Estudo que contou com a participação de brasileiros provou, pela primeira vez, que variedade de plantas facilita preservação

Paisagem de vegetação do semi-árido na Árgentina
Fernando T. Maestre
Paisagem de vegetação do semi-árido na Árgentina
Estudo que envolveu 50 pesquisadores, inclusive dois brasileiros, concluiu que quanto mais espécies de plantas em zonas de clima árido e semi-árido, mais fácil de preservar o ecossistema, pois aumenta a capacidade delas executarem diferentes funções como manter a fertilidade do solo, controlar a erosão e regular e o clima. De acordo com o estudo, a preservação da diversidade de plantas nestes pontos do planeta pode atenuar as mudanças climáticas e o processo de desertificação.

“Embora já houvesse evidências de que a biodiversidade é importante para o bom funcionamento dos ecossistemas, este é o primeiro trabalho a avaliar explicitamente relações entre a função do ecossistema e da biodiversidade em condições naturais, em uma escala global em zonas secas”, afirmou ao iG Roberto Romão, professor titular da Universidade Estadual de Feira de Santana, que participou do estudo publicado nesta quinta-feira pelo periódico científico Science.

Os pesquisadores tiveram como base mais de 2600 de amostras de solo e 224 observações diretas em ecossistemas naturais espalhados em todos os continentes, exceto na Antártida. “Neste estudo, analisou-se 14 variáveis relacionadas com o ciclo de elementos, tais como carbono, nitrogênio e fósforo, que por sua vez, são bons indicadores do funcionamento dos ecossistemas, comomanutenção de fertilidade do solo, controle de erosão, regulaçãodo clima através do fixação do CO 2 atmosférico.”, explicou Romão.

As zonas áridas são de grande importância mundial pois cobrem 41% da superfície terrestre, abrigam 38% da população humana, e tem uma grande importância para a manutenção da biodiversidade global, uma vez que nelas estão 20% dos principais centros de diversidade de plantas e 30% das principais áreas de aves endêmicas.

“Estes ecossistemas são também muito vulneráveis às alterações climáticas e à desertificação, dois dos principais problemas ambientais enfrentados pela humanidade”, pontuou Romão. E completou: “Nesse sentido, os resultados indicam que o aquecimento global que sofre o planeta diminuirá a funcionalidade das zonas áridas, com um impacto negativo na sua capacidade de produzir serviços essenciais para a manutenção da vida no planeta”.

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