sejam investigadas. Por falar nisso, as multas contra a PETROBRAS

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  • JULIO SPÍNOLA | 17/11/2011 09:26

    A DESPEITO DO AVANÇO DA TECNOLOGIA NÃO É POSSÍVEL AVALIAR SE A ROCHA É MULTIFRATURADA. ASSIM, COMO NO GOLFO, O VAZAMENTO OCORRE EM INÚMERAS FRATURAS.\nE AGORA, SEM OS ROYALTES, QUEM ASSUMIRÁ OS PREJUÍZOS AMBIENTAIS?\nSe houvesse um tubo de aço passando pela rocha o petróleo só vazaria se este se rompesse ou se penetrasse pelas paredes internas do poço entre o tubo e a rocha.\n TALVEZ POR MEDIDA DE ECONOMIA ESTES NÃO O FIZERAM ASSUMINDO OS RISCOS DA PERFURAÇÃO SEM SEGURANÇA.\nIsto já é comum noutras jazidas que as 7 IRMÂS exploram.\nPETROLIFERAS AMERICANAS E HOLANDESAS FAZEM, AGORA, UM DESASTRE AMBIENTAL IGUAL AO EXXON VALDEZ POR ANO:\n\n,,,"O acidente com uma plataforma de petróleo nos Estados Unidos deixou muitos habitantes do delta do Níger, na Nigéria, espantados. A surpresa, porém, não foi causada pelo acidente, mas pela repercussão no mundo. Há cinco décadas, a região do rio Níger foi continuamente atingida por milhares de vazamentos, que já despejaram em suas águas quase 550 milhões de galões de petróleo. A cada ano, o equivalente a todo o óleo derramado pelo acidente com o Exxon Valdez, até mês passado o maior desastre ambiental dos EUA, vazam no delta"...\nhttp://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=2

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  • NAVEGADOR | 16/11/2011 23:36

    Será que agora os Estados que não produzem petroleo vão vir aqui no Rio limpar nossas praias?

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  • renato | 16/11/2011 23:21

    as baleia vão pagar o pato quando elas subirem a tona para respirar o que encontrao uma grade cagada!! desses idiotas que põe tecnologia america ultrapassada para perfurar e explorar um poço de petróleo.

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  • Álvaro | 16/11/2011 23:09

    Já pensaram se, além dos riscos que corremos e degradações ambientais que sofremos com acidentes desse tipo, compartilhassemos os royalties gerados pela exploração de petroleo na nossa costa com Estados que não correm risco algum? seria (será) justo?

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  • raphael | 16/11/2011 22:55

    amigos o acidente ainda esta ocorrendo ainda esta em processo de expansão quando mais se espalha mais animais marinhos se contaminam e morrem\ne mais cedo mais tarde vale lembra que esse pescado vai para na nossa mesa é um problema serio envolve muitas coisas dependendo da maré esse oleo pode chegar nas regiões costeiras do rio de janeiro se tiver em período de resurgência pode chegar mais rapido ainda estao acabando com nossas praias e oq me deixa mais indiguinado e a restao dos royallites que os outros estados tanto cobição mais quando o impacto ocorre quem sofre e o povo da costa do rio de janeiro que tera sua economia abalada caso esse oleo se aproxime cidades que vivem de suas pelas praias e do turismo cuidado vamos torce para que contenham o vazamento

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  • hudson | 16/11/2011 22:09

    É uma coisa dificil de entender, pro eike que é brasileiro foi colocado todo tipo de impencilho e criticas para a exploraçao do petroleo, agora aparece a chevron que ninguen sabia que estava aqui causa um estrago desse e a imprensa nao ve nada. se fosse o eike ou um outro investidor brasileiro como seria esta situaçao na visao da emprensa?

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