Reedição da Marcha da Família pede intervenção militar no País

Por Carolina Garcia - iG São Paulo | - Atualizada às

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Com o objetivo de "salvar o Brasil do comunismo", manifestantes percorreram as ruas do centro de São Paulo; quatro pessoas foram detidas

Mulher é presa durante a Marcha da Família em SP. De acordo com a PM, ela pixou uma faixa e deve responder por crime ambiental. Foto: Carolina GarciaNa Marcha da Família, menino segura cartaz pedindo Brasil sem PT. Foto: Carolina GarciaNa igreja da Sé, manifestante levanta imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil. Foto: Carolina GarciaMarcha da Família chega a igreja da Sé, no centro de São Paulo. Foto: Carolina GarciaManifestantes seguram faixa pedindo a intervenção militar. Foto: Carolina GarciaIgreja da Sé estava com as portas fechadas neste sábado (22). Foto: Carolina GarciaDupla que ironizou Marcha foi hostilizada por manifestantes. Foto: Carolina GarciaManifestantes rasgaram cartazes e sugeriram que duplo fosse morar em Cuba. Foto: Carolina GarciaManifestante tinha bandeira do Brasil tatuada no braço. Foto: Carolina GarciaMuitos cartazes criticavam o governo e pediam o retorno dos militares. Foto: Carolina GarciaManifestantes saíram da praça da República em direção à igreja Sé. Foto: Carolina GarciaAos gritos de "queremos os militares no comando do Brasil", manifestantes iniciaram a marcha, neste sábado (22), em São Paulo. Foto: Carolina GarciaManifestantes se reuniram na Praça da República, no centro de São Paulo, para a reedição da Marcha da Família . Foto: Carolina GarciaMuitos chegaram com cartazes apoiando as forças armadas. Foto: Carolina GarciaSeminarista Gabriel Picoli, de 20 anos, participa da reedição da Marcha da Família. Foto: Carolina GarciaCartazes também criticavam governo. Foto: Carolina GarciaManifestantes pediram intervenção militar . Foto: Carolina GarciaMuitos vestiam roupas com as cores da bandeira do Brasil e tecido camuflado. Foto: Carolina GarciaManifestantes na Marcha da Família carregaram bandeiras do Brasil . Foto: Carolina GarciaCartazes foram confeccionados antes da Marcha da Família, na Praça da República em São Paulo. Foto: Carolina GarciaHino nacional é ouvido durante a concentração da Marcha da Família. Foto: Carolina Garcia


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A reedição da "Marcha da Família com Deus pela Liberdade", em São Paulo, contou com mil pessoas, sendo grande parte formada por curiosos, de acordo com a Polícia Militar. O número de manifestantes neste sábado foi menor do que a página do grupo no Facebook previa. Nas redes sociais, ao menos 2 mil pessoas confirmaram presença. Entre faixas, camisetas e adereços militares, todos gritavam por uma imediata intervenção militar no Brasil, um golpe contra a atual presidente Dilma Rousseff, chamada de terrorista pelos presentes.

Ao menos 150 homens da Polícia Militar, entre a Força Tática e a chamada Tropa do Braço, foram deslocados para fazer a segurança da manifestação. O ato percorreu as ruas do centro da capital. Por volta das 16h, o movimento marchou da Praça da República até a Praça da Sé, que era ponto de encontro para a segunda manifestação do dia, a Antifacista, que relembrou os violentos e crimes contra os direitos humanos da Ditadura.

Manifestantes comemoram reedição da Marcha aclamando a PM e a ROTA:


Já na concentração da Marcha ocorreram os primeiros atritos com manifestantes chamados de "petistas", por usarem peças de roupa vermelhas, cor do Partido dos Trabalhadores (PT). A PM precisou ser acionada para intervir aos gritos de "Lula ladrão" e "PT roubou". Um fotógrafo chegou a ser agredido no tumulto. Outros dois incidentes chamaram a atenção nesta tarde. Um grupo de 30 pessoas que seguia para o show do Metallica passou por apuros. Os metaleiros vestiam preto e foram confundidos com black blocks. Logo, manifestantes da Marcha começaram a gritar "lixo, lixo". Felizmente, o equívoco foi desfeito e não houve embate.

Dois homens não tiveram a mesma sorte dos metaleiros. Carregando cartazes da "Marcha da quase Família" e com vestes de empregadas domésticas, eles não foram bem recebidos pelos manifestantes. Rapidamente tiveram seus cartazes rasgados e foram hostilizados. "Vai para Cuba", gritaram os manifestantes. Muitos jornalistas homens foram hostilizados e chamados de comunistas por participantes porque tinham barba. Durante todo o trajeto a Marcha contou como plano de fundo o Hino Nacional, que foi cantado ao menos dez vezes.

O ato terminou por volta das 18h30 já no seu destino final, a Praça da Sé, com um saldo de quatro pessoas detidas pela PM. Todos teriam sido encaminhados ao 8º DP. Entre os presos, uma jovem que irá responder por crime ambiental, por ter pichado a faixa de um manifestante e outros três homens foram enquadrados por agressão, um deles teria atirado uma pedra na cabeça de um tenente da PM. Outro teria acertado um policial com uma lâmpada.

Veja depoimento da designer de jóias Flávia Lucena, 46 anos:


Marcha para quê?

Os organizadores do evento dizem que há ameaça comunista no Brasil e pedem a volta dos militares ao poder para acabar com a corrupção e moralizar o País. Para tanto, decidiram fazer a reedição da Marcha da Família com Deus pela Liberdade.

Em 19 de março de 1964, a Marcha da Família com Deus pela Liberdade, convocada por parte da elite paulistana e da classe média, reuniu mais de 200 mil pessoas e protestava contra a "ameaça comunista". O ato virou símbolo do golpe que tirou o presidente eleito João Goulart do poder em 1º de abril.

Veja depoimento de Abraão Alberto Silva, 54 anos, durante Marcha:

Às 15 horas deste sábado (22), manifestantes chegaram à Praça da República, no centro de São Paulo, com roupas camufladas que lembravam o Exército e carregando imagens de santos, uma alusão à Igreja. Muitos seguravam cartazes e estavam enrolados em bandeiras do Brasil.

Aos gritos de “um, dois, três, quatro, cinco, mil, queremos os militares no comando do Brasil”, os manifestantes seguiram em direção à Praça da Sé, às 4h20. Foram deslocados 150 homens da PM, Força Tática e Tropa do Braço para fazer a segurança da manifestação.

“O País esta perdendo o seus valores e indo para o ralo. Não podemos suportar isso. Queremos resgatar os valores com os militares no poder”, disse o técnico em enfermagem, Abraão Alberto Silva, 54 anos, durante a reedição da Marcha.

Mesmo com a decepção com o País, o ufanismo era forte entre os manifestantes. Nas duas primeiras horas de evento, foi possível escutar três vezes o hino nacional. No carro que abria a marcha, a imagem de Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, agradou religiosos. Um grupo de seminaristas apoiou o uso da imagem já que para eles, ela representa o mais puro sentimento de humanismo e família.

Veja como foi a concentração na Praça da República:

O seminarista Gabriel Piccoli, 20 anos, veio prestar apoio ao movimento e acredita que a intervenção militar pode ser uma opção. Ele só discorda do tom dado ao movimento, como ofensas a presidente Dilma, tratada como terrorista e comunista pela maioria dos manifestantes.

“Ao contrário do que muitos pensam, nós seminaristas estamos muito ligados no que acontece no Brasil. Se os militares resgatarem os valores morais da sociedade eles são uma opção sim. Tudo é bem vindo menos o comunismo e o socialismo que são abomináveis”, disse.

Leia tudo sobre: marcha pela família

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