Estudo mostra que super erupções vulcânicas podem ser previstas

Pesquisa mostra que há mudanças na composição do magma de supervulcões décadas antes de uma erupção acontecer

Alessandro Greco, especial para o iG |

Getty Images
O parque de Yellowstone, nos Estados Unidos, fica em um supervulcão adormecido
A força das maiores explosões vulcânicas expele tanto magma que o espaço vazio deixado por ele ao sair do reservatório faz com que tudo que está acima venha abaixo. Esses erupções, que criam as chamadas caldeiras vulcânicas, chegam a arremessar o magma milhares de quilômetros cúbicos na atmosfera. Os sinais de que ela vai acontecer, porém, são desconhecidos devido a sua baixa frequência – mas como seu poder de destruição é altíssimo, cientistas do mundo todo procuram por meios de prever quando uma super erupção pode acontecer.

Agora, pesquisadores liderados por Timothy Druitt, da Universidade Blaise Pascal, na França, descobriram que grandes mudanças ocorrem na composição do magma pouco antes dessas grandes erupções. O trabalho foi feito com base no estudo dos cristais de rochas vulcânicas da erupção Minoica, do vulcão de Santorini, na Grécia, ocorrida em cerca de 1.600 A.C, e que expeliu entre 40 e 60 quilômetros cúbicos de magma.

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Ele revelou que o reservatório de magma responsável pela erupção recebeu grandes quantidades de magma quente entre um século e alguns meses antes da erupção. “Ficamos surpresos que os cristais deste grande volume de magma fossem tão jovens – a maioria com poucas décadas de vida na época da erupção. A razão é que a erupção Minoica foi precedida por milhares de anos de uma calma relativa, mas o vulcão aparentemente foi reativado e a câmera de magma teve um rápido crescimento décadas antes da erupção. Isto significa, primeiro, que esses sistemas podem ficar dormentes por longos períodos, mas se reativar rapidamente, em uma escala de tempo humana. Segundo, mostra que se monitorarmos essas grandes caldeiras vulcânicas dormentes (e existem muitas delas pelo mundo) então temos uma chance maior de detectar os sinais relativos à reativação delas muitos anos antes da erupção. Obviamente há caldeiras, como Yellowstone, nos Estados Unidos, que já são muito monitoradas, mas há diversas caldeiras isoladas em outras partes do mundo, como nos Andes, que não são”, explicou Druitt ao iG .

Prever uma dessas próximas erupções não é, porém, trivial. “Conseguimos olhar para os cristais apenas após a erupção. Podemos, no entanto, usá-los para determinar quais os processos que ocorrem antes dela acontecer e então usar instrumentos para tentar detectar sinais geofísicos e geoquímicos do despertar das caldeiras atuais”, afirmou Druitt.

O trabalho foi publicado nesta quarta-feira (1º) no periódico científico Nature.

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