Tenente apontado como mandante da morte de juíza será levado para presídio

Policial teria ordenado o crime no período em que comandava o batalhão de São Gonçalo

Daniel Gonçalves, especial para o iG |

O tenente-coronel da Polícia Militar Cláudio Luiz Oliveira deve prestar depoimento na tarde desta terça-feira (27) na Divisão de Homicídios da Polícia Civil e depois será encaminhado para o presídio Bangu 8, na zona oeste do Rio. Ele é suspeito de ser o mandante do assassinato da juíza Patrícia Lourival Acioli , ocorrido em agosto no município de Niterói, na Região Metropolitana do Rio.

De acordo com o corregedor da PM, coronel Ronaldo Menezes, Oliveira se apresentou à carceragem do Batalhão de Choque por volta das 3h desta terça-feira após o Tribunal de Justiça do Rio ter decretado sua prisão temporária . Há 26 anos na PM, ele atualmente ocupava o posto de comandante do 22º BPM (Maré) e foi exonerado do cargo .

A prisão de Oliveira teria sido decretada pelo TJ após um cabo preso por envolvimento no assassinato de Patrícia ter confessado em júri que o tenente-coronel havia sido o mandante do crime. O agente fez a revelação para obter o benefício da delação premiada, que acarreta uma provável redução de pena.

A ordem para a morte da magistrada teria sido dada quando Oliveira ainda comandava o 7º BPM (São Gonçalo). A transferência dele para o comando do batalhão da Maré aconteceu em um pacote de mudanças promovido recentemente pela PM.

“Foram aproximadamente 20 trocas de comando. Na ocasião não havia nenhuma suspeita contra ele”, afirmou o corregedor da corporação, coronel Ronaldo Menezes.

Crime forjado

Além de Oliveira, outros seis policiais que trabalhavam com o ex-comandante no 7º BPM também tiveram as prisões decretadas nesta segunda-feira pela 3ª Vara Criminal de Niterói. São eles: Júnior César de Medeiros, Giovanis Falcão Júnior, Charles de Azevedo Tavares, Carlos Adílio Maciel Santos, Alex Ribeiro Pereira e Samir dos Santos Quintanilha.

Os PMs são acusados de acusados de forjar um auto de resistência (morte em confronto com a polícia) para acobertar o assassinato de um jovem identificado como Diego da Conceição Beliene, de 18 anos. O crime ocorreu no mês de junho durante uma operação do Grupo de Ações Táticas (GAT) do 7º BPM no Complexo do Salgueiro, em São Gonçalo.

Após chegar à conclusão de que teria sido um assassinato, a juíza Patrícia decidiu incluir no inquérito toda a guarnição do grupo que participou da operação policial. Até então, somente dois PMs estavam presos por causa desse crime. A decisão teria sido o motivo do assassinato da magistrada, segundo investigação da polícia.

Histórico

A Justiça decretou no dia 11 de setembro a prisão de três PMs pela morte de Patrícia. O tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes e os cabos Sérgio Costa Júnior e Jefferson de Araújo Miranda teriam assassinado a magistrada acreditando, equivocadamente, que a prisão deles pela morte do jovem Diego ainda não havia sido decretada.

Eles não contavam, no entanto, que, horas antes de ser assassinada , Patrícia já tinha oficializado a medida. No último dia 19, a Justiça determinou que os três PMs fossem transferidos para carceragens diferentes para que não combinem estratégias de defesa. O tenente Daniel dos Santos Benitez Lopes foi levado para Bangu 8, onde Cláudio Luiz Oliveira vai ficar detido.

Patrícia foi assassinada no final da noite do dia 11 de agosto com 21 tiros quando chegava a sua casa, no bairro de Piratininga, em Niterói. No momento, a juíza, de 47 anos, estava sem seguranças.

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