Ministério Público instaurou um inquérito para apurar suposta improbidade adminitrativa de agentes municipais. Prefeitura diz que laudo sobre incêndio é com o Corpo de Bombeiros

A investigação sobre a tragédia que matou mais de 230 pessoas na boate Kiss , em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, atingiu, nesta terça-feira, a disputa política. Minutos depois de o Ministério Público instaurar um inquérito civil para apurar suposta improbidade administrativa de agentes da gestão municipal, o prefeito Cezar Schirmer (PMDB) convocou numa entrevista coletiva para jogar a responsabilidade pela fiscalização da boate no colo do Corpo de Bombeiros, que é subordinado ao governo do Estado.

Tristeza: Marcada pela tragédia, população de Santa Maria tenta retomar a rotina
Bombeiros: Boate cumpria normas, mas obstáculos e lotação ampliaram tragédia
Infográfico: Veja como aconteceu o incêndio na boate em Santa Maria
Saiba quem são as vítimas do incêndio em boate de Santa Maria

O inquérito para apurar a improbidade administrativa foi instaurado pela promotor Cesar Carlan. "É preciso levar em conta o aspecto político do que ocorreu", disse o promotor. O inquérito pode resultar em punições como a suspensão de direitos políticos dos supostamente envolvidos.

Pouco depois da instauração do inquérito, o prefeito reuniu a imprensa e parte do secretariado em seu gabinete para o que deveria ser uma entrevista coletiva, mas acabou se resumindo a um longo pronunciamento. Ao final da sua fala, o prefeito deixou o local sem responder nenhuma pergunta. Segundo o assessor do gabinete, ele teria "demandas mais urgentes".

Quem respondeu às questões dos jornalistaS foi o secretario do governo Giovane Mânica. Segundo ele, o alvará de localização da boate, que é de responsabilidade da prefeitura, está dentro do prazo de validade. Mânica disse que uma inspeção foi realizada no local em abril do ano passado e não constatou nenhuma irregularidade na boate. O prazo de validade da inspeção era de um ano.

Manifestantes pedem
Ricardo Galhardo/iG
Manifestantes pedem "Justiça" em passeata em Santa Maria

Segundo o secretario, a prefeitura vai apurar se houve negligência dos fiscais. De acordo com ele, se foi feita alguma modificação no local depois da inspeção, a culpa é dos proprietários que deveriam, por força da lei, ter notificado a prefeitura antes da reforma. "Se a prefeitura soubesse (da reforma) teria que fechar. Mas a prefeitura não sabia".

De acordo com o secretario, cabe ao Corpo de Bombeiros, que é vinculado a Brigada Militar do Estado, fazer as inspeções em relação às medidas contra incêndio na boate. Apesar da negativa da prefeitura, tanto o Ministério Público com a Policia Civil disseram que todos os possíveis envolvidos, inclusive, agentes municipais, poderão ser responsabilizados.

"A fiscalização deveria ser feita em harmonia pela prefeitura e Corpo de Bombeiros", disse o delegado Marcelo Arigony, responsável pela investigação.

Enquanto diferentes esferas do poder empurravam um para o outro a responsabilidade pela tragédia um grupo de cerca de 300 pessoas fizeram uma manifestação pedindo Justiça na região central de Santa Maria, onde ficam tanto a delegacia regional da Policia Civil quanto o gabinete do prefeito.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.