Parasitas habitam intestino de animais há muito mais tempo que se imaginava

Por Maria Fernanda Ziegler - iG São Paulo | - Atualizada às

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Pesquisadores brasileiros descobriram larva de tênia em fezes fossilizadas de tubarão de 270 milhões de anos

Divulgação
Pesquisadores encontram mais antigo fóssil de larva de tênia. Na imagem, Paula Dias trabalha em sítio arqueológico no Rio Grande do Sul

Estudo realizado no Rio Grande do Sul revelou que parasitas, como a tênia ou solitária, são mais antigas que o imaginado. Em um sítio arqueológico na região de São Gabriel eles descobriram várias amostras de fezes fossilizadas de tubarão de 270 milhões de anos e a análise de uma delas continha um parasita muito parecido com a tênia. Os registros mais antigos de parasitas eram de 100 milhões de anos.

“Isso mostra que os parasitas sempre habitaram o intestino dos vertebrados ao longo da evolução. Conseguimos estabelecer uma linha do tempo sobre a evolução dos parasitas que hoje encontramos em suínos, peixes e carnes.”, disse ao iG a geóloga Paula C. Dentzien Dias, autora do estudo publicado no periódico científico PLoS ONE. Paula explica que as fezes fossilizadas eram de ancestrais de tubarões que provavelmente comeram peixes com a larva e a tênia. “Algo muito parecido com o que acontece atualmente”, disse.

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A descoberta, feita por acaso, representa o mais antigo coprólito (fóssil de fezes) encontrado. Paula explica que como o material é de rápida decomposição a formação de coprólitos é raríssima. “Tem que ter pouco oxigênio, pois se decompõem facilmente. Nesta região, que acreditamos que tinha um rio e um lago, foram encontradas mais de 500 amostras de cropólitos”.

Os sítios arqueológicos da região de São Gabriel, no Rio Grande do Sul, estão gerando grandes descobertas nestes últimos anos. Nesta mesma região foram descobertos o crânio do carnívoro mais antigo da América do Sul, vivia há 260 milhões de anos no Brasil, e um ancestral de mamíferos com dentes de sabre e herbívoro que habitou o planeta há 260 milhões de anos.

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