Tragédia na Região Serrana do Estado do Rio completa 1 ano

Forte temporal deixou mais de 900 pessoas mortas em seis municípios

iG Rio de Janeiro | 11/01/2012 06:00

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A maior tragédia natural da história do Brasil em número de vítimas completa 1 ano nesta quinta-feira. Foi na madrugada do dia 12 de janeiro de 2011 que um forte temporal de longa duração atingiu a Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, deixando um rastro de destruição e 905 pessoas mortas.

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Os municípios mais afetados pela tragédia foram Nova Friburgo e Teresópolis, com 426 e 382 óbitos, respectivamente. Petrópolis (71), Sumidouro (21), São José do Vale do Rio Preto (4) e Bom Jardim (1) foram as outras cidades que também registraram mortes por causa das chuvas.

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O temporal que atingiu a Região Serrana do Rio foi tão intenso que, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), a estação meteorológica do centro de Teresópolis registrou 124,6 mm de chuva só no dia 12 de janeiro. A quantidade foi quase a metade da média histórica para aquele mês na região – 290,4 mm –, medida desde 1913.

<span>Rio de Janeiro já tem mais mortes por chuva do que todo o Brasil em 2010</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Moradores de prédio tiram com rodos a lama que invadiu o edifício (13/01)</span> - <strong>Foto: Urbano Erbiste</strong> <strong>Publicidade</strong> <span>Banco localizado no centro de Nova Friburgo coberto por lixo e plantas após chuvas (13/01)</span> - <strong>Foto: Urbano Erbiste</strong> <span>Cachorro caminha por ruas cobertas de lama no centro de Nova Friburgo (13/01)</span> - <strong>Foto: Urbano Erbiste</strong> <span>Temporal arrastou carro para dentro de rio que corta Nova Friburgo (13/01)</span> - <strong>Foto: Urbano Erbiste</strong> <span>Moradores de Nova Friburgo usam sacolas plásticas nos pés por causa da lama (13/01)</span> - <strong>Foto: Urbano Erbiste</strong> <span>Morador atola os pés na lama ao tentar atravessar rua de Nova Friburgo (13/01)</span> - <strong>Foto: Urbano Erbiste</strong> <span>Pessoas reviram montanha de mercadorias despejada por supermercado em Nova Friburgo (13/01)</span> - <strong>Foto: Urbano Erbiste</strong> <span>Pessoas se aglomeram em frente ao colégio que está sendo usado como IML em Nova Friburgo (13/01)</span> - <strong>Foto: Urbano Erbiste</strong> <span>Corpos chegam ao Instituto Médico Legal improvisado de Nova Friburgo (13/01)</span> - <strong>Foto: Urbano Erbiste</strong> <span>Velório coletivo de vítimas das chuvas no cemitério localizado no centro de Nova Friburgo (13/01)</span> - <strong>Foto: Urbano Erbiste</strong> <span>Agentes da Defesa Civil caminham por rua de Nova Friburgo tomada pelas águas (13/01)</span> - <strong>Foto: Urbano Erbiste</strong> <span>A região aonde ficava o teleférico é uma das mais tomadas pela lama em Nova Friburgo (13/01)</span> - <strong>Foto: Urbano Erbiste</strong> <span>Marca de água mostra até onde foi o nível do rio que corta Nova Friburgo no dia do temporal (13/01)</span> - <strong>Foto: Urbano Erbiste</strong> <span>Após fortes chuvas em Nova Friburgo, capela fica completamente alagada</span> - <strong>Foto: O Globo</strong> <span>Foto da Capela de Santo Antônio, na praça do Suspiro, antes da tragédia</span> - <strong>Foto: Reprodução</strong> <span>Tromba d'água provoca mortes e deslizamentos no bairro Caleme, em Teresópolis</span> - <strong>Foto: O Globo</strong> <span>Encosta deslizou e soterrou casas e carros no bairro Caleme, em Teresópolis</span> - <strong>Foto: O Globo</strong> <span>Chuva causa dezenas de mortes e interdições dificultam resgate de vítimas</span> - <strong>Foto: O Globo</strong> <span>Moradores observam destroços em um vale na Estrada Teresópolis-Itaipava</span> - <strong>Foto: O Globo</strong> <span>Bombeiros continuam procurando por possíveis vítimas que estejam debaixo dos escombros</span> - <strong>Foto: O Globo</strong> <span>Carros são arrastados pela correnteza em Teresópolis</span> - <strong>Foto: O Globo</strong> <span>Imagem aérea mostra caminhão-pipa completamente alagado</span> - <strong>Foto: O Globo</strong> <span>Boletim do Corpo de Bombeiros indica que ocorreram mais de 30 deslizamentos de terra</span> - <strong>Foto: O Globo</strong> <span>Foto mostra o estrago na Região Serrana do Estado</span> - <strong>Foto: O Globo</strong> <span>Enxurrada em Teresópolis deixa mais de 500 pessoas desabrigadas</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Carro cai em barranco causado pelo temporal.  Previsão indica que o local terá chuvas até domingo</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Pessoas choram a perda de seus parentes e amigos durante a tragédia</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Equipes de resgate ajudam homem arrastado pela enchente no bairro Caleme</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Vista geral do bairro Caleme arrasado pela chuva em Teresópolis, na Região Serrana do Rio</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Com a ajuda de moradores, bombeiro tenta socorrer vítima das chuva em Teresópolis</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Moradores caminham em meio aos destroços da chuva em Teresópolis, na Região Serrana do Rio</span> - <strong>Foto: AFP</strong> <span>Rio Grande transborda e inunda o distrito de Manoel de Moraes, no município de Santa Maria Madalena</span> - <strong>Foto: Agência O Globo</strong> <span>Rio Grande transborda e inunda o distrito de Manoel de Moraes, no município de Santa Maria Madalena</span> - <strong>Foto: Agência O Globo</strong> <span>Chuvas provocaram deslizamentos, mortes e deixaram centenas de moradores desabrigados em Teresópolis</span> - <strong>Foto: Reprodução da TV Globo</strong> <span>Imagem aérea da região atingida pelas chuvas desta madrugada na Região Serrana do Rio</span> - <strong>Foto: Reprodução da TV Globo</strong> <span>Área atingida por deslizamento de terra em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, causado pelas chuvas que caíram na cidade</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Deslizamento de terra em Teresópolis, na Região Serrana do Rio de Janeiro, causado pelas chuvas que caíram na cidade</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Temporal em Teresópolis provoca destruição e mortes na Região Serrana do Rio</span> - <strong>Foto: Carlos Ivan/Agência O Globo</strong> <span>Carro do Corpo de Bombeiros atingido por um deslizamento de terra no centro de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, nesta quarta-feira</span> - <strong>Foto: AE</strong> <span>Com casas destruídas e sem ter para onde ir, famílias interias buscam abrigo em ginário de Teresópolis</span> - <strong>Foto: O Globo</strong> <span>Parentes olham o album feito pelo IML em busca de conhecidos</span> - <strong>Foto: O Globo</strong> <span>Lavrador Edmar Gregório, de 44 anos, perdeu mulher e filho de 13 anos em teresopolis</span> - <strong>Foto: Hélio Motta</strong> <span>Equipes fazem resgate na Rua Luiz Spinelli, onde caiu um prédio que soterrou 4 bombeiros</span> - <strong>Foto: O Globo</strong> <span>Prefeito de Teresópolis visita Ginásio Pedrão para prestar solidariedade às vítimas</span> - <strong>Foto: Marco Esteves</strong> <span>Corpo fica preso em meio aos destroços da chuva em Teresópolis</span> - <strong>Foto: EFE</strong> <span>Pessoas tentam salvar alguns produtos de uma farmácia afetada pela enchente</span> - <strong>Foto: O Globo</strong> <span>Dilma Rousseff visita às áreas atingidas pelas chuvas no estado do Rio de Janeiro</span> - <strong>Foto: Roberto Stuckert Filho</strong> <span>Teresópolis: primeiros corpos começam a ser sepultados no cemitério municipal, onde foram abertas 300 covas</span> - <strong>Foto: Vladimir Platonow/ABr</strong> <span>Famíliares e amigos choram durante os enterros</span> - <strong>Foto: Carlos Ivan /O Globo</strong> <span>Bombeiros resgatam um coelho durante busca por sobreviventes em Teresópolis, na região serrana do Rio</span> - <strong>Foto: AP</strong> <span>Equipes de resgate retiram corpo de vítima dos deslizamentos causados pela chuva em Teresópolis</span> - <strong>Foto: Felipe Dana/AP</strong> <span>Vista do Cemitério Municipal Carlinda Berlim, em Teresópolis, na região serrana do Rio de Janeiro</span> - <strong>Foto: AE</strong>

Desaparecidos

Um ano depois da tragédia, o Programa de Identificação de Vítimas (PIV) do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) ainda possui 215 comunicações de desaparecimento na Região Serrana, sendo 137 apenas em Teresópolis. A lista contém informações registradas por parentes e amigos de vítimas.

De acordo com o promotor Pedro Borges Mourão, coordenador do PIV, os casos até hoje são checados. Segundo ele, neste um ano de trabalho, aconteceram casos onde um corpo foi reconhecido por mais de uma família como sendo de um parente.

Veja também: Ilustração mostra como a chuva fez a terra ceder na Região Serrana

“Muitas pessoas acham que é simples fazer um teste de DNA, mas não é. Imagine pegar uma amostra de sangue em um corpo sujo de terra, lama. Às vezes, é preciso amplificar a amostra diversas vezes”, informa o promotor.

Segundo Mourão, algumas situações inesperadas também acontecem. Um homem que havia sido declarado desaparecido por familiares, por exemplo, foi encontrado vivendo em outro local. “Ele não voltou para casa porque abandonou a família. No geral, o trabalho é volumoso e delicado. Não podemos errar e declarar que uma pessoa está morta sem estar”, afirma.

Chuva rara

Um estudo da Coordenação de Programas de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ) concluiu que a chuva que atingiu a Região Serra fluminense pode levar aproximadamente 500 anos para ocorrer novamente.

Leia também: Chuva que atingiu serra deve demorar 500 anos para ocorrer novamente

Para os autores do levantamento, os estragos foram consequência de uma combinação de fatores meteorológicos. Chuvas fortes são comuns no verão e duram no máximo 15 minutos. O temporal da tragédia, no entanto, durou aproximadamente quatro horas, deixando o solo encharcado e instável.

O fenômeno ainda teve um agravante com o imenso volume de terra, enormes pedras e árvores presentes nas barragens naturais dos rios. O material deslizou das encostas e foi arrastado pela tromba d´água.

Destruição

O resultado da tragédia natural foi um amontoado de casas em ruínas, árvores arrancadas pelas raízes, carros reduzidos a ferro-velho em meio a escombros e muita lama. Em Teresópolis, o cenário de devastação lembrava a Faixa de Gaza na semana seguinte ao fim dos bombardeios, como comparou o repórter do iG Raphael Gomide que esteve nos dois lugares.

Leia também: Cenário em Teresópolis lembra devastação na Faixa de Gaza

No bairro Espanhol, um voluntário conseguiu retirar uma criança que estava soterrada na lama entre os escombros de uma casa. A criança, entretanto, morreu instantes depois. “Ainda era possível sentir o calor do corpo da menina”, relatou Célio Santos na ocasião.

Leia também: Ainda era possível sentir o calor da menina, conta voluntário

Em Nova Friburgo, uma escola e uma capela foram usadas como IML devido ao grande número de corpos. O cheiro na cidade era forte e diversas pessoas usavam máscaras. A Praça do Suspiro, atração turística do município, foi reduzida a um grande amontoado de lama, que ia até o joelho. 

Leia também: Estilista Daniela Conolly está entre as vítimas das chuvas no Rio

Em Itaipava, distrito de Petrópolis, entre as vítimas estava a designer e estilista Daniela Conolly, de 39 anos. Ela estava hospedada em um sítio com a família para comemorar o aniversário do pai, que também morreu. Morreram ainda a mãe da estilista, o marido, Alexandre França, o filho dela, João Gabriel, de dois anos, a babá e três sobrinhos. Daniela era irmã do empresário Erik Conolly de Carvalho, diretor da holding do Grupo Icatu.

Leia também: Relatos de sobreviventes da tragédia na Região Serrana do Estado do Rio

Os relatos comoventes de pessoas que sobreviveram às fortes chuvas ajudaram a entender a dimensão do estrago provocado pela maior tragédia natural da história do Brasil. “É um misto de sorte e tristeza”, disse o pintor Luiz Fernando Conceição, que perdeu o pai.

Rosângela Pereira Tavares só teve tempo de salvar as filhas gêmeas de 11 meses quando a água começou a invadir sua casa. “Estava acima da minha cintura. Sabe o que é enfrentar correnteza com um bebê no colo?".

O pedreiro Cartolino Ferreira perdeu a mulher na enxurrada e só sobreviveu porque ficou preso entre duas casas. “Estava completamente nu, preso num monte de lixo”, contou. “Foi um milagre”, resumiu.

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