Parentes e amigos fazem manifestação após enterro de mulher linchada no Guarujá

Por Agência Brasil |

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Mulher foi espancada por moradores depois de ter sido confundida com uma suposta sequestradora de crianças

Agência Brasil

Carregando cartazes com pedidos de justiça, parentes e amigos da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, 31 anos, morta após ser linchada no Guarujá, litoral paulista, fizeram um protesto na manhã de hoje (6). A manifestação ocorreu após o enterro da dona de casa, no Cemitério Municipal Jardim Paz do Morrinho. Ela foi espancada depois de ter sido confundida com uma suposta sequestradora de crianças.

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Adolescente foi preso pelo pescoço por uma trava de bicicleta, no Rio, após ser suspeito de cometer um roubo. Foto: Reprodução internetA dona de casa morreu na manhã desta segunda-feira (5), depois de dois dias internada em UTI. Foto: Reprodução/YoutubeFabiane Maria de Jesus, de 31 anos, foi linchada em Guarujá após ser confundida com uma suposta sequestradora de crianças. Foto: Reprodução/YoutubeFabiane foi agredida no último sábado (3) por dezenas de pessoas e deixada inconsciente. Foto: Reprodução/YoutubeMulher é carregada por moradores após ser agredida em Guarujá. Foto: Reprodução/YoutubePolícia Militar foi acionada após moradores tentarem agredir adolescente que confessou ter matado a filha em São Paulo. Foto: Edison Temoteo/Futura PressÔnibus depredado em São Paulo. Motorista fugiu após atropelamento por medo de ser linchado. Foto: EDISON TEMOTEO/AE/AECarro de estudante que atropelou os colegas em universidade em São Paulo. Veículo foi destruído por alunos que queriam linchar atropelador após o acidente. Foto: Futura Press

Primo de Fabiane, Fabiano Santos das Neves, 33 anos, ajudante geral, falou da emoção de perder um ente querido de forma tão brutal. "Tenho uma mistura de sentimentos. Tristeza, dor, angústia, não tem nem como explicar ao certo. É uma sensação de impotência, [mas] eu creio que a justiça de Deus não falha", disse.

Segundo ele, novos protestos contra o linchamento de Fabiane estão marcados para amanhã (7), às 10h, e domingo (11), às 14h. "A gente quer que não aconteça com outras pessoas o que aconteceu com a Fabiane. A gente quer paz, que comece a ter um verdadeiro amor ao próximo, algo que sumiu", declarou.

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Fabiano conta que a prima era uma pessoa que amava crianças e que, além de cuidar de duas filhas – uma de 1 ano e outra de 12 anos –, tomava conta de filhos dos parentes e vizinhos. "Ela era uma ótima pessoa, que só vivia sorrindo. Uma pessoa alegre, para cima, que sempre estendia a mão para as pessoas. É sofrimento saber que uma pessoa inocente perdeu a sua vida por um boato."

Aline Francisca da Silva Barbosa, 24 anos, era amiga de infância e vizinha de Fabiane. "Ela era uma pessoa muito boa, que não fazia mal a ninguém. Não tem nada de sequestro, a Fabiane vivia com muitas crianças, minha filha ficava com a Fabiane, brincava com as crianças dela", contou. "Isso que fizeram com ela foi uma crueldade, [essas pessoas] são um bando de monstros. A gente está indignado, a gente está revoltado, a gente quer justiça. Queremos que pare por aqui. A gente vai continuar lutando por ela", disse.

De acordo com ela, Fabiane havia descolorido o cabelo no dia anterior ao seu linchamento, o que a fez ficar parecida com a imagem postada na internet, que gerou a confusão e terminou com o linchamento da dona de casa. Na página Guarujá Alerta, no Facebook, uma postagem dizia para as mães tomarem cuidado com os filhos, pois uma mulher de cabelos loiros sequestrava crianças para usar em rituais. O boato se espalhou principalmente no bairro do Perequê.

Aline disse que as crianças do bairro estavam realmente assustadas, pois receberam orientações para não aceitar alimentos de estranhos. Momentos antes do linchamento, Fabiane saiu para fazer compras em um sacolão, depois ofereceu uma banana a uma criança na rua, o que gerou confusão. De acordo com a vizinha, uma Bíblia que Fabiane carregava também foi confundida com um livro de rituais. Fabiane foi linchada por um grupo. "Nessa hora, tinha gente que conhecia [Fabiane] e tentou defender, mas apanhou também. Eram vizinhos e conhecidos da igreja", disse ela.

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