Retrospectiva 2012: Os dez cientistas do ano

Veja quem são os personagens do mundo científico e acadêmico que mais se destacaram em 2012

iG São Paulo | - Atualizada às

O homem que assumiu para a imprensa que sua equipe havia sim descoberto o Bóson de Higgs; o engenheiro que criou uma estratégia mirabolante para pousar um jipe de uma tonelada em Marte; o chefe de um dos maiores centros de sequenciamento de genomas do mundo e o matemático que desafiou o modelo de publicação de artigos científicos são alguns entre as personalidades científicas do ano, em uma lista compilada pelo periódico Nature e divulgada em sua edição desta semana. São eles:

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Rolf-Dieter Heuer

Rolf-Dieter Heuer, diretor-geral do CERN (Centro Europeu de Pesquisa Nuclear) - Coube a este alemão de 64 anos, que dirige a instituição desde 2009, a tarefa de acalmar os ânimos dos chefes dos experimentos CMS e ATLAS, que buscavam o Bóson de Higgs  e convencê-los que sim, havia algo entre os últimos resultados de suas pesquisas, que deveria ser anunciado ao mundo. Cautelosos, os dois físicos não queriam divulgar a descoberta antes de estarem 100% seguros, o que apenas aconteceria no fim do ano. Combinou-se então que os dois apenas apresentariam os resultados e caberia a Heuer a confirmação oficial para imprensa e opinião pública: o CERN havia descoberto a chamada partícula de Deus.



Reprodução/Nasa
Cynthia Rosenzweig

Cynthia Rosenzweig, do Instituto NASA Goddard para Estudos Espaciais - A climatóloga americana é especialista nos impactos do aquecimento global na agricultura e nas conglomerados urbanos. Seu trabalho em um comitê sobre Mudanças Climáticas na prefeitura de Nova York levou à adoção de novas medidas de infraestrutura que atenuaram as consequências da Tempestade Sandy na cidade.







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Adam Steltzner

Adam Steltzner, engenheiro do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa - O chefe da equipe responsável pelo pouso do jipe-robô Curiosity em Marte, em agosto, não passa despercebido, com seu topete engomado, roupas extravagantes e comportamento histriônico. Pesando 900 quilos, o Curiosity não podia pousar como seus antecessores, e para resolver o problema, Seltzner criou um projeto inédito e arriscado, que se valia de cabos e um guindaste aéreo. Se não funcionasse, os cinco bilhões de reais gastos na missão teriam sido jogados no lixo. Mas após dois alarmes falsos de mau funcionamento, o robô pousou perfeitamente e a equipe comemorou aos gritos e aplausos.



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Cédric Blanpain

Cédric Blanpain, biólogo da Universidade Livre de Bruxelas - Seu método para traçar linhagens de células e monitorar seu comportamento e reprodução em tecidos vivos de cobaias trouxe descobertas importantes este ano no campo das células-tronco de tumores: enquanto algumas células não desaparecem após algumas divisões, outras geram milhares de descendentes, contribuindo para o crescimento do câncer. Seu estudo permitirá novas estratégias de tratamento.













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Elizabeth Iorns

Elizabeth Iorns, fundadora da Iniciativa de Reprodutibilidade - Uma experiência científica para ser considerada válida tem que ser reproduzida várias vezes, sempre com os mesmos resultados. É algo que parece básico, mas a pesquisadora Elizabeth Iorns descobriu que nem sempre esse princípio é seguido quando tentou reproduzir um experimento sobre genética de câncer descrito em um periódico. Com isso, ela fez de sua bandeira que estudos publicados se submetessem ao escrutínio público, e em 2012, fundou uma organização que pede que os autores submetam seus artigos para serem replicados, e os resultados, publicados no periódico PLoS One. De acordo com ela, a validação traz mais visibilidade e com isso, a ciência só tem a ganhar.





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Jun Wang

Jun Wang, diretor executivo do BGI - O instituto de sequenciamento genômico chinês é a maior operação do gênero no mundo, sendo responsável por mais da metade da capacidade de sequenciamento atual do mundo. O BGI, que é uma instituição sem fins lucrativos, tem oito escritórios fora da China e trabalha com mais de dez mil colaboradores em várias universidades e empresas; sua ambição é sequenciar o código genético de todos os organismos vivos do planeta. Só em 2012 foi citado em mais de 100 publicações e iniciou uma parceria com a Fundação Gates para traduzir todo este conhecimento acumulado em aplicações para o dia-a-dia, como testes para doenças genéticas e melhorias em produtos agrícolas. O homem por trás de tudo isso? Seu diretor Jun Wang, de 34 anos.







Reprodução/Howard Hughes Medical Institute
Jo Handelsman

Jo Handelsman, microbióloga na Universidade de Yale - A cientista pediu a mais de 100 pesquisadores que avaliassem dois currículos de alunos de graduação para um emprego em seus laboratórios, sem contar que se tratava de dois documentos fictícios absolutamente iguais, com uma única diferença: o gênero do candidato. Nesse levantamento, ela descobriu o preconceito contra mulheres na ciência -- o salário oferecido ao homem era consideravelmente maior e os entrevistados declaravam muito mais interesse em contratá-lo. Estudos como o de Jo ajudam a revelar os motivos da pouca presença feminina na academia e na pesquisa científica.


Reprodução/Google Plus
Tim Gowers

Tim Gowers, matemático da Universidade de Cambridge - Frustrado com os custos de publicação de seus artigos na Elsevier, uma das maiores editoras de periódicos científicos do mundo, Gowers escreveu um post-desabafo em seu blog que desencadeou um movimento de boicote global, assinado por mais de 13.000 cientistas e que fez a gigante editorial rever alguns de seus princípios.












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Bernardo di Bernardinis

Bernardo De Bernardinis, vice-diretor do Departamento Italiano de Defesa Civil - O engenheiro foi condenado por homicídio culposo em outubro, por ter tranquilizado a população de L'Áquila a respeito dos riscos de um terremoto que acabou matando mais de 300 pessoas em 2009. De Bernardinis diz que foi mal interpretado e a comunidade científica considera o veredito perigoso, porque abre espaço para que cientistas possam ser responsabilizados por desastres naturais cuja previsão, muitas vezes, está além do seu alcance. Mas todos esperam que o caso possa trazer melhor sistemas de prevenção de desastres na Itália.









Divulgação/Science
Ron Fouchier

Ron Fouchier, virologista do Centro Médico Erasmus, em Roterdã - O holandês foi o responsável por uma das grandes polêmicas científicas do ano: seu estudo sobre mutações do vírus H5N1 , da gripe aviária, que podem fazer com que ele seja transmitido pelo ar e se torne uma pandemia, tinha sido embargado para publicação no fim do ano passado, a pedido do órgão de biossegurança dos Estados Unidos, que receava que seus resultados fossem usados para criar armas biológicas. Por fim, a publicação foi autorizada, ainda que as pesquisas estejam suspensas desde janeiro para evitar que o vírus mutante caísse nas mãos erradas.

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