Colégio tradicional do Rio não vai expulsar aluno acusado de agressão

Adolescente de 14 anos é suspeito de agredir criança de seis. Instituição diz que não "pode desistir" de um jovem nesta idade

iG Rio de Janeiro | 01/06/2011 21:37

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Em nota divulgada nesta quarta-feira (1º), o Colégio de São Bento, uma das instituições mais tradicionais do Rio de Janeiro, informou que não vai expulsar o adolescente de 14 anos suspeito de agredir um aluno de seis anos. O fato ocorreu no último dia 26. Por causa das agressões, a vítima sofreu luxações na cabeça e um corte na testa.

O pai da criança agredida registrou a ocorrência na DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente). O adolescente e os pais dele vão ser notificados e devem prestar depoimento ainda nesta semana. Como o acusado é menor de idade, a polícia abriu um Auto de Investigação de Ato Infracional.

Quando a investigação for concluída, o auto vai ser enviado ao Ministério Público e à Vara da Infância da Infância e Juventude. O adolescente acusado poderá receber uma advertência, ficar provisoriamente internado ou ser obrigado a cumprir medidas socioeducativas.

Na nota, a Reitoria do São Bento informou que "expulsar um aluno, em princípio, não faz parte do seu nosso projeto educativo". O colégio explicou ainda no comunicado que tratou o episódio como uma brincadeira inconsequente que, como terminou mal, foi considerada falta grave.

Confira a íntegra da nota:

"A Reitoria do Colégio de São Bento reafirma a sua posição em relação ao lamentável incidente ocorrido na última quinta-feira, 26 de maio, de conduzir o caso focada nos seus princípios educacionais de formação de cidadãos na plenitude do seu potencial, cientes de seus direitos e deveres em relação a si próprios, em relação ao seu próximo, prontos para as responsabilidades da vida em sociedade, em cumprimento da missão de um Colégio cristão que vai muito além da excelência acadêmica dos seus alunos, há muito reconhecida na sociedade brasileira.

A seriedade com que a instituição tem tratado do assunto, cuidando especialmente de não expor nenhum dos menores que estão exclusivamente sob a sua responsabilidade e das devidas famílias, corresponde ao seu compromisso com todos os seus alunos, em toda e qualquer circunstância. Crianças, adolescentes e jovens devem receber de nós adultos o exemplo de uma ação explicitada com amor, mas firmeza, com coerência e justiça, para que se consolide a educação ampla que desejamos.

Portanto, qual seria a motivação de um Colégio, que está comprometido com a educação há 153 anos, em acobertar um ato violento e intencional de um aluno sabendo que ele teria causado um sério dano a outro? Com que autoridade prosseguiríamos a vida escolar diante de tamanha injustiça?

A ocorrência disciplinar que tem gerado tanto clamor na mídia, nos últimos dias, foi avaliada pelos nossos profissionais que, desde então, têm buscado, incansavelmente, esclarecer os fatos, como uma brincadeira inconsequente, sem intenção de agredir ou machucar, mas que, no entanto, acabou mal, logo, considerada uma falta grave. Felizmente, não houve sequela física grave, na criança que se machucou. A punição de suspensão que cabia para o caso foi aplicada. As famílias dos envolvidos, chamadas a participar de todo o procedimento educativo.

Expulsar um aluno, em princípio, não faz parte do nosso projeto educativo; educá-lo, sim, faz parte do nosso projeto. Nós educadores não podemos desistir de um adolescente de 14 anos ou qualquer outra idade, se não forem esgotados todos os recursos que uma escola dispõe para corrigir algum comportamento ou se redimir alguma falha, sempre trabalhando em consonância com as famílias.

Não queremos vencedores, nem perdedores. Queremos que esses momentos difíceis sejam transformados em momentos de aprendizagem".

As notícias, da forma como têm sido veiculadas, com as mais variadas versões, têm causado muita tristeza nesta comunidade beneditina que se orgulha da nossa instituição da qual faz parte como aluno ou ex-aluno. As mensagens de apoio, de solidariedade e confiança que temos recebido, infinitamente maiores do que as opiniões de crítica negativa, julgamento e censura, têm reforçado a importância desse espaço educacional.

Assim, nesses dias, em que tantas pessoas opinaram com diferentes pontos de vista, passamos uma dura lição aos nossos alunos: jamais julguem ou se posicionem, sem conhecerem a verdade dos fatos, pois todos devemos ter responsabilidade com o que fazemos e com o que dizemos.

Cabe agora aos órgãos competentes, responsáveis pela proteção à criança e ao adolescente, chegarem às suas conclusões e recomendações cabíveis.

Quanto ao Colégio de São Bento, continuará empenhado com a verdade e dedicação em formar homens de bem."
 

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