Movimento admite que não tem condições de controlar manifestantes e responsabiliza o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin por vandalismo em protestos

Representantes do Movimento Passe Livre responsabilizaram o prefeito Fernando Haddad e o governador Geraldo Alckmin pelos saques, depredações e atos de vandalismo registrados durante o sexto protesto pela redução da tarifa de transporte urbano de São Paulo.

Segundo o MPL, a postura dos governantes, que eles classificam com intransigente em recusar a revogação do aumento, desencadeou uma “revolta popular generalizada” a qual o movimento não tem condições de controlar. “A gente está vendo uma revolta popular generalizada que começou com o aumento da tarifa. Se alguém deveria fazer alguma cosia para conter isso, se alguém deve se preocupar com isso, é o prefeito Fernando Haddad que deveria revogar já o aumento da tarifa e o governador Geraldo Alckmin”, disse Marcelo Hotimsky, 19 anos, estudante de filosofia da USP e representante do MPL.

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O movimento admitiu que não tem condições de controlar os manifestantes, se eximiu de responsabilidades e evitou condenar os atos de vandalismo. “Convocamos sempre as manifestações de forma pacífica, não incentivamos em hipótese alguma o uso de violência como aconteceu ontem. Mas é importante deixar claro que é impossível controlar centenas de milhares de pessoas que estão na luta contra o aumento”.

Na avaliação do MPL, hoje houve um retrocesso por parte da prefeitura em relação a ontem : “Cada vez mais o prefeito tem se mostrado autoritário”, afirmou Hotimsky.

Ontem, ele e o também representante do MPL, Matheus Prei, disseram ao iG que acreditavam numa revogação do aumento ainda esta semana. Hoje, depois das declarações do prefeito, a avaliação do movimento é mais pessimista. “Com certeza, o prefeito deu uma declaração bem complicada, ele está se recusando a atender as reivindicações da população”, disse a estudante de direito da USP, Nina Cappelo, que também é representante do MPL.

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Antes da coletiva realizada no Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, os integrantes do MPL leram uma nota com críticas a Haddad e a Alckmin. Segundo o movimento, o prefeito erra ao dizer que a redução da tarifa vai diminuir o investimento em outras áreas, como saúde e educação, e, ao mesmo tempo, em se recusar a reduzir a margem de lucro das empresas de transporte.

Alckmin é criticado por ter se recusado desde o inicio dos protestos a manter qualquer forma de diálogo com os manifestantes a não ser por meio da Polícia Militar e da Secretaria de Segurança Pública. “O governo do Estado se cala e desaparece do debate público se negando a dialogar e criando uma ideia de que essa é uma questão única de segurança pública”, diz a nota.

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