Greenpeace quer mobilizar população para proteger florestas

Diretor nda ONG Kumi Naidoo fez um apelo para que presidenta do país tome medidas que beneficiem o povo brasileiro no longo prazo

Maria Fernanda Ziegler, enviada a Manaus* |

Maria Fernanda Ziegler
Navio Rainbow Warrior, do Greenpeace, atracado em Manaus: início da viagem pelo Brasil
O Greenpeace lançou hoje em Manaus (22) a campanha do Desmatamento Zero, lei de iniciativa popular de proteção das florestas nativas, como reação à votação do novo Código Florestal no Congresso . O lançamento foi feito a bordo do barco Rainbown Warrior, atracado no porto de Manaus, onde inicia uma viagem até o Rio de Janeiro, prevista para terminar em julho. Entenda a polêmica sobre o novo Código Florestal.

A ideia é criar uma lei de iniciativa popular até 2014 sobre a proteção das florestas nativas, proibindo a supressão de florestas nativas em todo o território nacional. A lei de iniciativa popular segue a premissa de que precisa da assinatura de 1% dos eleitores para que o congresso deva votar. Para isto a ONG pretende se associar com associações populares, religiosas e usar seus voluntários para coletar um milhão e quatrocentas assinaturas.

“O Brasil é a sexta maior economia do mundo e se tornou a sexta maior economia vendo a queda do desmatamento. Isto é um exemplo claro de que não é preciso destruir a floresta para se tornar uma economia forte”, disse Kumi Naidoo, diretor mundial do Greenpeace, presente em Manaus. Naidoo lembrou, no entanto, que a “triste realidade” é que mesmo com a redução do desmatamento o Brasil, ele continua sendo o segundo maior destruidor de florestas, logo depois da Indonésia. “As mudanças do código florestal brasileiro estão relacionadas a crimes e criminosos do passado. A lei de desmatamento zero está relacionada ao futuro”, disse.

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De acordo com a ONG, esta lei do Desmatamento Zero não se aplicaria em questões de segurança nacional, defesa civil e pesquisa. Teria também como exceção imóveis rurais de agricultura familiar por 5 anos e obrigaria o estado a prover políticas publicas tecnológica para o desenvolvimento do imóvel rural. Terras indígenas e populações tradicionais, de acordo com o projeto de lei, continuariam sendo regidos pela legislação especifica de hoje.

“Há um divórcio entre a opinião pública e os representantes do povo. Queremos fazer uma lei de iniciativa popular que seja votada no Congresso. A gente quer preservar as florestas tropicais do mundo. Queremos replicar para outros países”, disse o diretor da Campanha Amazônia do Greenpeace, Paulo Adario.

Nadoo aproveitou a cerimônia para cobrar um posicionamento diferente da presidenta Dilma. De acordo com o diretor do Greenpeace, a presidenta tem uma oportunidade única para mostrar ao mundo que o Brasil está comprometido em acabar com destruição florestal.

“Eu gostaria de sair um pouco do meu papel de líder do Greenpeace e fazer um apelo a presidente Dilma como um africano. Os povos da África são claramente os menos responsáveis da mudança climática, mas nós estamos sendo os primeiros a pagar o preço das mudanças climáticas com milhares de vítimas . A escolha da presidente Dilma é simplesmente essa: permitir lucros de curto prazo para pouca gente, ou escolher tomar medidas de sustentabilidade que beneficiam o povo brasileiro no longo prazo”, disse.

*A repórter viajou a convite do Fórum Mundial de Desenvolvimento Sustentável.

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